Carne enviada para China pode retornar ao Brasil

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O “silêncio” dos asiáticos e a falta de movimentação das autoridades brasileiras, em busca de uma solução definitiva para o caso, pode causar um prejuízo de R$ 2 bilhões ao setor!

A retomada das atividades da China nessa sexta-feira, dia 08, após o feriado prolongado e as festividades, era aguardado com muito otimismo e esperança por todo o setor da carne bovina brasileira, já que poderia trazer a notícia da retomada das importações de carne pela gigante asiática. Infelizmente, a notícia ainda não chegou, mas informações extra oficiais que foram obtidas, não são positivas.

A estimativa é de que 130 mil a 150 mil toneladas de carne bovina que estão paradas em portos chineses ou um caminho, aguardando liberação, começam a se movimentar para retornar ao Brasil, segundo as informações extraoficiais obtidas pelo Compre Rural. Medida foi determinada após negação no posicionamento da China.

Cadê o Governo e onde está a China?

Infelizmente, segundo alguns analistas de mercado, o Governo brasileiro tem se mostrado “com pouco interesse” na retomada das exportações, já que o recuo dos preços da carne no mercado interno significaria uma queda da inflação no país. Outro erro, foi o fato do órgão não ter anunciado em junho, quando foi detectado uma suspeita da vaca louca em um frigorífico de Minas Gerais, já que muitos pecuaristas poderiam ter se planejado.

Do lado Chinês, alguns fatores podem fazer com que a gigante asiática não realize a retomada das importações neste ano. Segundo levantamento, o mercado chinês conseguiu se reabastecer com carne suína – própria e importada – e que a demanda da carne bovina, em queda por conta da crise vivida pelo país, estaria sendo suprida por outros parceiros comerciais, como a Rússia.

Posicionamento do MAPA

O Compre Rural tentou contato novamente com o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), porém não teve retorno até o fechamento desta matéria!

Prejuízo pode chegar a mais de R$ 2 bilhões de reais para os frigoríficos comerciantes da carne bovina na China

Embora o Brasil tenha suspendido uma certificação para a exportação no dia 4 de setembro, como determinação o protocolo sanitário bilateral firmado com a China, a demora na liberação de cargas nos portos brasileiros, em meio à falta de contêineres, gerou um atraso (“atraso “) nos embarques do que havia sido certificado em agosto.

“Esse dado de exportação in natura mostra um retrato antigo, não é necessariamente carne que foi embarcada apenas em setembro, computa o resultado operacional completo. Foi provada carne que foi inspecionada em agosto e já estava liberada no serviço de comunicação federal há mais tempo ”, explica a analista de proteína animal da Safras & Mercado, Fernando Iglesias ao alertar para o risco que a situação representa.

“Se essa carne chegar no porto, como ela não tem mais uma certificação para entrar na China, o que poderia acontecer é essa carne ser considerada clandestina e ser até mesmo incinerada neste tipo de situação”, observa o analista. Outra possibilidade seria essa carne ser enviada de volta ao Brasil, o que também ocasionaria custos logísticos adicionais, além de derrubar os preços no mercado interno.

Segundo as informações, extraoficiais, seriam de que os navios e contêineres com a carne bovina brasileira que seriam descarregadas na China, cerca de 130 mil a 150 mil toneladas, já estariam com ordem de retorno para o Brasil. Caso concretizado, o prejuízo poderá superar os R$ 2 bilhões de reais.

Outro fato, é que essa carne deixaria as indústrias que trabalham com produção 100% China, estariam em uma posição mais desconfortável do que aquelas que são voltadas ao mercado interno.

“Isso traria consequências para o resto do setor carnes e poderia gerar toda uma série de transtornos aqui no nosso mercado doméstico. A indústria teria que arcar com prejuízos grandes porque ela pagou um boi caro. Essa carne que está parada vem de um boi de R $ 315 a R $ 320 por arroba. Então, não foram baratas baratas para adquirir essa matéria prima ”, explica Iglesias.

Se confirmado o retorno das cargas e uma “suspensão temporária” dos embarques para a China, os valores da arroba no país podem atingir o menor patamar de preços para o ano nos próximos dias. Segundo os analistas, os preços podem atingir até R$ 250,00/@ em importantes praças pecuárias pelo país!

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), Paulo Belicanta, havia cargas com atraso de até 17 dias nos portos brasileiros. “Tinha um estoque [de certificados de exportação] já emitido muito grande e isso foi o grande diferencial desse aumento de volume, porque não houve sequer um contêiner certificado pelo Ministério da Agricultura a partir do dia 4 [de setembro]”, explica. Ele compara a situação com a frenagem de um veículo pesado. “Uma carreta, você precisa de algum tempo para que ele parar”.

Como as certificações ocorreram antes da suspensão, Belicanta afirma estar seguro de que haverá uma liberação dos produtos enviados à China no último mês. “O Brasil está autorizado a emitir seus certificados dos produtos produzidos dentro de um protocolo entre o Brasil e a China e esses produtos que estão lá, ou indo para lá, têm esse aval, essa garantia e essa segurança. E a gente tem essa tranquilidade. Apenas o que pode estar ocorrendo é uma interpretação não correta da nossa parte de algum documento ou de alguma determinação que pudessem estar esperando ”, explica.

Compasso de espera gerando prejuízo

Há mais de um mês suspensa, a exportação brasileira de carne bovina para a China gera apreensão no setor. Entre as causas para a demora, Belicanta destaca a própria pandemia, uma sequência de feriados no país asiático e desafios relacionados à comunicação com autoridades chinesas. “Nós temos que ter a consciência de que ainda encontramos muita dificuldade nas traduções e na comunicação entre o Brasil e a China”, pondera o explicando que “algumas interpretações, em alguns, momentos dão um certo delay nas operações”.

Diante das incertezas, pelo menos 14 frigoríficos já decretaram férias coletivas no país, segundo número divulgado pela consultoria Agrifatto. O ajuste na operação diante do principal comprador internacional da carne bovina brasileira fez o preço da arroba desabar no país, chegando a ser cotada a R $ 270 em São Paulo após atingir máximas de R $ 320. O mesmo, acredita-se, ocorrerá com os preços para venda ao mercado chinês após a tão esperada reabertura.

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