Brasil vai exportar 20.000 bezerros ao Egito, veja!

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Foto Divulgação.

Primeira exportação de bovinos vivos em 2021 deve ocorrer com 20.000 bezerros; Retorno à venda de gado em pé é comemorado pelo pecuarista!

As exportações de gado em pé, depois de quase um ano paralisadas, começam a ser retomadas no Rio Grande do Sul. Segundo a supervisora regional da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) em Pelotas, Liége Furtado de Araújo, os animais são mantidos em confinamento em dois Estabelecimentos de Pré-Embarque (EPEs), localizados em Rio Grande e Cristal. Serão embarcados no maior Navio Boiadeiro do Mundo!

Está prevista para o dia 10 de dezembro a primeira operação desse tipo em 2021, com o embarque de 20 mil terneiros vivos para o Egito. O mercado já está sentindo a procura dos compradores, que tiveram grande procura pelos animais jovens que atendem os padrões para exportação. Veja o vídeo do último embarque!

Com peso de até 250 quilos, os terneiros provêm de diferentes propriedades gaúchas e permanecem nos EPEs até que os exportadores atinjam o número de cabeças pretendido para a carga a ser embarcada. Depois, são realizados os protocolos sanitários exigidos pelo país comprador, explica a supervisora.

“Os procedimentos ainda não começaram porque ainda não chegaram todos os animais”, afirma. Os fiscais da Seapdr fazem a supervisão dos exemplares e emitem as Guias de Trânsito Animal (GTAs) para o Porto de Rio Grande.

No Rio Grande do Sul, os preços dos animais jovens não chegaram a reagir ao longo desta semana, embora já haja espaço para recuperação, observa a IHS. “Especialmente no Rio Grande do Sul, abriu-se a exportação de gado em pé (com até 250 kg), a preços mais competitivos, o que começa a gerar maior ânimo entre os agentes locais”, destaca a IHS. No mercado gaúcho também há relatos da presença de compradores de São Paulo e Minas Gerais, acrescenta a consultoria.

A exportação de bovinos vivos pelo Rio Grande do Sul deu um salto em 2018, mas recuou em 2019 e 2020. Neste ano, em razão da alta valorização do terneiro, os preços gaúchos perderam competitividade frente aos do Uruguai, o principal concorrente do Estado.

O Brasil é um dos maiores exportadores de gado vivo do mundo, setor que vem ajudando a cadeia da pecuária nacional!

Fonte: Scot Consultoria

Vista como alternativa em períodos de dificuldade no mercado interno, a exportação de gado em pé pelo Rio Grande do Sul totalizou 169 mil cabeças em 2018 e caiu para 131,8 mil em 2019 e 107,2 mil em 2020, de acordo com a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).

“Enquanto não fizemos nenhuma exportação (em 2021), o Uruguai já ultrapassa a marca de 14 navios e mais de 100 mil cabeças embarcadas”, compara Eduardo Lund, que atua no comércio internacional de bovinos vivos. Segundo o corretor, o segmento ainda sofre o efeito da desaceleração econômica global e da paralisação do turismo na Turquia, principal destino do gado em pé do Brasil. Mas, ao mesmo tempo, já percebe a volta de parte de importadores tradicionais e a abertura de novos mercados, como o Vietnã e a China. Hoje, os embarques brasileiros são concentrados no Pará. “Grandes players exportadores do norte do Brasil têm intenção de atuar no Rio Grande do Sul, em virtude de demandas de bovinos das raças europeias”, afirma Lund.

Último embarque realizado

Os animais resultam de cruzamento de raças europeias (Angus, Hereford…), têm entre zero e 12 meses e pesam de 200 quilos a 250 quilos. O lote é oriundo de 366 propriedades gaúchas e cumpriu quarentena de pelo menos 21 dias, conforme exigência da Turquia, em dois estabelecimentos de pré-embarque (EPE’s), um em Pelotas e outro em Rio Grande.

O navio com 13.296 terneiros vivos zarpou em novembro do Porto de Rio Grande direto para a Turquia, onde seguem para engorda em 39 estabelecimentos no país.

“O Mapa vistoria o navio e libera ou não o embarque. Avalia o bem-estar na embarcação. Ao todo, trabalham cerca de 70 pessoas na operação, contando com os funcionários das propriedades”, explicou Liége na época!

Mercado e expectativas

Com o embargo da China à carne bovina brasileira, esse cenário começou a mudar, avalia o coordenador da Comissão da Pecuária de Corte da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Pedro Piffero. Ele observa que as exportações brasileiras do produto caíram 43% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, o que aumentou a oferta no mercado interno, impactando os preços do boi gordo e também o mercado de reposição – hoje, o quilo vivo do terneiro é negociado em média a R$ 11,50.

Fazenda Esperança – Pecuária Agro Genética Braford

“Dos R$ 13,50 que se estava pagando, caiu no preço que o importador compra, no patamar de dois dólares”, diz.

Para o consultor Eduardo Lund, as cotações atuais permitem aos exportadores gaúchos competir em igualdade com o Uruguai, que neste ano já exportou mais de 200 mil animais. Lund destaca que a retomada dos negócios vem sendo liderada por Egito e Turquia, o que sinaliza boas oportunidades para os produtores.

São importadores que têm exigência maior com relação à qualidade e ao padrão (dos animais), e o Rio Grande do Sul entra no cenário como um produtor de gado europeu”, completa.

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