Cresce o número de criadores do gado Jersey no Sul

Cresce o número de criadores do gado Jersey no Sul

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vacas jersey semex
Foto: Semex

Presidente da Associação de Criadores de Gado Jersey faz balanço de biênio à frente da entidade; confira os destaques da gestão de Darcy Bitencourt e desafios

O presidente da Associação de Criadores de Gado Jersey do Rio Grande do Sul (ACGJRS), Darcy Bittencourt, encerra o mandato no final de dezembro com a certeza do dever cumprido. “Entrego o barco navegando em águas calmas, o próximo que assumir vai encontrar uma situação tranquila e positiva na entidade, com contas em dia e projetos em andamento”, resume o dirigente. “2020 foi um ano atípico, com a reformulação de todas as atividades para atender às recomendações de saúde. Não fizemos Expointer e nem participamos de outros eventos agropecuários desde março, os leilões se tornaram virtuais – felizmente todos venderam muito bem – e parte dos compromissos da entidade também foi feita pela internet. Aproveitamos o período para fazer algumas reformas na sede, em Pelotas e incentivamos os criadores com a campanha Minha Jersey Registrada, tivemos resultados muito bons”, resume.

gestão ACGJRS
Foto: Divulgação

A campanha, que pretende ampliar o quadro de sócios e o número de animais registrados, movimentou os criadores da raça leiteira no estado e trouxe bons resultados. “Nós crescemos, conseguimos quebrar uma tendência, que a cada ano diminuía a quantidade de associados. Esse ano nós revertemos, o número de associados aumentou, até agora, em pelo menos dez por cento e estamos com bastante registros”, comemora Bitencourt. “A campanha está aberta, estamos recebendo novas consultas e pedidos. Lembro que a colaboração da mídia foi fundamental para conseguirmos mostrar o potencial do gado Jersey para o Brasil e o exterior e incentivarmos as pessoas a se associarem e registrar seus animais”.

O sobe e desce no preço do leite

O presidente analisa a atual situação do produtor. “A pandemia trouxe um aumento de demanda do leite no varejo e, consequentemente, no preço pago ao produtor. Mas começou a importação de laticínios e, ao mesmo tempo, houve um aumento substancial com os custos de produção”. A fase atual, de queda do valor pago pela indústria, coloca o setor em alerta: “Para os insumos, ele pergunta ‘quanto custa?’ e para a indústria ‘quanto tu me paga?’. Se não houver uma correção nessa situação, vai inviabilizar a atividade leiteira e muita gente pode até parar com a atividade”

A estiagem na pecuária leiteira

Assim como no verão passado, 2020 termina com mais uma estiagem prejudicando as pastagens e os cultivos de produtos para silagem e feno. Com a experiência de décadas dedicadas à pecuária leiteira, Bitencourt defende que o produtor opte pelo planejamento e não espere o fenômeno ocorrer para tomar providências, visto que a má distribuição das chuvas é uma característica do Rio Grande do Sul. “A grande dificuldade é que o produtor normalmente é reativo, ele só reage às situações, mas deveria ser proativo e se precaver com reserva de água e uma pequena irrigação para molhar as pastagens e manter o desenvolvimento vegetativo da planta em caso de necessidade”, acredita. “No passado tivemos políticas públicas positivas, com programas de incentivo para a construção de pequenos açudes e de irrigação para pastagens de gado de leite, mas infelizmente foram deixadas de lado e o produtor se sentiu desamparado, desestimulado. Mas eu defendo que ter uma reserva de água pode minimizar dificuldades futuras. Alguns alegam falta de recursos, mas quando o prejuízo com a seca é grande, acaba tendo que gastar dobrado. Um pequeno açude faria a diferença”.

Pesquisador reconhecido na área socioeconômica do leite, Darcy Bitencourt anuncia que se dedicará exclusivamente ao trabalho na Embrapa Clima Temperado, em Pelotas, a partir de janeiro de 2021. “Encerramos o nosso trabalho à frente da Associação em um momento muito bom para a raça Jersey. Ela está sendo muito valorizada em função da qualidade do leite, que tem maior quantidade de sólidos, possibilita à indústria melhor conversão em produtos lácteos e, por isso, melhores resultados. Minas Gerais é o primeiro estado onde a indústria já paga por essa qualidade, então isso provavelmente vai incentivar os produtores também do Rio Grande do Sul a adquirirem bovinos da raça Jersey para melhorar a qualidade do seu leite. Esse momento é muito importante, mostra que a demanda pelo Jersey está bem acentuada” finaliza.

Gestão compartilhada

O segundo vice-presidente da ACGJRS Carlos Alberto Petiz, elenca realizações do primeiro ano de gestão. “2019 foi um ano de muito trabalho para a área técnica, na elaboração do nosso controle leiteiro. A presidente do conselho técnico, Mirela Anselmo, coordenou o projeto do nosso controle leiteiro, que adapta a Associação às mudanças exigidas na Instrução Normativa 78 do MAPA”.

Petiz ressalta também a realização de uma das etapas do 4º Circuito Nacional Raça Jersey, durante a 42ª Expointer. “Foi um sucesso, a própria organização reconheceu que a feira de Esteio divulga nacional e internacionalmente os eventos que lá se realizam. E para fechar com chave de ouro, a vaca Grande Campeã na Expointer, da Cabanha Gema, de Santa Rosa (RS) também venceu o campeonato nacional. Excelente”, completa o engenheiro agrônomo e criador de Jersey há 38 anos.

Com a experiência de ter dirigido a Associação em quatro oportunidades, Petiz ressalta o bom entrosamento e a dedicação do presidente Bitencourt. “Sabemos que em compromissos profissionais dele, em palestras e reuniões pelo interior do estado, o Darcy aproveitava as oportunidades para divulgar a raça Jersey, ele ajudou muito o setor. Também é um homem tremendamente político, pede opiniões sobre assuntos que não domina e ouve aqueles que têm posições contrárias. Ainda fez uma baita reforma na sede e saldou todas as dívidas, vai entregar o caixa em dia, sem débitos. Foi um excelente presidente e eu desejo muitas felicidades para a próxima direção”, conclui.

A eleição da nova diretoria ocorre no dia 19 de dezembro, durante assembleia geral da entidade, que será de forma híbrida, com parte presencial e outra virtual. A votação deverá ser por aclamação, visto que há somente uma chapa inscrita. A posse dos eleitos será no dia 1º de janeiro de 2021.

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