Venda de fertilizante não foi suspensa, veja a previsão!

A crise dos fertilizantes tem gerado grande “tumulto” entre as informações divulgadas, entenda a real situação; Além disso, veja o que está no radar do Governo!

A Rússia é o principal fornecedor de fertilizantes ao Brasil, com cerca de 20% do volume internalizado anualmente. Dados apontam que, mesmo que o país não suspenda as vendas externas, as sanções econômicas impostas à Rússia e os gargalos logísticos tendem a interromper o fluxo exportador do país.

A Rússia, Belarus e Ucrânia, são grandes exportadores e detentores de reservas e produções de fertilizantes para o mundo. Antes de mais nada, é preciso pontuar que, até o momento, não houve qualquer quebra de contrato e ou movimento de suspensão das vendas de fertilizantes por parte destes países. Entretanto, a Guerra que é travada a uma semana, vem impactando na logística, preços e entregas das cargas, por hora suspensas ou remanejadas.

A interrupção do fluxo de exportação de fertilizantes russos ao Brasil, assim como para a grande maioria de outros países do mundo, é uma “questão de tempo”, avalia a consultoria StoneX. A empresa aponta que mesmo que o país não suspenda as vendas externas, as sanções econômicas impostas à Rússia e os gargalos logísticos tendem a interromper o fluxo exportador do país.

“A situação está se deteriorando rapidamente e a guerra iniciada na semana passada pode ser mais longa e mais difícil para a Rússia do que se esperava”, diz a StoneX, em relatório enviado a clientes.

No momento, as cargas que chegam ao Brasil tratam-se de contratos fechados anteriormente e que estavam a caminho. Ao longo desta quarta-feira (3), cresceram os rumores de que a Rússia teria suspendido as vendas de adubos ao país. Até o momento, não há confirmação pelo governo russo, nem pelo governo brasileiro do fato.

Rússia é o principal fornecedor de adubos ao Brasil, com cerca de 20% do volume internalizado anualmente. O país é o segundo maior exportador mundial de nitrogenados e terceiro maior exportador global de fosfatados e potássicos, contribuindo com 16% dos adubos exportados no mundo.

O Governo Federal, Bolsonaro e Tereza Cristina, trabalham para que os acordos bilaterais continuem a ser cumpridos. Dessa forma, além de estreitar a relação com a Rússia, o país segue tentando buscar novos fornecedores neste momento.

Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostra que os preços pagos pelo agronegócio brasileiro aumentaram até 5,8% em apenas uma semana. Há que se considerar, também, que restrições à agricultura brasileira podem impactar o fornecimento de alimentos produzidos no Brasil para o mundo, com destaque para a China.

Potência ascendente do agronegócio, com participações crescentes nas exportações de alguns dos principais produtos do setor comercializados no mundo, o Brasil depende cada vez mais de insumos importados para fomentar sua produção agropecuária e atender às demandas externa e doméstica por commodities, alimentos processados e biocombustíveis.

Foto: Mais Soja

O déficit na balança comercial brasileira de fertilizantes é função não apenas da demanda aquecida do setor agrícola nacional, mas também da estrutura de produção e da deficiência de insumos domésticos. O setor envolve altas economias de escala e, embora o país tenha potencialidades, não conta com o nível adequado de investimentos.

De acordo com dados do Itaú BBA, considerando as matérias-primas para os fertilizantes, do total comprado pelo Brasil, vieram da Rússia:

  • 20% dos nitrogenados;
  • 28% do potássicos;
  • 15% dos fosfatados.

Cada cultura necessita de um fertilizante diferente para se desenvolver, dependendo de quais nutrientes precisa. A soja, por exemplo, exige muito fósforo e potássio, já o milho requer os nitrogenados.

Motivos para interrupção

Entre os motivos apontados pela StoneX para a interrupção do fluxo exportador de adubos da Rússia ser apenas questão de tempo, a consultoria cita que as sanções econômicas já impostas são duras e colocam a Rússia em situação semelhante àquela em que Belarus se encontra desde o início de dezembro do ano passado, em dificuldade de negociar e realizar pagamentos com player externos.

“A exclusão da Rússia da Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais (Swift, na sigla em inglês) pode dificultar ainda mais suas exportações”, avalia a StoneX.

Outro fato relacionado às questões financeiras é o congelamento de parte das reservas do Banco Central da Rússia, que poderia auxiliar as empresas no fluxo comercial.

Outro ponto preocupante citado pela consultoria são os gargalos logísticos, decorrentes do conflito bélico.

“Os problemas de logística já estão afetando em cheio os embarques de fertilizantes de origem russa pois o Mar Negro, perto da região do conflito, já é considerado zona de guerra. Uma parte expressiva da exportação russa é escoada pelo Mar Negro”, comenta a StoneX.

Grande parte das seguradoras internacionais não está mais assegurando as cargas de navios que circulam pela região por ser considerada zona de guerra em virtude do risco de as embarcações serem atingidas por mísseis ou até mesmo sequestradas, além disso, as próprias transportadoras marítimas não querem frequentar a região por risco de segurança.

A StoneX avalia também que o aumento dos preços em todo o complexo NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) será inevitável, caso as sanções internacionais bloqueiem parte significativa das exportações russas de adubos.

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