A voz eterna das arenas de rodeio: quem foi Paulinho Pena Branca

Da Auriflama para os maiores rodeios do país, Paulinho Pena Branca marcou gerações com emoção, fé e poesia, tornou-se referência nacional na locução e deixou um legado que ultrapassa as arenas e a música sertaneja.

O rodeio brasileiro viveu, entre as décadas de 1980, 1990 e o início dos anos 2000, um de seus períodos mais marcantes e transformadores. Foi nesse intervalo que as festas de peão deixaram de ser apenas eventos regionais para se consolidarem como grandes espetáculos populares, capazes de reunir multidões, atrair patrocínios, movimentar a economia local e ganhar espaço na televisão e no imaginário coletivo do país.

As arenas cresceram, a estrutura se profissionalizou, os competidores passaram a ser reconhecidos como atletas e, sobretudo, as vozes que narravam cada montaria tornaram-se parte essencial da emoção vivida pelo público.

O locutor de rodeio assumiu o papel de maestro do espetáculo, responsável por traduzir em palavras a adrenalina, a coragem e a tradição que definem o esporte. Foi nesse cenário que surgiram nomes que marcaram época e ajudaram a construir a identidade do rodeio nacional — entre eles, Paulinho Pena Branca.

Nascido em Auriflama, no interior de São Paulo, Paulo de Souza, que ficaria conhecido nacionalmente como Paulinho Pena Branca, construiu uma trajetória que se confunde com a própria história do rodeio brasileiro. Dono de uma voz inconfundível, de frases marcantes e de uma capacidade rara de envolver o público, ele se destacou como um dos maiores locutores do país nas décadas de 1980 e 1990.

Sua narração não se limitava a anunciar competidores ou descrever montarias; Paulinho transformava cada entrada na arena em um momento solene, carregado de emoção, religiosidade e respeito à tradição sertaneja.

Paulinho Pena Branca
Foto: Arquivo

Ao longo da carreira, Pena Branca levou o nome de Auriflama para os quatro cantos do Brasil. Em festas de peão consagradas e em eventos menores do interior, sua presença era sinônimo de credibilidade e espetáculo. Ele ajudou a moldar o estilo de locução que se tornaria referência para gerações seguintes, combinando poesia, fé, patriotismo e uma profunda conexão com o homem do campo. Não por acaso, passou a ser citado com frequência entre os maiores locutores de rodeio de todos os tempos, ao lado de outros nomes históricos das arenas.

Mas Paulinho Pena Branca não se destacou apenas atrás do microfone. Paralelamente à carreira nas arenas, ele também construiu um caminho relevante como compositor. Inspirado pela vida no campo, pela fé, pelas tradições sertanejas e pelas histórias de peões e famílias do interior, escreveu canções que ultrapassaram o universo do rodeio e ganharam espaço na música sertaneja. Seu talento como letrista chamou a atenção de grandes artistas, que gravaram suas composições e ajudaram a eternizar seu trabalho no cenário musical brasileiro.

Entre as canções de maior sucesso criadas por Paulinho Pena Branca estão músicas que exaltam o sertão, a figura do peão, a devoção religiosa e o orgulho das raízes rurais. Suas letras, geralmente carregadas de emoção e simplicidade, dialogavam diretamente com o público que lotava as arenas e ouvia rádio nas estradas de terra do interior. Esse reconhecimento artístico foi coroado quando a dupla Chitãozinho e Xororó, um dos maiores nomes da música sertaneja do país, prestou homenagem ao locutor e compositor, reconhecendo sua importância cultural e sua contribuição para o fortalecimento da identidade sertaneja no Brasil.

Além da música e da locução, Pena Branca também ficou marcado pelo respeito que cultivava dentro do meio do rodeio. Era reconhecido por colegas, peões, tropeiros e organizadores como um profissional ético, apaixonado pelo que fazia e profundamente ligado aos valores tradicionais do esporte. Sua voz, para muitos, representava não apenas o anúncio de uma montaria, mas um chamado à fé, à coragem e à valorização da cultura do campo.

A dimensão desse legado aparece de forma clara nos depoimentos de fãs que acompanharam sua trajetória e guardam viva a memória de suas narrações. “Pra mim foi um dos melhores locutores do país, eu falo dos primeiros, viu, aí narrava com emoção”, relembra um admirador, destacando o pioneirismo e a intensidade de sua locução. Outro fã é categórico ao afirmar: “Sem dúvidas nenhuma o melhor locutor de rodeios que eu já vi, faz muita falta nas arenas do Brasil.” Já um terceiro depoimento resume o sentimento de saudade que permanece entre aqueles que viveram a era de ouro do rodeio: “Eterna saudade desse grande locutor de rodeios Paulinho Pena Branca, hoje está narrando rodeio no céu ao lado do Zé do Prato, Alan Coelho e o Capitão Asa Branca.”

Paulinho Pena Branca morreu em 18 de março de 2018. Ele estava internado no Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP), onde passava por procedimentos clínicos, quando sofreu uma hemorragia cerebral e não resistiu. O corpo foi enterrado em sua cidade natal no interior paulista.

Sua partida encerrou um capítulo importante da história do rodeio brasileiro, mas sua voz, suas palavras e suas canções seguem ecoando nas arenas, nas músicas e na memória de quem viveu — e ainda vive — a paixão pelo rodeio.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias

Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM