Café: veja as perspectivas para 2022

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Foto: Divulgação

Apesar do clima favorável, a quebra de safra em 22/23 e os problemas logísticos verificados em 2021 devem ditar os preços em 2022.

Cepea, Piracicaba – Apesar do clima mais favorável nos últimos meses de 2021, o setor cafeeiro nacional ainda espera quebra significativa de produção de café em 2022/23, cenário que deve manter firmes os preços em 2022. Agentes consultados pelo Cepea ainda estão incertos quanto ao tamanho desta possível redução na produção, mas melhores estimativas podem ser feitas após os primeiros meses de 2022, no período de enchimento dos grãos.

Mesmo com a bienalidade positiva dos cafezais de arábica em 2022/23, o clima seco na maior parte da fase do desenvolvimento e as geadas no inverno de 2021 afetaram os cafezais, resultando em plantas bastante debilitadas e em abortamento de parte das floradas em praticamente todas as regiões acompanhadas pelo Cepea.

Assim, mesmo diante da expectativa de boa produção de robusta em 2022/23, o total colhido no Brasil deve ser baixo para uma safra de bienalidade positiva, o que deve impedir a recuperação dos estoques nacionais e globais – que, vale lembrar, recuaram após a forte diminuição da produção na safra de 2021/22, que somou 47,7 milhões de sacas de 60 kg, segundo a Conab (queda de 24,4% na comparação com 2020/21).

Além disso, os problemas logísticos verificados em 2021 podem persistir em grande parte de 2022, o que deve limitar os embarques nacionais na safra de 2021/22. Nas outras origens, como Colômbia e Vietnã, além dos problemas logísticos, agentes também estão preocupados com os efeitos do fenômeno La Niña sobre as lavouras. No Vietnã, fortes chuvas levaram ao atraso da colheita em 2021, com os grãos chegando ao mercado apenas em dezembro.

Esse cenário de oferta apertada, em meio a perspectivas de recuperação da demanda (devido à retomada econômica), já vinha mantendo em patamares recordes os preços nominais do arábica e do robusta em 2021. No segundo semestre, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, posto na capital paulista, se aproximou dos R$ 1.500/saca de 60 kg, sendo o maior patamar real desde 1999 (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI). Para o robusta, o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6, peneira 13 acima, operou acima dos R$ 800/sc de 60 kg em boa parte do segundo semestre de 2021, também se aproximado dos níveis recordes reais registrados em 2016.

A forte e rápida valorização dos cafés, por outro lado, vem mantendo produtores retraídos e deve reforçar a sustentação das cotações em 2022. No caso do arábica, grande parte dos cafeicultores estava com uma parcela expressiva da safra comprometida em entregas programadas em 2021 a preços muito inferiores dos praticados no spot, passando a vender o restante da colheita de forma mais lenta, especialmente em dias de alta das cotações. Para o robusta, com o avanço das cotações, produtores se capitalizaram, vendendo apenas uma parcela da safra, também aguardando maiores valorizações para voltarem ao mercado.

Fonte: Cepea

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