Corredor de umidade, baixa pressão e calor intensificam instabilidades e elevam risco de alagamentos, ventos fortes e danos no campo; veja previsão do tempo para essa terça-feira (3)
A atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) deve provocar uma terça-feira marcada por tempo severo em diversas áreas do país, com previsão de temporais, rajadas de vento e acumulados expressivos de chuva. A combinação entre sistema de baixa pressão, calor e alta umidade cria um ambiente propício para pancadas intensas, mantendo autoridades e meteorologistas em alerta para possíveis transtornos.
O cenário se insere em um padrão climático típico do verão brasileiro, quando temperaturas elevadas favorecem a formação de nuvens carregadas e eventos de chuva forte em grande parte do território nacional.
O que está por trás do avanço das chuvas
A instabilidade desta semana é resultado da interação de diferentes sistemas atmosféricos. Entre os principais fatores estão:
- Atuação da ZCAS, responsável por corredores de umidade persistentes;
- Formação de áreas de baixa pressão, que reforçam as instabilidades;
- Presença de calor e umidade, combustível para tempestades;
- Enfraquecimento do La Niña, que reduz sua influência direta, mas permite a atuação de outros sistemas que ampliam as áreas de chuva.
Meteorologistas destacam que esses corredores transportam ar úmido da Amazônia para o Centro-Oeste e Sudeste, aumentando o potencial para episódios prolongados de precipitação.
Região Sul: chuva persistente e risco elevado no litoral
No Sul, a chuva mais intensa ocorre desde cedo no Paraná, com destaque também para o litoral norte de Santa Catarina, onde os volumes podem ser elevados e a situação é classificada como perigosa.
O desenvolvimento de uma baixa pressão próximo à costa de São Paulo e do Paraná tende a manter o tempo carregado, elevando o risco de alagamentos, enxurradas, elevação de rios e deslizamentos, especialmente em áreas urbanas e encostas.
Rajadas de vento entre 40 e 50 km/h também são esperadas, enquanto o extremo norte do Rio Grande do Sul e regiões serranas podem registrar chuva mais intensa.
Apesar disso, parte do território gaúcho deve ter tempo mais firme devido à influência de uma massa de ar seco.
Sudeste: instabilidades generalizadas e temporais isolados
A presença de cavados meteorológicos associada ao transporte de calor e umidade favorece chuva moderada a forte no oeste, litoral e sul de São Paulo, além de manter instabilidades em Minas Gerais, Espírito Santo e áreas do Rio de Janeiro.
As áreas consideradas de maior risco incluem:
- Norte, interior e extremo sul paulista;
- Triângulo Mineiro e Zona da Mata;
- Serra e noroeste do Rio de Janeiro.
Na capital paulista, há previsão de chuva moderada a forte ao longo do dia, com máxima em torno de 26 °C, enquanto o Rio de Janeiro pode alcançar 35 °C, mesmo com risco de temporais.
Centro-Oeste: temporais e ventos que podem chegar a 70 km/h
Grande parte do Mato Grosso do Sul já começa o dia com pancadas fortes e possibilidade de tempestades. As instabilidades também avançam sobre Mato Grosso e Goiás, onde há risco de temporais e volumes elevados, principalmente no sul e oeste mato-grossense.
As rajadas de vento variam entre 40 e 50 km/h, podendo atingir até 70 km/h em algumas áreas — condição que exige atenção para danos estruturais e impactos no campo.
Alerta oficial: perigo de granizo, quedas de árvores e danos em plantações
O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu aviso de grau de severidade “Perigo”, válido até 4 de fevereiro, com previsão de:
- Chuva entre 30 e 60 mm por hora ou até 100 mm por dia;
- Ventos intensos de 60 a 100 km/h;
- Possibilidade de queda de granizo;
- Risco de cortes de energia, alagamentos e estragos em lavouras.
As áreas afetadas incluem partes de Goiás, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e diversas regiões do interior paulista, entre outras.
A recomendação é evitar abrigo sob árvores durante rajadas de vento, desligar aparelhos elétricos quando possível e buscar informações junto à Defesa Civil e ao Corpo de Bombeiros.
Nordeste e Norte: chuva irregular e calor persistente
No interior da Bahia, Maranhão e Piauí, as pancadas variam de moderadas a fortes, com possibilidade de temporais no extremo oeste baiano. Já no litoral norte, a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) tende a provocar chuvas mais fracas.
Enquanto isso, temperaturas elevadas continuam predominando e a umidade pode cair abaixo dos 20% em áreas da Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.
Na Região Norte, a nebulosidade aumenta ao longo do dia, com risco de temporais no oeste do Acre, sul do Pará e grande parte do Tocantins.
Fevereiro começa com padrão típico de verão — e atenção redobrada no agro
Historicamente, fevereiro já é um dos meses mais quentes e abafados do ano no Brasil, e o predomínio de ar quente e úmido deve manter as pancadas frequentes, ainda que irregulares.
O mês começa com um forte corredor de umidade sobre o Centro-Oeste e o Sudeste, o que tende a intensificar a chuva na primeira semana.
Para o agronegócio, o cenário exige monitoramento constante: chuvas volumosas podem beneficiar lavouras em fase crítica, mas também elevam o risco de perdas por encharcamento, erosão e dificuldades logísticas — especialmente em regiões com solo já saturado.
A terça-feira deve consolidar um quadro de instabilidade ampla no Brasil, impulsionado pela ZCAS e por sistemas de baixa pressão. Com alertas oficiais de perigo e previsão de acumulados expressivos, especialistas reforçam a necessidade de acompanhar as atualizações meteorológicas — uma medida essencial para reduzir riscos à população, à infraestrutura e à produção agropecuária.
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