Planejando 2026? Entenda como a Eficiência Alimentar reduz custos em até 15%, diminui emissões de metano e aumenta o lucro real da pecuária de corte
O ciclo pecuário de 2026 se desenha sob uma nova ordem econômica e ambiental. Se antes o foco estava apenas em “animais pesados”, hoje a matemática da fazenda exige precisão cirúrgica nos custos. Nesse cenário, a Eficiência Alimentar deixa de ser um luxo tecnológico para se tornar a principal ferramenta de blindagem do lucro do pecuarista contra a volatilidade dos insumos.
Para o produtor que está desenhando o acasalamento agora visando a safra de bezerros futura, ignorar este atributo é um erro estratégico. A pecuária moderna não aceita mais desperdício, e a capacidade de um animal converter dieta em carcaça com o menor consumo possível é o que separará operações rentáveis das deficitárias nos próximos anos.
O impacto econômico direto da Eficiência Alimentar
Dados de mercado e estudos de agronegócio indicam que a nutrição representa entre 70% e 75% do Custo Operacional Total (COT) de sistemas intensivos e semi-intensivos. Com a flutuação dos preços do milho e da soja, cada grama de ração desperdiçada corrói a margem líquida.
Aqui reside o poder da Eficiência Alimentar: a seleção genética permite identificar indivíduos que consomem menos matéria seca para desempenhar o mesmo ganho de peso. Estudos da Embrapa e de programas de melhoramento (como ANCP e PMGZ) mostram que a utilização de touros melhoradores para essa característica pode reduzir o custo de alimentação em até 10% a 15% sem prejudicar o desempenho final. Em um confinamento de mil cabeças, essa economia representa centenas de milhares de reais ao final do ciclo.
O “Boi Verde” consome menos
Um dado crucial para o planejamento de 2026 é a pressão internacional por sustentabilidade. Há uma correlação direta e comprovada cientificamente: animais mais eficientes emitem menos metano por quilo de carne produzido.
Ao selecionar para Eficiência Alimentar, o pecuarista está, automaticamente, produzindo um gado de menor pegada de carbono. Pesquisas recentes apontam que animais com CAR (Consumo Alimentar Residual) negativo podem emitir até 20% a 30% menos metano diariamente em comparação aos seus contemporâneos ineficientes. Isso coloca o rebanho em vantagem competitiva para acessar mercados que exigem certificações ambientais e protocolos ESG, uma tendência irreversível para a exportação brasileira.
Decifrando a sopa de letrinhas: CAR e DEPCAR
Para aplicar isso na prática, é necessário dominar os indicadores técnicos. A simples Conversão Alimentar (CA) já não basta, pois ela tende a selecionar animais menores (que comem menos porque são pequenos) e pode reduzir o porte do rebanho a longo prazo. A ciência evoluiu para medidas mais robustas:
- CAR (Consumo Alimentar Residual): É a medida “padrão-ouro”. Ela calcula a diferença entre o que o animal comeu e o que ele deveria ter comido baseada no seu peso e ganho. Se o número é negativo (ex: -1,5 kg), significa que ele economizou 1,5 kg de comida por dia para fazer o mesmo trabalho que a média.
- DEPCAR (Diferença Esperada na Progênie para CAR): É a ferramenta de seleção. Ao escolher um touro com DEPCAR negativa, você está inserindo no seu rebanho genes que farão os bezerros serem máquinas de conversão eficientes.
- CGR (Consumo e Ganho Residual): Indicado para quem quer acelerar ao máximo. Ele seleciona animais que comem menos do que o previsto, mas ganham mais peso do que a média. É a eficiência combinada com desempenho máximo.
A revolução dos dados fenotípicos
A genômica deu um salto gigantesco, mas ela não trabalha sozinha. Para que as DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie) de Eficiência Alimentar tenham alta acurácia (confiabilidade), é necessário um banco de dados fenotípicos robusto.
Isso só é possível graças ao uso de tecnologias como cochos eletrônicos (ex: sistemas Intergado ou GrowSafe) que monitoram cada grama ingerida pelo animal 24 horas por dia. O Brasil hoje possui um dos maiores bancos de dados de eficiência alimentar do mundo, alimentado por provas de desempenho em centrais e criatórios de ponta.
Ao planejar a genética de 2026, exija de seu fornecedor de genética (seja de sêmen ou touros de campo) que os animais tenham avaliação genômica para Eficiência Alimentar com acurácia comprovada. Comprar “no escuro” é apostar contra a própria margem de lucro.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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