Sudeste supera Centro-Oeste com menor custo alimentar pela primeira vez em 2026 e lucro do confinamento atinge recorde

Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP) mostra inversão regional inédita neste ano, com a região Sudeste operando R$ 1,04 abaixo do Centro-Oeste; margens superam R$ 1.260 por cabeça nas duas regiões

O custo alimentar do confinamento bovino brasileiro apresentou uma inversão na dinâmica entre as principais regiões produtoras em março de 2026, segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), indicador calculado a partir de dados reais coletados pela tecnologia de gestão de confinamento que gerencia 62% das cabeças confinadas do país (Beef Report Abiec/2025).   No Centro-Oeste, o índice fechou o mês em R$ 13,23 por cabeça/dia, registrando alta de 11,93% em relação a fevereiro, pressionado principalmente pelos insumos energéticos e volumosos.

Já no Sudeste, o ICAP foi de R$ 12,19, com queda de 3,64% no comparativo mensal, consolidando o movimento de alívio nos custos observado desde fevereiro. Na comparação anual, ambas as regiões permanecem abaixo de março de 2025. O Centro-Oeste apresenta redução de 4,89%, enquanto o Sudeste registra queda mais expressiva de 8,14%.   O resultado marca uma inversão regional inédita em 2026: pela primeira vez no ano, o Sudeste opera com custo alimentar inferior ao Centro-Oeste, com diferença de R$ 1,04 em favor da região.

Visão trimestral dos insumos por Região

Centro-Oeste

Na análise do trimestre janeiro a março de 2026, o custo alimentar no Centro-Oeste encerrou março acima da média do período, refletindo a pressão concentrada no último mês.

  • Volumosos: +21,02% vs média trimestral
  • Energéticos: +12,35% * Proteicos: estabilidade (-0,30%)

O principal vetor de alta foi o grupo dos energéticos, influenciado pelo avanço do preço do milho grão seco (+2,2% vs média trimestral) e do sorgo (+6,9%), em um contexto de transição entre a safra de verão e a expectativa da safrinha. Nos volumosos, a alta do grupo foi influenciada principalmente pela silagem de capim (+30,4%), que pressionou o custo médio ponderado, apesar de movimentos de alívio em insumos como silagem de milho (-8,1%).

Sudeste

No Sudeste, o custo alimentar encerra março abaixo da média trimestral (-1,79%), puxado principalmente pela redução nos custos dos insumos energéticos e proteicos.

  • Energéticos: -8,74% vs média trimestral
  • Proteicos: -5,11% * Volumosos: +43,75% Entre os energéticos, o destaque foi a queda do sorgo (-15,3%) e o recuo do milho (-1,5%), refletindo maior disponibilidade e competitividade de coprodutos na região. Nos proteicos, a redução foi puxada principalmente pela torta de algodão (-8,2%) e pelo DDG (-2,1%), reforçando o movimento de alívio da dieta. Apesar da forte alta dos volumosos, especialmente silagem de cana (+65,1%) e bagaço de cana (+23,3%), a queda dos demais grupos foi suficiente para reduzir o custo total da dieta na região.

Porteira pra Fora x Porteira pra Dentro

A dinâmica entre custo alimentar e preço da arroba manteve o confinamento em um dos melhores momentos de rentabilidade da série recente. No mercado físico:

  • Centro-Oeste * Custo da arroba produzida: R$ 192,76
    • Arroba: R$ 345,00
    • Lucro: R$ 1.278,79/cabeça
  • Sudeste * Custo da arroba produzida: R$ 193,50
    • Arroba: R$ 350,00
    • Lucro: R$ 1.267,65/cabeça   As duas regiões apresentam os maiores níveis de lucratividade da série recente, com crescimento superior a 24% em relação a fevereiro.

Outro destaque é a convergência do custo por arroba produzida, com diferença de apenas R$ 0,74 entre as regiões, contra mais de R$ 17 no mês anterior — sinal claro de equalização da competitividade entre Centro-Oeste e Sudeste. No mercado de exportação, o Sudeste assume ligeira liderança, com lucro estimado de R$ 1.324,35 por cabeça, impulsionado por cotações mais elevadas do boi China na região.

Destaque do mês do ICAP: inversão regional de custos e empate técnico no lucro

O principal destaque de março é a inversão regional do custo alimentar, com o Sudeste operando abaixo do Centro-Oeste — movimento contraintuitivo no padrão histórico da pecuária brasileira. Pela primeira vez em 2026, a região registra ICAP de R$ 12,19, frente a R$ 13,23 no Centro-Oeste, diferença de R$ 1,04 em favor do Sudeste.

O movimento reflete dinâmicas distintas entre as regiões. No Centro-Oeste, a alta foi puxada pelos energéticos (+16,55%) e volumosos (+15,18%), pressionados pela transição entre safras. Já no Sudeste, a queda nos energéticos (-9,56%) e proteicos (-7,71%), impulsionada pela maior disponibilidade de coprodutos agroindustriais, sustentou a redução do custo da dieta.  

Além da inversão de custos, março evidenciou um empate técnico na lucratividade, reforçando a convergência entre as regiões. O lucro por cabeça foi de R$ 1.278,79 no Centro-Oeste e R$ 1.267,65 no Sudeste, diferença inferior a R$ 12 por animal.  

A inversão levanta uma questão relevante para o setor: trata-se de um movimento pontual, associado à sazonalidade, ou o início de um novo padrão de competitividade regional? A resposta dependerá principalmente do comportamento da safrinha de milho ao longo do ano.  

Dados referentes ao consumo diário dos animais e outros indicadores são apresentados no Boletim ICAP disponível aqui.

Inteligência de dados no confinamento

O ICAP é calculado a partir de dados de confinamentos monitorados por tecnologias da Ponta, incluindo o ecossistema TGC – sistema de gestão de confinamento amplamente utilizado no Brasil.

A base de dados do índice consolida milhões de diárias de alimentação de bovinos e permite acompanhar mensalmente a evolução do custo alimentar dia a dia nas principais regiões produtoras do país. Segundo a empresa, o indicador tem se consolidado como uma ferramenta estratégica para planejamento de compras de insumos, avaliação da viabilidade do confinamento e análise de margem da atividade.

*Estimativa de lucratividade realizada com cotação de arroba balcão, sem a adição de bonificações por rastreabilidade, padrão de qualidade e protocolos de mercado.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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