Abate de vacas atinge o menor volume, cria está valorizada

Segundo a consultoria Agrifatto, valores acima de R$ 2 mil pagos por bezerros devem reduzir em 3% a disponibilidade de fêmeas para o abate em 2020.

O movimento de frigoríficos em busca de animais mais jovens para o abate em meio à queda na oferta tem incentivado pecuaristas a aumentar a produção de bezerros. O criador é estimulado a reter as vacas para a reprodução pelos altos preços pagos por animais jovens, com valores acima de R$ 2.050 por cabeça, avalia a consultoria Agrifatto.

Esse cenário também resulta em redução de 3% na quantidade de fêmeas disponíveis para o abate em 2020, de 38% ante 41% no ano passado, um dos menores níveis da história.

De acordo com a consultoria, a mudança no ciclo pecuário, com a maior retenção de fêmeas em comparação aos anos anteriores, deve reduzir o volume de animais abatidos em pouco mais de 3 milhões de cabeças neste ano, de 39,9 milhões para 36,7 milhões.

Junto a isso, o ajuste produtivo ocasionado pela pandemia do coronavírus no primeiro semestre resultou em um dos mais baixos números de fêmeas abatidas, com 17,46 milhões entre janeiro e junho, o menor número desde 2009.

“O impacto da pandemia sobre a indústria frigorífica brasileira se concentrou principalmente no primeiro semestre. Esse fator fica particularmente visível sobre os dados de abril”, diz a Agrifatto.

Além disso, há em curso uma mudança no padrão de abate dessas fêmeas, já que as vacas com mais de 24 meses devem ter a menor participação no abate total desde 2002, com uma representatividade de 27%, de acordo com monitoramento da consultoria.

Insumos mais caros

Com a demanda externa crescente e a redução da oferta, os animais de reposição (bezerro e boi magro) têm sido negociados em patamares recordes reais. No entanto, os custos com a alimentação continuam elevados, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A desvalorização do real frente ao dólar também tem encarecido insumos importantes, que são importados.

Nesse contexto, o Ipea entende que muitos pecuaristas têm diminuído o volume de novos lotes de animais a serem enviados ao confinamento, o que pode “reforçar a restrição de oferta de boi gordo para o abate no próximo trimestre”. “A valorização da arroba continuaria, portanto, atrelada basicamente ao volume exportado, tendo em vista a possibilidade de que o consumo doméstico siga retraído em função da diminuição da renda”, completa.

Segundo a institução, também se confirmaram as expectativas de que, no segundo trimestre de 2020, a junção entre finalização da safra, entressafra e manutenção da demanda internacional sustentasse os preços da arroba bovina.

“Ainda que a demanda interna estivesse arrefecida, o indicador Esalq/B3 do preço do boi gordo teve alta de 3,4% entre o primeiro e o segundo trimestre de 2020. Quando comparado em relação ao mesmo período de 2019, a alta é ainda mais expressiva, de 31,2%”, observa o Ipea.

Efeito China

Em termos de demanda, as compras de carne bovina brasileira em volumes expressivos por parte da China têm resultado em montantes recordes das exportações totais do produto. De acordo com a instituição econômica, nem mesmo as restrições ou casos da Covid-19 nos frigoríficos brasileiros foram suficientes para reduzir os embarques.

“O real desvalorizado frente ao dólar também favoreceu as exportações brasileiras, elevando a competitividade da carne nacional em um cenário de poucos ofertantes no mercado internacional. Soma-se a esse contexto tanto os casos de Covid-19 em alguns países, com problemas sanitários em rebanhos animais, como a Peste Suína Africana (na China), a influenza e a febre aftosa”Análise do Ipea

Esse cenário amenizou os impactos da crise do coronavírus sobre o mercado pecuário nacional. Entretanto, existem indicações de que, em decorrência da redução do poder de compra, parte da população brasileira esteja migrando para proteínas mais baratas, como frango, suínos e ovos.

Com informações do Globo Rural

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