Brasil cria força-tarefa para responder à China sobre carne bovina

O documento, que precisa ser elaborado em até 20 dias, a partir de segunda-feira (30), busca demonstrar que as exportações brasileiras de carne bovina não causaram prejuízo à indústria chinesa.

O governo brasileiro formou uma força-tarefa para apresentar uma manifestação formal ao Ministério do Comércio da China, de acordo com informações do colunista Caio Junqueira, da CNN, após o país asiático anunciar a abertura de investigações sobre a carne bovina importada. A medida foi divulgada na última sexta-feira (27) e gerou imediata mobilização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Itamaraty e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

O documento, que precisa ser elaborado em até 20 dias, a partir de segunda-feira (30), busca demonstrar que as exportações brasileiras de carne bovina não causaram prejuízo à indústria chinesa no período de 2019 ao primeiro semestre de 2024, alvo da investigação. Esse prazo é crítico, considerando o impacto econômico do setor e a necessidade de manter relações comerciais sólidas com a China, maior compradora da carne brasileira.

Até o momento, não há sinais de aplicação de medidas restritivas preliminares, como tarifas adicionais ou suspensão de compras. Permanece vigente a tarifa de 12% ad valorem aplicada pela China às importações do produto.

A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), em nota oficial, assegurou estar acompanhando de perto o caso e se colocou à disposição para colaborar com as autoridades brasileiras e chinesas. Representantes do setor privado têm participado ativamente das discussões, reforçando a importância de uma resposta bem estruturada.

Impacto econômico no mercado da carne bovina

A China é o principal destino da carne bovina brasileira. Em 2024, foram exportadas mais de 1 milhão de toneladas, um aumento de 12,7% em relação ao mesmo período de 2023. Esse volume consolida o Brasil como um dos maiores fornecedores de carne para o país asiático.

A investigação chinesa foi iniciada após associações pecuaristas locais alegarem que o aumento das importações nos últimos anos impactou negativamente a produção doméstica. A análise poderá durar até oito meses e, caso medidas restritivas sejam impostas, as exportações brasileiras podem ser significativamente afetadas.

Posição oficial do governo sobre declaração da China

Em nota, o Ministério da Agricultura e Pecuária destacou o compromisso do Brasil em defender os interesses do agronegócio nacional, reforçando o respeito às decisões soberanas da China. O governo assegura que buscará um diálogo construtivo para alcançar soluções benéficas para ambas as partes.

Entenda o cenário

A abertura da investigação foi oficializada pelo Anúncio 60 do Ministério do Comércio da China, em resposta a pedidos de associações pecuaristas chinesas que consideram o volume de carne importada excessivo. Essa situação coloca em evidência a dependência do Brasil desse mercado, ao mesmo tempo que reforça a necessidade de diversificar destinos para seus produtos.

Com o prazo de apresentação da manifestação oficial em contagem regressiva, o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar uma postura defensiva com a manutenção de laços diplomáticos estratégicos com a China.

A manutenção desse mercado é essencial para o agronegócio brasileiro, um dos pilares da economia nacional.

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