Arroba vai a mínima de R$ 264; Até onde vai a queda?

PARTILHAR
Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

O mercado sentiu novamente a retração nos preços do boi gordo, afinal de contas, o mercado segue travado internamente e apreensivos com exportação!

O mercado físico de boi gordo voltou a se deparar com queda nos preços da arroba nesta terça-feira, 19, nas principais praças de produção e comercialização do país. Conforme anunciado pelo Portal, a perspectiva de queda no decorrer da semana segue sendo confirmada, o ambiente de negócios ainda sugere por novas tentativas de compra abaixo da referência média por parte dos frigoríficos.

Situação complica ainda mais após o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento determinar nesta terça-feira, por meio de um ofício-circular, que frigoríficos habilitados a exportar carne bovina para a China suspendam quaisquer novas produções para aquele país. Medida vêm como reposta a uma onda de cobranças e justificativas realizadas em parceria com entidades, produtores e o Compre Rural – notícia essa que foi muito “criticada” no primeiro momento, mas que visa o direito de conhecimento do assunto por parte dos interessados – VEJA!

O ritmo lento no mercado interno mantém os preços da arroba pressionados na praça paulista. No comparativo diário o boi e vaca gordos recuaram R$1,00/@. Já para a novilha gorda, a queda foi de R$3,00/@. Com isso a referência do boi, vaca e novilha gordos são negociados, respectivamente, por R$269,00/@, R$260,00/@ e R$277,00/@, preços brutos e a prazo, segundo a Scot Consultoria em seu relatório diário.

Já o Indicador do Cepea para o Boi Gordo, a média teve como fechamento o valor de R$ 272,55/@, representando uma leve valorização diária de 1,77%, porém, ainda acumula uma variação negativa de -6,53% no comparativo mensal. Já o preço em dólar segue nas mínimas do ano, fechando cotado a U$ 48,78/@, deixando o boi brasileiro como o mais barato do mundo.

Ao que tudo indica, o mercado físico do boi gordo em São Paulo continua cauteloso. Empresas frigoríficas aproveitam a calmaria para avaliar o escoamento da proteína no mercado interno e assim traçar estratégias de aquisição da matéria prima. Após comunicado do MAPA, mercado deve ver novamente uma pressão negativa por parte da indústria, que ainda não repassa de forma mais nítida os recuos para o atacado.

Em São Paulo, a referência para negócios circula os R$ 270,00/@. Na B3, o contrato futuro de boi gordo com vencimento para out/21 fechou a terça-feira em queda e cotado em R$ 268,95/@, desvalorizando -0,66% no comparativo diário. 

Já em Redenção, no Pará, a Scot Consultoria apontou que o menor ímpeto por fêmeas na região resultou na queda de R$2,00/@ para a vaca e novilha gordas na comparação feia dia a dia. A cotação do boi permaneceu estável em R$265,00/@, considerando o preço bruto e a prazo, R$264,50/@, com desconto do Senar, e R$261,00/@ com desconto do Funrural e Senar.

Embargos

Há quase 50 dias o embargo se arrasta e os preços despencaram mais de R$ 40 a @ – e pelo Cepea -, mesmo que não reste dúvida técnica alguma sobre o diagnóstico de atípicos (sem risco de contágio) para os casos da vaca louca detectados no início do mês anterior. E sem dar um mínimo de explicações.

Imaginar que a China volte às importações – e certamente voltará – aceitando valores muito acima pela carne, descolados dos preços praticados na originação pelos frigoríficos, é fora de propósito pelos padrões comerciais do país.

Lembram esses interlocutores, que pedem anonimatos por estarem próximos ao governo e ligados ao mercado, que a China em várias ocasiões pressionou os frigoríficos a cederem em preços, nos últimos anos.

Além da carne, ausência chinesa afeta preço do boi

Além das exportações, a ausência da China no mercado brasileiro de carne bovina provocou significativa queda nos preços do boi gordo. Segundo o analista, atualmente, o valor da arroba busca um valor de referência.

“A China é responsável até 60% das nossas exportações, ou 15 a 20% da nossa produção em 2021. Com isso, quando ela sai do mercado é normal que a gente sinta essa ausência.  Observamos agora que os preços voltaram para uma referência do mercado interno. Se antes tínhamos R$ 310 ou R$ 305 a arroba, era porque o mercado exportador estava forte e pagava mais. No entanto, hoje o balizador de preços é o mercado interno. Os valores da carne de R$ 17,50 a R$ 18 sustentam os preços em R$ 265 a R$ 270.

Segundo informações da Safras, um lote de carne bovina brasileira teria sido rejeitado na alfândega chinesa, e os frigoríficos estariam tentando realocar a carga para o porto de Hong Kong ou para o Vietnã.

“O cenário se mostra muito desafiador tanto para a indústria, quanto para os pecuaristas. A cada dia sem a China do lado comprador, mais difícil se torna o quadro para a pecuária de corte brasileira”, salienta Iglesias.

Giro do Boi Gordo pelo Brasil

  • Com isso, em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 267 na modalidade à prazo.
  • Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 250.
  • Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 267.
  • Em Cuiabá, a arroba foi negociada por R$ 257.
  • Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 257.

Atacado

Já os preços da carne bovina ficaram estáveis no atacado. O ambiente de negócios permanece complicado, ainda em viés de baixa. “O cenário permanece muito complicado, com a demora da China em retomar as importações de carne bovina brasileira se torna cada vez maior a possibilidade de os frigoríficos disponibilizarem a carne bovina armazenada nas câmaras frias no mercado doméstico, uma vez que não há mercados com o potencial de consumo da China. Esse movimento tende a contaminar as demais proteínas animais, como a carne de frango e a carne suína”, disse o analista.

O quarto dianteiro seguiu precificado a R$ 20,70 por quilo. Quarto dianteiro ainda é cotado a R$ 14 por quilo. Ponta de agulha segue precificada a R$ 13,80, por quilo.

Todo o conteúdo áudio visual do CompreRural está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral, sua reprodução é permitida desde que citado a fonte e com aviso prévio através do e-mail jornalismo@comprerural.com