Conheça a “Capital do Boi Gordo” no Brasil

Araçatuba, conhecida como a “Capital do Boi Gordo”, destaca-se positivamente na área da genética, a cidade abriga laboratórios de pesquisa, instalações que exibem animais, e diversas instituições que impulsionam a cadeia produtiva da pecuária.

Araçatuba, localizada no interior do estado de São Paulo, abriga uma comunidade de 200 mil habitantes e é nacionalmente reconhecida como a “Capital do Boi Gordo“. Surpreendentemente, a pecuária não sempre ocupou o papel central na economia local.

No ano de fundação da cidade, em fevereiro de 1922, o algodão era a principal fonte de receita na região. O cenário começou a mudar somente após a crise na cotonicultura, a partir da década de 1940, quando as plantações de algodão deram lugar a extensas pastagens destinadas à criação de gado de corte.

A reviravolta na história ocorreu na década de 60, quando pecuaristas originários de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás decidiram modificar suas estratégias durante o deslocamento das boiadas, observando que os animais perdiam peso significativo ao longo do trajeto.

Ao realizar invernadas na região, Araçatuba gradualmente evoluiu para se tornar o principal polo produtivo de gado, sendo escolhida como local de repouso e engorda dos rebanhos. Foi nesse período que recebeu o título de “Capital do Boi Gordo”.

Foto: Prefeitura de SP – Praça do Boi

Na Praça Rui Barbosa, popularmente conhecida como a “Praça do Boi”, um destacado ponto turístico na cidade, as transações de compra e venda de animais ocorreram por mais de três décadas. Essa localidade, sendo um marco na atividade rural, foi palco da inauguração de uma agência do Conselho Nacional para o Desenvolvimento da Pecuária (Condepe), estabelecendo assim um canal direto com o Governo Federal. Essa conexão permitiu acesso a créditos e impulsionou o crescimento do setor.

Entretanto, houve uma mudança significativa nos rumos da atividade pecuária ao longo dos anos. Apesar de ter sido a principal atividade no interior de São Paulo por um longo período, a expansão da cana-de-açúcar passou a oferecer retornos mais atrativos, levando os pecuaristas a se deslocarem para o Centro-Oeste.

Foto: Divulgação

No ano 2000, por exemplo, o rebanho bovino em Araçatuba contava com 1,8 milhão de cabeças. No entanto, em 2007, em meio a esse processo de transformação, esse número reduziu para 1,5 milhão. Atualmente, de acordo com Thomas Rocco, presidente do Sindicato Rural da Alta Noroeste (Siran), a região abriga cerca de 300 mil cabeças de gado.

Apesar da redução numérica, a pecuária não cedeu seu espaço em Araçatuba. Logo após o declínio do ciclo da cana-de-açúcar, iniciou-se um esforço significativo na atividade. Destaque-se que os principais criadores da raça Nelore, que representa grande parte do rebanho nacional, têm suas origens aqui na cidade. Esses criadores passaram a concentrar esforços em melhorias genéticas na criação bovina.

Mesmo optando por levar os rebanhos para regiões do país com custos de manejo mais acessíveis, os pecuaristas retornam a Araçatuba para realizar o abate ou para explorar oportunidades na área genética.

“Mantemos o título de ‘Capital do Boi Gordo’, porém, agora de maneira mais moderna e com maior valor agregado. Os animais retornam para enriquecer a qualidade da carne. Portanto, continuamos de mãos dadas com o desenvolvimento da pecuária”, enfatiza.

Foto: Divulgação

Na atualidade, Araçatuba, conhecida como a “Capital do Boi Gordo”, destaca-se positivamente na área da genética. A cidade abriga laboratórios de pesquisa, instalações que exibem animais, centros de comercialização de animais para todo o Brasil, além de contar com a participação ativa de faculdades e diversas instituições que impulsionam a cadeia produtiva da pecuária.

Além das atividades técnicas, a cidade também é palco de eventos festivos e exposições. A Expô Araçatuba, realizada há 61 anos, é a mais tradicional entre eles. Esse evento anual destaca o que há de melhor na genética bovina, promovendo leilões e apresentações de renomados artistas nacionais a cada edição.

Escrito por Compre Rural

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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