Movimento que já reúne milhares de agricultores intensifica pressão em Brasília por linhas de crédito e renegociação de dívidas para garantir a sobrevivência do setor no estado
A catástrofe climática que assolou o Rio Grande do Sul em maio de 2024 deu origem a um movimento de resistência no campo: o SOS Agro RS. Idealizado por Graziele de Camargo e Eder Faccin, o projeto nasceu como uma rede de proteção para agricultores que viram suas propriedades serem devastadas pelas águas. “A organização foi nossa saída para não enfrentarmos o luto e as perdas sozinhos”, explica Graziele.
Mobilização recorde e pressão por crédito
Em um curto intervalo, a iniciativa conectou mais de 8 mil produtores via redes sociais. O foco central era fortalecer as frentes da Farsul na cobrança por suporte governamental, especificamente na criação de linhas de crédito que permitissem o refinanciamento de dívidas. Para Eder Faccin, a demanda é pragmática: “Não buscamos benefícios, buscamos o direito de continuar produzindo e sobrevivendo”.
A força do movimento se materializou em manifestações massivas pelo estado:
- Em Cachoeira do Sul, 5 mil produtores se mobilizaram.
- Em Rio Pardo, o ato alcançou a marca de 12 mil participantes.
- Em Porto Alegre, um tratoraço histórico levou mais de 300 máquinas às ruas da capital.
O peso das dívidas e o impacto humano
O movimento não se limitou às ruas e marcou presença na Expointer com atos simbólicos. O resultado prático dessa pressão foi a renegociação de débitos para mais de 187 mil produtores até o fim de 2024, trazendo fôlego financeiro para milhares de famílias.
Entretanto, o cenário é agravado por uma crise humanitária silenciosa. Desde julho de 2024, o grupo monitora o aumento de casos de suicídio entre produtores sufocados por dívidas, com cerca de 40 ocorrências registradas. “É o lado mais cruel dessa tragédia”, lamenta a coordenadora.
Diálogo em Brasília e conscientização
Com 27 passagens por audiências públicas em Brasília, o SOS Agro RS cobra celeridade do poder público. A pauta exige medidas como a securitização de dívidas e juros condizentes com a situação de emergência.
Além da economia, o movimento agora foca na saúde mental, promovendo redes de apoio para lembrar aos produtores que a vida deve ser priorizada sobre qualquer passivo financeiro. O apelo final é direcionado a toda a sociedade: a estabilidade do agronegócio é o que garante a comida na mesa de quem vive na cidade e a segurança econômica do país.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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