Brasil se consolida como potência global da carne bovina em meio à escassez mundial, aponta Friboi

Com menor oferta global de gado e aumento no consumo de proteína, Friboi afirma que o Brasil está preparado para liderar o abastecimento mundial de carne bovina nos próximos anos

A pecuária mundial atravessa um dos momentos mais estratégicos das últimas décadas. Enquanto grandes produtores globais enfrentam queda histórica nos estoques de gado, o Brasil desponta como o principal candidato para atender à crescente demanda internacional por carne bovina. A avaliação foi apresentada pela Friboi, marca da JBS, durante a Apas Show 2026, realizada em São Paulo.

Segundo os dados divulgados pela companhia, o rebanho bovino comercial global está atualmente em um patamar semelhante ao registrado em 1965, cenário que evidencia uma redução da oferta mundial de animais prontos para abate. Ao mesmo tempo, o consumo de proteína bovina continua crescendo em diferentes mercados internacionais, especialmente na Ásia.

Nesse contexto, o Brasil aparece como protagonista absoluto da pecuária global. O país possui atualmente o maior rebanho bovino comercial do planeta, com cerca de 192 milhões de cabeças, muito à frente dos Estados Unidos, que possuem aproximadamente 87 milhões, e da Argentina, com 52 milhões de cabeças.

Durante o evento, o diretor-executivo de Originação da Friboi, Eduardo Pedroso, destacou que poucos países possuem capacidade de expandir a produção de forma competitiva nos próximos anos.

“O país que tem potencial de crescer em produtividade para suprir o déficit global é o Brasil”, afirmou o executivo.

Brasil amplia liderança mundial nas exportações de carne bovina

Além do tamanho do rebanho, o Brasil também vem consolidando sua liderança nas exportações mundiais de carne bovina. De acordo com a Friboi, o país já ocupa a posição de maior exportador global da proteína há mais de uma década e alcançou um marco histórico recentemente ao ultrapassar os Estados Unidos na produção total de carne bovina.

Mesmo com o crescimento acelerado das exportações, a companhia afirma que o abastecimento interno não está ameaçado. Segundo Pedroso, a evolução da produtividade no campo permitiu ao país aumentar simultaneamente sua presença no mercado externo e a oferta doméstica.

“O Brasil está produzindo muito mais carne. Existe produção suficiente para abastecer o crescimento da demanda doméstica e também avançar nas exportações”, reforçou.

O avanço brasileiro ocorre em um momento delicado para os principais concorrentes internacionais. Conforme os dados apresentados pela empresa, cerca de 70% do rebanho bovino comercial mundial está concentrado em três grandes blocos produtores: América do Norte, União Europeia e Mercosul.

Estados Unidos enfrentam menor estoque de gado em 70 anos

Entre os principais competidores do Brasil, os Estados Unidos vivem atualmente o cenário mais crítico. Segundo a Friboi, o país registra o menor estoque bovino dos últimos 70 anos, reflexo direto dos ciclos pecuários, dos custos elevados de produção e das condições climáticas adversas enfrentadas recentemente.

Na União Europeia, o rebanho atingiu o menor nível em três décadas. Já no Mercosul, o ciclo pecuário também demonstra retração, com os menores números dos últimos seis anos.

Esse cenário internacional fortalece ainda mais a posição estratégica da pecuária brasileira no comércio global de alimentos.

China acelerou transformação da pecuária brasileira

Outro ponto destacado pela Friboi foi o papel decisivo da China na modernização da pecuária nacional. Segundo Eduardo Pedroso, as exigências sanitárias e produtivas impostas pelo mercado chinês acabaram acelerando uma verdadeira revolução dentro das fazendas brasileiras.

A principal mudança ocorreu na idade de abate dos animais. Historicamente, o boi brasileiro era abatido com idade superior a quatro anos. Porém, a demanda chinesa por animais com menos de 30 meses obrigou produtores e frigoríficos a adotarem sistemas mais intensivos de produção, com uso crescente de confinamento, suplementação e manejo nutricional avançado.

“Historicamente, o boi chegava ao abate velho, acima de quatro anos. Com a exigência da China, começamos a tratar esse boi com quatro meses de confinamento, reduzindo em pelo menos um ano a idade de abate”, explicou Pedroso.

Segundo o executivo, praticamente toda a base de fornecimento da JBS já trabalha com animais abaixo dos 30 meses, padrão que se tornou fundamental para atender mercados premium e ampliar competitividade internacional.

Relação com pecuaristas se torna peça-chave

Para sustentar o crescimento da produção brasileira, a Friboi afirma que vem ampliando sua integração com os pecuaristas em diferentes regiões do país. Atualmente, a operação de originação da companhia mantém relacionamento com mais de 25 mil produtores rurais e realiza aproximadamente 700 negociações diárias.

A empresa afirma que a estratégia é baseada em relacionamento de longo prazo, logística eficiente, padronização de abates e maior previsibilidade comercial para os fornecedores.

“Nós precisamos ter recorrência de negócio. Essa é a parceria em que a gente acredita”, destacou Pedroso.

Além disso, a companhia vem investindo em serviços voltados diretamente aos pecuaristas, incluindo melhorias em transporte, planejamento de escalas e integração operacional entre frigorífico e campo.

Com demanda global aquecida, redução dos estoques internacionais e maior eficiência produtiva dentro das fazendas brasileiras, o Brasil entra em uma nova fase da pecuária mundial, consolidando sua posição como um dos principais pilares da segurança alimentar global.

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