Em um cenário de escassez global sem precedentes e após os recordes históricos de exportação em 2025, o especialista Eduardo Pedroso detalha como a convergência entre tecnologia e déficit produtivo no Hemisfério Norte pavimenta o caminho para o ciclo mais lucrativo da história do setor no Brasil
A pecuária brasileira está no limiar de uma “era de ouro” que deve redefinir o mercado global de proteínas nas próximas duas décadas. De acordo com o zootecnista Eduardo Pedroso, diretor executivo de originação da Friboi, o Brasil deixou de ser apenas um competidor de volume para se consolidar como a peça central da segurança alimentar mundial. Em análise detalhada no programa Giro do Boi, Pedroso projetou um ciclo de prosperidade sem precedentes, sustentado pela falha estrutural de oferta nos países concorrentes e pela maturidade tecnológica nacional atingida em 2025.
“Os próximos 15 a 20 anos serão, certamente, os melhores anos da pecuária brasileira“, afirmou o especialista, destacando que o país vive um momento de transição de “commodity” para fornecedor de alto valor agregado.
O vácuo global de oferta e o protagonismo nacional
O otimismo de Pedroso é corroborado pelos dados estatísticos mais recentes. Em 2025, o cenário global de carnes sofreu um choque de oferta histórico. Enquanto a pecuária brasileira batia recordes, o rebanho bovino dos Estados Unidos atingiu seu menor nível desde 1951, segundo relatórios do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). Com menos de 86 milhões de cabeças, os EUA perderam poder de exportação, abrindo espaço para que o Brasil suprisse mercados de elite antes inacessíveis.
Dados consolidados da ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) revelam que, em 2025, a pecuária brasileira superou a marca histórica de 3,2 milhões de toneladas exportadas, gerando divisas recordes. “O mundo finalmente entendeu que o Brasil não é um concorrente, mas a única solução viável para o déficit estrutural de proteína vermelha”, ressaltou Pedroso.
Menos área, mais carne
A eficiência demonstrada dentro da porteira é o motor dessa transformação. Segundo a Embrapa, o ano de 2025 marcou a consolidação do sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) em mais de 20 milhões de hectares. Esse salto produtivo permitiu que a pecuária brasileira produzisse mais arrobas por hectare, reduzindo a idade média de abate para menos de 24 meses em grande parte das propriedades exportadoras.
Eduardo Pedroso enfatizou que o “gado sob encomenda” é a nova realidade do setor:
- Genética de Precisão: O avanço das raças zebuínas e o cruzamento industrial garantiram carcaças mais pesadas e com melhor acabamento de gordura.
- Rastreabilidade Total: Em 2025, a implementação de sistemas de monitoramento via satélite e os “Escritórios Verdes” garantiram que 100% da carne exportada estivesse em conformidade com as leis ambientais globais (EUDR).
- Sanidade Reconhecida: A ampliação das zonas livres de aftosa sem vacinação elevou o status sanitário da pecuária brasileira, abrindo portas para mercados de alta remuneração, como Japão e Coreia do Sul.
O caminho para a paridade de preços na pecuária brasileira
Um dos pontos centrais da análise de Pedroso é a busca pela paridade internacional de preços. Historicamente, o boi brasileiro era negociado com um “desconto” em relação ao boi americano ou australiano. Contudo, a escassez global e a qualidade superior entregue pelo Brasil em 2025 começaram a encurtar essa distância.
“O desafio para este novo ciclo de 20 anos é converter nossa reputação em remuneração. Já provamos que temos a melhor carne; agora o mercado está disposto a pagar por essa segurança”, explicou o zootecnista. Para ele, o fortalecimento de parcerias e a transparência na balança e no gancho são os pilares que sustentarão o lucro do pecuarista nas próximas décadas. A pecuária brasileira ruma para um período onde a eficiência biológica será acompanhada por margens de lucro antes nunca vistas no campo.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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