Volumoso vs. Alto Grão: qual a melhor estratégia na pecuária para finalizar o lote?

Do desempenho metabólico ao custo da arroba produzida, entenda como a escolha da dieta define a rentabilidade, a saúde ruminal e o acabamento de carcaça na pecuária intensiva

A terminação é o estágio da pecuária de corte de maior pressão econômica no ciclo produtivo da carne. Com a volatilidade dos preços das commodities e a exigência crescente por padronização de carcaça, a definição da estratégia para finalizar o lote deixou de ser uma questão de preferência para se tornar uma ciência de margens apertadas.

Entre o uso intensivo de volumosos e a agressividade das dietas de alto grão, o pecuarista brasileiro enfrenta um tabuleiro onde o tempo e a eficiência metabólica são as peças principais.

A ciência por trás da estratégia para finalizar o lote

No modelo convencional brasileiro, a dieta à base de volumosos (silagem de milho, sorgo ou cana) ainda é a espinha dorsal de muitos confinamentos. Contudo, pesquisas da Embrapa Gado de Corte indicam que, embora o custo do “trato” seja nominalmente menor, a densidade energética limitada pode estender o ciclo. Quando o ajuste de Fibra em Detergente Neutro (FDN) não é preciso, o animal atinge a saciedade física antes de atingir a meta calórica, reduzindo o Ganho Médio Diário (GMD).

Em contrapartida, a estratégia para finalizar o lote através do alto grão — que elimina ou reduz drasticamente o volumoso (dietas com 85% a 100% de concentrado) — aposta na fermentação ruminal rápida. Segundo dados do Benchmark de Confinamento da ESALQ-LOG, animais submetidos a dietas de alta energia podem apresentar um incremento de até 20% na eficiência alimentar. Isso ocorre porque o amido dos grãos proporciona uma propulsão de ácidos graxos voláteis que acelera a deposição de gordura intramuscular e subcutânea, o desejado acabamento de carcaça.

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Foto: Albino Oliveira

Conversão alimentar: o fiel da balança no lucro operacional

A eficiência alimentar é o indicador que define a sobrevivência do negócio. Em sistemas de alto grão, o animal consome menos matéria seca por quilo de carcaça produzida. Enquanto em uma dieta volumosa a conversão pode girar em torno de 7:1 ou 8:1 (7kg de alimento para 1kg de ganho), em sistemas de grão inteiro ou milho processado, esse número pode cair para 5:1.

“A decisão por uma dieta energética não visa apenas o ganho de peso isolado, mas a diluição dos custos fixos pelo giro rápido do estoque”, afirmam analistas do setor.

Ao reduzir a permanência no cocho em 15 ou 20 dias, o produtor minimiza despesas com mão de obra, manutenção de maquinário e juros sobre o capital investido. Contudo, essa estratégia para finalizar o lote exige um protocolo de adaptação rigoroso. A transição abrupta para o alto grão é o caminho mais curto para a acidose ruminal, que causa lesões nas papilas do rúmen e pode levar à morte súbita ou ao descarte do animal.

Riscos Metabólicos e a Segurança Nutricional

Não existe “almoço grátis” na intensificação. O uso de volumosos atua como um regulador natural: a fibra estimula a ruminação e a produção de saliva, que funciona como um tampão para o pH do rúmen. Ao optar por uma estratégia para finalizar o lote sem volumoso, o pecuarista assume o risco de distúrbios como:

  • Timpanismo: acúmulo de gases que impede a respiração.
  • Abscessos hepáticos: causados pela migração de bactérias do rúmen lesionado.
  • Laminite: inflamação nos cascos que compromete a mobilidade.

Para mitigar esses riscos, o uso de aditivos ionóforos e virginiamicina tornou-se obrigatório em dietas energéticas, garantindo que a flora intestinal suporte a carga de amido sem comprometer a saúde animal.

Quando o mercado dita a dieta ideal na pecuária?

A escolha final é sazonal e regional. Em anos de milho barato e arroba em alta, a estratégia para finalizar o lote com alto grão é imbatível. Já em cenários de quebra de safra de grãos, o aproveitamento de subprodutos (como polpa cítrica, farelo de algodão ou DDG) e volumosos de qualidade produzidos na fazenda salvaguarda a margem de lucro.

O pecuarista moderno deve, portanto, dominar o conceito de custo da arroba produzida em vez de focar apenas no custo da diária. Afinal, uma diária barata em um sistema que não entrega acabamento resulta em penalizações no frigorífico, enquanto uma dieta cara que entrega rendimento de carcaça superior gera bonificação e liquidez imediata.

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