Uso de alga marinha como bioestimulante cresce na cafeicultura e contribui para ganhos de produtividade

Essa alga, colhida pela Acadian Sea Beyond, vem das águas frias do Atlântico Norte, especificamente no Canadá, e é rica em bioativos naturais.

Os bioestimulantes formulados à base da alga marinha Ascophyllum nodosum vêm conquistando espaço na cafeicultura moderna como verdadeiros “impulsionadores naturais”. Afinal, contribuem para acelerar o crescimento das plantas, fortalecer sua resistência aos estresses e elevar a qualidade final dos grãos em uma cultura estratégica para o Brasil, maior produtor do mundo desde a época do Império e, também, o maior exportador do grão.

Essa alga, colhida pela Acadian Sea Beyond, vem das águas frias do Atlântico Norte, especificamente no Canadá, e é rica em bioativos naturais – como ácido algínico, manitol, aminoácidos, polissacarídeos, vitaminas, ácidos orgânicos e minerais. Essa composição única a torna ideal para uso na agricultura, promovendo diversos efeitos fisiológicos benéficos nas plantas. Graças a um conjunto de compostos, os extratos de Ascophyllum nodosum atuam diretamente no metabolismo vegetal, estimulando processos essenciais ao bom desenvolvimento dos cafezais, cultivados em praticamente todas as regiões produtoras do país.

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No desenvolvimento vegetativo, aplicações desse extrato estimulam o enraizamento, aumentam a emissão de brotações e favorecem o vigor das plantas. A presença de fitormônios e moléculas sinalizadoras intensifica a divisão celular, o alongamento de tecidos e a formação de raízes laterais, resultando em plantas mais robustas e com maior capacidade de exploração do solo. Além disso, os polissacarídeos presentes na alga auxiliam a retenção de água e a formação de biofilmes protetores, contribuindo para a resiliência em situações de seca ou calor excessivo – condições comuns em áreas produtoras de café, que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somaram 1.944.382 hectares no último ano.

Especificamente em relação à produtividade e à qualidade dos grãos, diversos estudos apontam que o uso de bioestimulantes à base de Ascophyllum nodosum melhoram o enchimento dos frutos, uniformizam a maturação e aumentam os teores de açúcares e compostos precursores de aroma e sabor. Como resultado, os lotes tendem a apresentar maior peneira, melhor aparência física e pontuações superiores em análises sensoriais. Esses ganhos tornam-se ainda mais relevantes quando observados em escala nacional, considerando que, em 2024, o IBGE registrou produção de 3.387.724 toneladas de café, com liderança de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo.

Outro benefício relevante é o aumento da tolerância da cultura a estresses bióticos e abióticos. Compostos antioxidantes presentes na alga reduzem danos oxidativos, enquanto a modulação hormonal fortalece os mecanismos naturais de defesa das plantas. Assim, lavouras tratadas com bioestimulantes tendem a apresentar melhor desempenho em condições adversas, reduzindo perdas produtivas e aumentando a estabilidade da safra – aspecto decisivo para uma atividade com valor de produção estimado pelo IBGE em mais de R$ 69,2 bilhões.

No contexto da rentabilidade, relatos de produtores e resultados observados em outras culturas sugerem que a aplicação de extratos de Ascophyllum nodosum geram retorno econômico relevante ao proporcionar maior produtividade por área e reduzir impactos de estresses climáticos, especialmente em regiões de sequeiro. Ainda que a literatura científica específica para o café brasileiro seja modesta, evidências consolidadas em outros países da américa latina, indicam consistente aumento de produtividade, reforçando o potencial dos bioestimulantes como ferramentas tecnológicas alinhadas às exigências produtivas, econômicas e ambientais da cafeicultura brasileira.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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