EUA fica “coberto por neve”: Tempestade de inverno – Winter Storm Fern – se espalha por dezenas de estados, derruba energia e freia logística; frigoríficos, leite, grãos e varejo sentem o impacto da combinação entre neve, gelo e frio intenso
Neve atinge os EUA e, na manhã de domingo (25), mais de 200 milhões de pessoas estavam sob algum tipo de alerta meteorológico com a – os cortes de energia afetaram principalmente residências no Sul, incluindo Tennessee, Texas, Mississippi e Kentucky, onde grandes nevascas são raras. As nevascas e tempestades de gelo que atingem o país neste mês de janeiro ganharam status de evento atípico pela abrangência e pela mistura de neve, sleet (graupel) e chuva congelante em áreas onde o inverno costuma ser menos rigoroso — especialmente em trechos do Sul e do Centro-Sul do país.
Nos últimos dias, o sistema que meteorologistas e parte da mídia norte-americana vêm chamando de Winter Storm Fern avançou do interior em direção ao Leste, com alertas meteorológicos em uma faixa extensa e impactos diretos sobre energia, transportes e cadeias de suprimento.
O resultado prático tem sido uma combinação crítica para o agro e para o abastecimento: rodovias com gelo e interdições, cancelamentos de voos, quedas de energia e restrições operacionais em hubs logísticos. Em um balanço divulgado pela imprensa neste fim de semana, o país registrou centenas de milhares de clientes sem eletricidade e milhares de voos cancelados, além de estados decretando emergência e governos orientando a população a evitar deslocamentos.
O que está acontecendo: neve atinge os EUA com gelo e frio em larga escala
A NOAA (agência federal que abriga o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA) informou que a tempestade de inverno deve levar neve forte, acúmulo de gelo, queda brusca de temperatura e condições perigosas de deslocamento para uma grande porção do país.
Na prática, o episódio tem reunido características que pesam mais do que a “neve em si”:
- Chuva congelante e gelo sobre estradas e fiação, elevando o risco de apagões e acidentes
- Neve pesada em corredores que conectam áreas produtoras a centros consumidores
- Frio extremo na sequência, dificultando recuperação e elevando o consumo de energia
Em estados como o Texas, por exemplo, serviços meteorológicos e autoridades locais relataram precipitação invernal em múltiplas regiões e reforçaram alertas de deslocamento, com registros de acidentes em rodovias.
Como isso mexe com o abastecimento de alimentos
Neve atinge os EUA e o impacto no abastecimento acontece menos por “falta de produção” imediata e mais por bloqueio temporário da logística e pela pressão sobre a cadeia do frio (refrigeração e congelamento).

Dois pontos têm sido centrais:
1) Transporte rodoviário sob estresse
A tempestade funciona como um “teste de estresse” para a logística: quando gelo e neve se espalham por corredores longos, caminhões atrasam, rotas são desviadas, entregas perdem janela e centros de distribuição operam no limite. Uma análise recente sobre o evento destacou justamente o risco operacional para a cadeia de transporte e a necessidade de salvaguardas para manter fluxos essenciais.
2) Quedas de energia e risco na conservação
Com apagões, cresce o risco de perda de alimentos perecíveis em casas, pequenos comércios e pontos de venda. O USDA (Departamento de Agricultura) publicou orientações de segurança alimentar durante a tempestade, reforçando que geladeiras e freezers têm “tempo de segurança” limitado sem energia e que a abertura frequente de portas acelera a elevação de temperatura.
Na ponta do consumidor, redes varejistas costumam observar corrida por itens básicos antes da chegada do pico da tempestade — o que pode gerar prateleiras vazias pontuais, sobretudo de pão, leite, ovos, água e alimentos prontos.
O agro no centro do problema: pecuária é a mais exposta no curto prazo
No campo, o efeito mais imediato recai sobre a pecuária — especialmente bovinos de corte e leite — porque o evento combina frio, vento, umidade, lama e dificuldade de manejo.
Um alerta do setor pecuário norte-americano destacou que produtores precisam se antecipar garantindo água disponível, alimentação adequada e abrigo contra vento para reduzir estresse térmico e perdas.
Os principais pontos de atenção no agro, neste tipo de evento, são:
- Estresse por frio e hipotermia, sobretudo em bezerros e animais debilitados
- Água congelada e falhas em bebedouros
- Acesso comprometido para trato, remoção de dejetos e deslocamento de equipes
- Atraso em coleta de leite e rotas de caminhões-tanque, quando estradas ficam intransitáveis
- Aumento de custo operacional (mais ração/energia para manter instalações, geradores e aquecimento em granjas/galpões)
O USDA também vem tratando publicamente de impactos potenciais do sistema de inverno sobre atividades agropecuárias, incluindo efeitos que variam por região conforme a mistura de neve e gelo e a persistência do frio.
Por que o fenômeno chama atenção em 2026
O que torna o episódio “fora do padrão”, na percepção pública e setorial, é a escala geográfica do impacto e o fato de atingir com força áreas do Sul e do Centro-Sul em diferentes momentos, ao mesmo tempo em que avança para o Leste com neve significativa. Reportagens recentes descrevem dezenas de estados sob emergência, com paralisações e cancelamentos em massa — um padrão típico de tempestades de grande porte.
Neve atinge os EUA: O que observar nos próximos dias
Para o agro e o mercado de alimentos, os efeitos costumam se dividir em duas ondas:
Efeito imediato (0–3 dias)
- Atrasos logísticos, faltas pontuais no varejo, interrupções de coleta e entrega
- Maior risco de perdas por falha de refrigeração em locais com apagão prolongado
Efeito pós-evento (3–10 dias)
- Recuperação depende de liberação de rodovias, restabelecimento de energia e retorno de equipes
- Se o frio intenso persiste, aumentam custos e riscos sanitários/operacionais em rebanhos e granjas
No curto prazo, a leitura predominante nos EUA é que o sistema pode gerar disrupções relevantes, porém concentradas no tempo, com normalização gradual conforme as rotas reabrem e a energia retorna — mas o agro segue em alerta porque qualquer dia perdido em logística e manejo vira custo (e, em casos extremos, perda).
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