Surto de febre aftosa na África do Sul mobiliza plano emergencial com envio de milhões de vacinas; meta prevê cobertura superior a 80% nos rebanhos comunitários e até 100% em confinamentos
Um surto de febre aftosa voltou a acender o alerta sanitário na África do Sul, pressionando a cadeia pecuária e ameaçando a produção de carne e leite no país. Diante da gravidade do cenário, o governo sul-africano estruturou uma estratégia nacional de longo prazo para conter e erradicar a doença, que contará com o apoio da farmacêutica veterinária Biogénesis Bagó, responsável pelo fornecimento de milhões de doses de vacinas de alta potência.
A empresa anunciou o envio imediato de um lote inicial de 1 milhão de doses, condicionado às autorizações regulatórias, além do compromisso de fornecer mais 5 milhões de doses até março de 2026. As vacinas são direcionadas aos sorotipos SAT 1, SAT 2 e SAT 3 — variantes historicamente associadas aos surtos no sul da África e que, nos últimos meses, voltaram a circular com impacto direto sobre rebanhos bovinos, cadeias produtivas e restrições comerciais.
De acordo com o plano sanitário sul-africano, as vacinas serão utilizadas em campanhas de imunização em massa, realizadas de forma escalonada e priorizando regiões com maior circulação viral, mapeadas por análises de risco epidemiológico. As metas preveem cobertura superior a 80% nos rebanhos comunitários e até 100% em confinamentos e propriedades leiteiras, considerados pontos críticos para a disseminação do vírus.

O fornecimento internacional complementa a produção local e os acordos regionais já existentes, ampliando a disponibilidade de vacinas trivalentes adaptadas às cepas SAT atualmente em circulação. A febre aftosa é uma das doenças mais temidas da pecuária mundial por sua alta transmissibilidade e pelos severos prejuízos econômicos que provoca, incluindo embargos sanitários e perdas de produtividade.
Segundo a Biogénesis Bagó, o acordo com a África do Sul se apoia na experiência acumulada da empresa em programas de controle da doença em diferentes continentes. “Nossa missão é apoiar os países no desenvolvimento e implementação de estratégias sustentáveis de controle e erradicação da febre aftosa, combinando tecnologia de ponta, capacidade produtiva e conhecimento epidemiológico”, afirmou Rodolfo Bellinzoni, diretor de Operações e Inovação da companhia.
O executivo destaca que a atuação da empresa em países da América Latina e da Ásia contribuiu para a recuperação e manutenção do status sanitário de livre de aftosa, com e sem vacinação, servindo agora de referência para o desafio sul-africano. “Essa mesma experiência estará agora a serviço da África do Sul, como parceira estratégica em sua jornada rumo a um país livre de aftosa e com maior resiliência sanitária”, acrescentou.
Além do fornecimento direto de vacinas, a empresa atua como fornecedora de antígenos para bancos estratégicos de febre aftosa, permitindo respostas rápidas diante do surgimento de novos focos ou variantes virais. A empresa é parceira de alguns dos principais exportadores de carne do mundo, como Brasil e Estados Unidos, experiência que, segundo a companhia, facilita a adaptação das soluções às cepas específicas de cada região.
Em dezembro de 2025, a farmacêutica passou a deter o banco de antígenos e vacinas contra a febre aftosa do Brasil, um estoque estratégico voltado à formulação rápida de imunizantes em caso de surtos localizados. O acordo envolve cooperação tecnológica com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e o governo federal brasileiro, reforçando a importância da prevenção e da capacidade de resposta rápida como pilares da segurança sanitária.
O avanço do surto na África do Sul reforça o caráter global da febre aftosa e a necessidade de vigilância constante, investimentos em vacinação e cooperação internacional para proteger a produção pecuária e garantir a segurança dos mercados.
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