Chuvas devastam propriedades de produtores da Zona da Mata em MG. 95% não têm seguro rural e enfrentam perdas de 63 mil hectares. Veja os dados da Faemg.
Um levantamento minucioso realizado pelo Sistema Faemg/Senar revela que os produtores da Zona da Mata estão contabilizando danos severos que vão muito além da lama: há uma paralisia produtiva em curso. Entre os dias 28 de fevereiro e 2 de março, a força das águas atingiu diretamente 26% das propriedades da região, em uma amostra de 376 produtores monitorados pela entidade.
O rastro de destruição para os produtores da Zona da Mata
A magnitude do impacto impressiona pela abrangência territorial. Mais de 63 mil hectares foram afetados, o que equivale a 63% de toda a área declarada no levantamento. Para os produtores da Zona da Mata, o prejuízo não é apenas estrutural, mas biológico e operacional: 61% dos atingidos relataram perdas significativas na produção, enquanto 23% viram-se obrigados a suspender totalmente suas atividades agrícolas e pecuárias.
A pecuária, um dos pilares da economia regional, sofreu um golpe direto com a morte de 142 animais, distribuídos em propriedades de 12 municípios diferentes. O cenário configura uma crise humanitária e econômica que desafia a capacidade de resiliência do setor.
Desproteção financeira: O risco do “vazio” de seguros
Um dos pontos mais sensíveis destacados pelo Sistema Faemg/Senar é a vulnerabilidade institucional. Impressionantes 95% dos produtores da Zona da Mata entrevistados não utilizam ferramentas de gestão de risco, como o seguro rural. Em um momento de catástrofe climática, a ausência dessa proteção deixa o agricultor exposto ao endividamento.
A situação financeira é agravada pelo fato de que 21% desses produtores possuem financiamentos ativos. O dado mais crítico recai sobre os 12% que têm parcelas vencendo nos próximos 90 dias. Sem o escoamento da safra e com a perda de ativos, o fluxo de caixa das fazendas entra em colapso, dificultando a retomada para a próxima temporada.
Caos logístico e o isolamento em Ubá
A infraestrutura foi severamente comprometida, com destaque negativo para o município de Ubá, onde o índice pluviométrico atingiu 91 milímetros em poucas horas. A destruição de 31 pontes na zona rural isolou comunidades e inviabilizou o transporte de itens perecíveis.
- Leite: O produto, que exige entrega em até 48 horas, está sendo perdido por falta de acesso.
- Hortifrúti: Frutas e verduras estão apodrecendo nas lavouras ou nos caminhões parados.
- Comércio Local: Com as feiras livres suspensas devido à lama, o cinturão verde da região perdeu seu principal canal de venda direta.
Riscos fitossanitários e o atraso na silagem
Para além do estrago visível, existe uma ameaça silenciosa nas lavouras de Juiz de Fora e Matias Barbosa. Emerson Simão, gerente regional do Sistema Faemg/Senar, alerta que o excesso de umidade e o calor formam o “caldo de cultura” ideal para doenças. “As enxurradas expõem as raízes e a alta umidade propicia o desenvolvimento de patógenos”, explica o especialista.
O setor de silagem também sofre: o solo encharcado impede a entrada de maquinário para a colheita do milho. O resultado será uma redução na qualidade da alimentação animal, o que deve inflacionar os custos da pecuária mineira nos próximos meses.
Nesta quarta-feira (4), equipes técnicas iniciaram visitas presenciais em Ubá para traçar um plano de mitigação junto aos órgãos governamentais, buscando garantir o mínimo de segurança para as famílias que vivem da terra.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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