Veto da União Europeia leva ABPA a pedir fim de antimicrobianos em aves

Entidade pressiona Ministério da Agricultura por restrições severas na avicultura para alinhar o setor às exigências europeias e reverter a suspensão das exportações.

Diante das novas e rigorosas exigências do mercado internacional, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) tomou uma medida drástica para proteger o comércio exterior do país. A entidade formalizou um pedido ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para ampliar as restrições regulatórias e proibir definitivamente o uso de antimicrobianos em aves. O movimento estratégico ocorre em um momento de forte pressão diplomática e comercial vinda do continente europeu.

O pleito foi enviado por meio de um ofício nesta quinta-feira (11), documento ao qual o portal Canal Rural teve acesso em primeira mão. Esta já é a segunda manifestação formal da ABPA ao governo federal em menos de um mês. Em maio, a associação já havia solicitado que os derivados do ácido fosfônico (fosfomicina) fossem vetados na cadeia avícola nacional.

O impacto do veto europeu e o uso de antimicrobianos em aves

A mobilização do setor privado acelera após a recente e severa decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países reconhecidos para a exportação de produtos de origem animal. Essa sanção do bloco europeu está programada para entrar em vigor a partir do dia 3 de setembro, o que gerou um senso de urgência na cadeia produtiva de proteína animal.

De acordo com o posicionamento da ABPA, assinado pelo presidente da entidade, Ricardo Santin, a exclusão brasileira pela UE não decorre de problemas sanitários ou de contaminações detectadas nos carregamentos do país. O entrave é puramente regulatório: o bloco europeu exige a comprovação imediata de mecanismos oficiais de fiscalização e controle mais rígidos, equivalentes aos praticados em seu território.

Dessa forma, a proibição de antimicrobianos em aves surge como uma resposta política e técnica robusta para destravar as negociações bilaterais.

Ampliação das restrições e novas moléculas na mira do Mapa

Mudar as regras de jogo para os medicamentos veterinários já é uma realidade em andamento no Brasil. A Portaria SDA/MAPA nº 1.626, publicada em 14 de maio de 2026, já proíbe terminantemente o registro, a importação e o uso desses mesmos antimicrobianos para outras espécies, como abelhas, bovídeos, equídeos e peixes (pescado).

Agora, a ABPA quer que a avicultura seja incluída no mesmo patamar de restrição. Além de reforçar o veto à fosfomicina, o novo documento pede que o Mapa adote medidas proibitivas para outras três moléculas amplamente utilizadas na produção animal:

  • Enramicina
  • Avilamicina
  • Flavomicina

Foco em Saúde Única e competitividade global

Para a liderança da ABPA, a aceitação da proposta pelo ministro da Agricultura, André de Paula, fortalecerá a diplomacia do agronegócio brasileiro frente aos negociadores europeus. A medida é vista como uma demonstração prática do alinhamento do Brasil aos princípios internacionais de Saúde Única (One Health), que prega o uso prudente e responsável de antibióticos para evitar a resistência microbiana.

A expectativa do setor é que, ao aproximar a legislação brasileira dos referenciais da União Europeia, o país não apenas recupere o mercado perdido, mas também blinde a credibilidade sanitária da carne de frango brasileira globalmente, preservando o volume bilionário de suas exportações.

ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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