Tecnologia elimina sustâncias tóxicas de combustível de eucalipto

Inovação premiada no “Tese Destaque USP 2017” impulsiona Brasil no mercado internacional de energias renováveis

Uma nova tecnologia permite a eliminação de gases tóxicos e cinzas de pellets de eucalipto brasileiros usados para produção de bioenergia. Os pellets são pequenos granulados em formato cilíndrico produzidos a partir da biomassa vegetal.

O uso é variado. Vai desde a queima em fornos industriais até o aquecimento domiciliar. O Brasil é um dos maiores produtores de eucalipto do mundo e, com a inovação, passa a ser competitivo no mercado global de pellets de madeira. A mesma tecnologia também pode ser aplicada ao bagaço de cana-de-açúcar, ao bambu e ao capim-elefante, dentre outras biomassas agrícolas.

Os pellets produzidos e consumidos no Brasil, na sua maioria, não se encontram nos padrões de controle de qualidade da ENPLUS, organização internacional que define requisitos de qualidade e sustentabilidade para o fornecimento de pellets de madeira no mundo. Eles possuem de duas a dez vezes mais teor de cloro que o estabelecido pela norma vigente.

A ocorrência de cloro e substâncias inorgânicas presentes naturalmente na biomassa vegetal em zonas climáticas tropicais, como o Brasil, se dá devido às chuvas que se formam rapidamente do vapor marítimo, “diferentemente do que acontece em outros países de zonas temperadas ou glaciais, quando as precipitações são provenientes majoritariamente de água doce”, explica o autor da pesquisa, Javier Escobar, do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP.

“Os pellets de origem de zonas climáticas tropicais, como o Brasil, quando entram em combustão, soltam dioxinas e outros gases tóxicos mutagênicos que comprometem a saúde humana”, explica Javier Escobar, do IEE da USP – Foto: Marcos Santos / USP Imagens
“Os pellets de origem de zonas climáticas tropicais, como o Brasil, quando entram em combustão, soltam dioxinas e outros gases tóxicos mutagênicos que comprometem a saúde humana”, explica Javier Escobar, do IEE da USP – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Por terem mais cloro e substâncias inorgânicas na biomassa, os pellets de origem de zonas climáticas tropicais como o Brasil, quando entram em combustão, soltam dioxinas entre outros gases tóxicos, que são mutagênicos e comprometem a saúde humana, além de provocar corrosão nos equipamentos de conversão de energia de fabricação dos produtos. A tecnologia descoberta propõe a remoção dessas substâncias tóxicas e corrosivas das fibras de eucalipto a quase zero.

Para chegar a este resultado, Escobar reduziu a granulação das fibras de biomassa entre 10 e 20 vezes para aumentar a superfície da área de contato, para posterior imersão em água e retirada das substâncias tóxicas. Segundo o pesquisador, o processo removeu até 90% das impurezas do material quando comparado ao material não tratado.

Os resultados desta pesquisa renderam ao autor do estudo o primeiro lugar, categoria Multidisciplinar, no Tese Destaque USP 2017, concedido pela Pró-Reitoria de Pós-Gradução (PRP) da USP, e o Prêmio Brasileiro de Inovação e Tecnologia em Biomassa concedido, pela FRG Mídia Brasil, com apoio da World Bioenergy Association. Escobar também é correspondente brasileiro do Renewables Global Status Report 2017 (REN21) e coautor do relatório da Agência Internacional de Energia, Global Wood Pellets Industry and Trade Study 2017 – IEA/Bioenergy

A pesquisa A produção sustentável de biomassa florestal para energia no Brasil: O caso dos pellets de madeira teve a orientação do professor José Goldemberg, personalidade mundialmente reconhecida na área de energia. A inovação foi depositada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) como patente de invenção no final de 2016.

Esta matéria é a primeira de série semanal do Jornal da USP que divulgará as pesquisas premiadas no Tese Destaque USP 2017. Acompanhe a próxima na sexta-feira, dia 6 de outubro.

Fonte: Jornal da USP

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