China: Demanda por carne seguirá forte no 2º semestre

China: Demanda por carne seguirá forte no 2º semestre

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Mesmo com restrição no consumo interno por coronavírus e recuperação do plantel de suínos, China terá que comprar muita carne de outros países, principalmente o Brasil.

Em entrevista, o Analista de Proteína Animal da Rabobank, Wagner Hiroshi Yanaguizawa, informou que a disseminação da peste suína africana na China acabou afetando a produção de proteína no país que mais consume carne suína no mundo. Demanda chinesa por carne bovina seguirá forte no 2º semestre, mas alta do boi será limitada pelo consumo interno.

“Neste ano estamos com mais uma queda adicional de 15% a 20% na produção de carne suína na potência asiática. Por isso, os chineses vão demandar mais volumes de carne do que no ano passado”, comenta.

Diante do coronavírus na China a recomposição dos planteis também ficaram afetadas. “Isso acabou tornando a retomada das atividades mais desafiadora e vale lembrar que a PSA e a gripe aviária está ativa na China. Para este segundo semestre o governo está atuando de forma mais consistente na recuperação do rebanho”, afirma

Na opinião do banco holandês, as exportações de carne bovina brasileira devem ser favorecidas com a relação cambial. “Nós estamos com uma desvalorização do real frente ao dólar neste ano e estamos ofertando uma das carnes mais baratas do mundo, na qual vai ser um fator importante na tomada de decisões dos importadores para as compras de carne”, ressalta.

O defict adicional de proteína animal na China é em torno de 6 a 8 milhões de toneladas. “Já é esperado uma queda no consumo chinês já que não tem oferta para atender a população que mais come carne suína no mundo. Em função do coronavírus, os chineses estão mudando o padrão de consumo e não estão mais de alimentando com a carne fresca”, explica.

Com relação à renegociação de contratos por parte dos chineses, Yanaguizawa destaca que é prejudicial aos negócios brasileiros mais que não é algo incomum. “Os chineses têm um conhecimento comercial muito forte e usam isso ao seu favor e não podemos sinalizar isso com uma possível queda de demanda”, relata.

Nas últimas semanas, o impulso nos preços do boi gordo foi em função da demanda chinesa aquecida. “Só que temos que lembrar o que ocorreu no final do ano passado que quando esse aumento de preço da arroba foi repassado para o consumidor chinês acabou retendo compras e logo em seguida no Brasil”, pontuou.

O analista aponta que a demanda interna vai continuar balizando os negócios no mercado físico e a tomada das decisões do pecuarista com a produção. “Com o aumento dos preços da ração e da reposição, o segundo giro do confinamento vai perder a atratividade. Além disso, o poder de compra do consumidor que está fragilizado vai levar uma redução do Produto Interno Bruto”, afirma.

Fonte: Notícias Agrícolas

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