Em discurso, Lula fala em ‘evitar o plantio de coisas desnecessárias’

O ex-presidente continua criticando duramente a atual gestão do governo de Jair Bolsonaro; petista quer proibir o plantio de culturas desnecessárias.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participou de encontro com partidos aliados no Rio Grande do Sul, em evento com presença da ex-presidenta Dilma Rousseff, dos ex-governadores gaúchos Tarso Genro e Olívio Dutra, Roberto Requião (PR) e Geraldo Alckmin (SP), Lula afirmou que a soberania que defende passa por dignidade e um país civilizado, humanista e solidário, a partir do princípio de tratar a todos com igualdade de condições.

O ex-presidente continua criticando duramente a atual gestão do governo de Jair Bolsonaro. Em uma de suas falas, o petista deixou bem claro que – “evitar o plantio de coisas desnecessárias” – pode proibir o plantio de de culturas desnecessárias, deixando o setor agropecuário do país bastante preocupado. Quais seriam essas culturas desnecessárias?

“Um país pode ter toda a riqueza do mundo, mas se o povo não tiver emprego e salário que dê para sustentar a família, onde está a soberania? Um país pode ter toda a riqueza do mundo, mas se o governante não cuida de forma responsável da política ambiental, para evitar o plantio de coisas desnecessárias em áreas que precisam ser preservadas, as pessoas querem criar gado em áreas que não precisam criar gado, cadê a nossa soberania? A nossa soberania não pode ser um discurso, ela tem que ser uma prática” – exclamou o ex-presidente.

O deputado e produtor rural, Frederico d’Avila, usou suas redes sociais para combater as falas do petista. “Para atacar o AGRO, Lula utiliza das velhas narrativas mentirosas da esquerda e dos países que concorrem com o Brasil. Na verdade, ninguém preserva mais que o produtor rural brasileiro. Em nossas propriedades, preservamos uma extensão total de vegetação nativa que corresponde a 26,7% de todo o território nacional, de acordo com um estudo recente da Embrapa. Além disso, a atividade agropecuária ocupa menos de 8% do Brasil, uma proporção 2 vezes menor que a dos EUA, da China e da India, e até 9 vezes inferior à proporção dos países europeus.”

A fala do pré-candidatos à Presidência da República chega como uma bomba ao setor agropecuário, declaradamente favorável ao governo atual de Jair Bolsonaro. A Agricultura compõe o setor primário da economia, tornando-se uma prática primordial para o desenvolvimento das sociedades.

A importância da agricultura é, assim, indiscutível, pois é a partir dela que se produzem os alimentos e os produtos primários utilizados pelas indústrias, pelo comércio e pelo setor de serviços, tornando-se a base para a manutenção da economia mundial.

tabaco producao
Foto: FAEP

Alguém sobreviveria produzindo algo “desnecessário”?

Podemos usar o exemplo dos gaúchos, produtores de tabaco. O cultivo do tabaco no Brasil é muito grande, principalmente em localidades do interior do estado do Rio Grande do Sul e em comparação com o ano de 2018 teve um aumento de 35,6% na produtividade. Carro-chefe da economia do Vale do Rio Pardo, o setor de tabaco ampliou a participação nas exportações brasileiras em 2019, impulsionado por embarques represados do ano anterior. Em valores, o ano de 2019 superou 2018 e exportou US$ 1,96 bilhão, valor este, maior em 8,2% se comparado ao ano anterior.

O cultivo de tabaco no Brasil tem como base as pequenas propriedades, em média com 12,3 hectares, sendo que destes, apenas 23% são dedicados à produção da folha. Apesar da pequena lavoura plantada, o cultivo representa 43,4% da renda familiar dos agricultores, segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). 

Seria o tabaco uma das cultivares “desnecessárias”?

Lula e sua cruzada de proibição

Não é de hoje que Lula discursa sobre a proibição de inúmeras coisas que, no ponto de vista dele, estão erradas. Ainda em 2021, durante entrevista à Rádio Metropole, de Salvador, na Bahia, ele afirmou que vai regular os meios de comunicação caso volte a ocupar o Palácio do Planalto.

Neste mesmo discurso, sobre ‘plantio de coisas desnecessárias’, o ex-presidente indicou que irá proibir a venda de armas no Brasil caso seja eleito a fim de, segundo ele, “evitar o genocídio”. Ele ainda se expressou contra as operações policiais nas favelas, afirmando que o Estado tem que estar presentes nesses locais com escolas, e não com forças de segurança.

Antes da cerimônia, Bolsonaro fez cavalgada com os ministros Fábio Faria (Comunicações) e Rogério Marinho (MDR), e apoiadores
Foto: Divulgação

Valores que sustentam apoio do agro a Bolsonaro

A possibilidade de ter armas na fazenda e a preocupação com a invasão de terras são dois dos principais motivos citados por lideranças rurais para manterem o apoio ao presidente Jair Bolsonaro. A defesa dos valores da família também é um ponto citado pelos que dizem apoiá-lo.

“O armamento foi essencial. Está em fazenda e não pode se proteger? Agora não, você pode se proteger. Fazenda tem muito produto caro, principalmente defensivos agrícolas, que são de mais fácil comercialização. Com esse armamento, e muito bem feito, não é qualquer um, isso nos deu mais tranquilidade de defender nossa área, o patrimônio do produtor rural. São várias coisas que levaram o agropecuarista a ter uma visão boa do presidente”, disse Rivaldo Machado Borges Júnior, presidente da ABCZ.

Bolsonaro tem respondido ao apoio incondicional com visitas frequentes às feiras agrícolas realizadas na retomada deste ano. O pré-candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, por seu lado, não compareceu a grandes eventos de empresários do agronegócio neste ano. Ciro Gomes, do PDT, compareceu à Agrishow, mas foi hostilizado e se envolveu em discussões com um apoiador de Bolsonaro. João Doria (PSDB), na época ainda na corrida presidencial, passou incólume pelos corredores do evento.

Dados obtidos com a Fazcomex, SindiTabaco

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