Você sabe onde estão os maiores touros do Brasil depois da fama?

Após décadas impulsionando a genética bovina no Brasil, touros de elite deixam as centrais e passam a viver uma nova fase — cercados de cuidados, história e um legado que segue multiplicando resultados no campo

Nos últimos 30 anos, a pecuária brasileira passou por uma verdadeira revolução silenciosa — e altamente tecnológica. Se antes a reprodução bovina dependia quase exclusivamente da monta natural, hoje ela é dominada por programas estruturados de melhoramento genético, com destaque para a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e a coleta intensiva de sêmen em centrais especializadas.

Essa mudança reposicionou o Brasil no mapa global da genética bovina. Touros deixaram de ser apenas reprodutores de fazenda para se tornarem verdadeiras “máquinas genéticas”, com sêmen distribuído para milhares de propriedades, multiplicando características desejáveis como ganho de peso, fertilidade, precocidade e qualidade de carcaça. O avanço foi tão expressivo que programas como os da ANCP, PMGZ e do Geneplus passaram a guiar decisões milionárias dentro das fazendas.

Dentro desse cenário, surgiram nomes que se tornaram lendas da pecuária — touros que não apenas produziram descendentes, mas moldaram gerações inteiras de rebanhos.

Touro Nelore REM USP
REM USP / Foto: Alta Genetics

Os gigantes da genética

Entre os grandes reprodutores que marcaram época, linhagens da Genética Aditiva, de Mato Grosso do Sul, ganharam protagonismo absoluto. A empresa, com mais de três décadas de seleção, se consolidou como uma das maiores fornecedoras de genética Nelore do país. Touros como REM Torixoréu, REM DHEEF, REM Caldonegro e REM USP ajudaram a impulsionar o melhoramento genético nacional, com milhares de filhos avaliados e presença constante nos principais sumários.

10 anos da morte do touro reprodutor nelore Backup
Foto: Divulgação

Outro touro que é impossível não citar é Backup, o reprodutor se consolidou como um dos grandes nomes da genética Nelore nas últimas décadas, sendo amplamente utilizado em programas de inseminação artificial em todo o país. Reconhecido pela consistência na transmissão de características produtivas, Backup ganhou espaço por imprimir em sua progênie atributos como ganho de peso, musculatura e eficiência alimentar. Seus filhos se espalharam por diferentes sistemas de produção, reforçando sua reputação como um reprodutor confiável e de impacto direto nos resultados econômicos das fazendas.

Mas poucos atingiram um patamar tão simbólico quanto um nome específico: REM Armador.

REM Armador: um fenômeno da pecuária moderna

O REM Armador, da Genética Aditiva, não é apenas mais um touro de destaque — é um divisor de águas na genética Nelore contemporânea. Com origem em Mato Grosso do Sul, filho de REM Torixoréu, ele reúne números que impressionam até os mais experientes selecionadores:

  • Mais de 70 mil filhos nascidos
  • Presença em mais de 1.700 rebanhos
  • 82 filhos em centrais de inseminação
  • 225 netos também em centrais

Além disso, já figurava entre os principais touros avaliados do país, com milhares de descendentes analisados em programas genéticos e índices de elite como IQG TOP 1% e classificação DECA 1.

Na prática, isso significa que o REM Armador não apenas produziu animais de qualidade — ele produziu outros touros melhoradores, algo raro e extremamente valioso dentro da pecuária.

Seu impacto é tão grande que filhos e netos seguem sendo protagonistas em leilões milionários e baterias de centrais, perpetuando um legado genético que ainda está longe de terminar.

REM Armador
Foto: Alta Genetics

E depois da aposentadoria?

Mas existe uma pergunta que intriga muitos fora do setor: o que acontece com esses “astros” da genética depois que deixam as centrais?

Ao contrário do que muitos imaginam, esses touros não desaparecem. Pelo contrário — eles entram em uma fase quase “nobre” dentro das fazendas.

No caso do REM Armador, já aposentado das atividades de coleta, ele hoje reside na Fazenda Canaã, em Mato Grosso do Sul, onde segue sendo tratado como um verdadeiro patrimônio genético.

A rotina de um touro aposentado costuma envolver:

Alimentação de alta qualidade

Mesmo fora da reprodução intensiva, esses animais recebem dieta balanceada, com volumoso de qualidade (silagem, capim selecionado) e suplementação nutricional, garantindo longevidade e bem-estar.

Ambiente controlado e confortável

Eles permanecem em piquetes especiais ou áreas de manejo diferenciado, com sombra, água abundante e baixa pressão de manejo.

Função estratégica, não produtiva

Embora não estejam mais em coleta, muitos ainda podem ser utilizados de forma pontual ou simplesmente mantidos como “reserva genética viva”, além de servirem como vitrine para visitantes e investidores.

Status de patrimônio

Alguns desses touros, especialmente os que marcaram época, passam a ter valor simbólico e histórico dentro da fazenda — quase como um “reprodutor monumento”.

O legado que não para

Se a aposentadoria marca o fim da coleta, ela está longe de representar o fim da influência genética. No caso de gigantes como REM Armador, o verdadeiro impacto acontece justamente depois — nas gerações seguintes.

Filhos, netos e bisnetos continuam sendo utilizados em larga escala, mantendo viva uma genética que ajudou a transformar a pecuária brasileira em referência mundial.

No fim das contas, esses touros não saem de cena — eles apenas mudam de papel. De protagonistas diretos, passam a ser os arquitetos invisíveis de uma pecuária cada vez mais eficiente, produtiva e tecnológica.

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