Associação esclarece que rebanhos sem manejo na Reserva Biológica do Guaporé são herança da década de 1950 e defende atuação técnica para solucionar o desafio ambiental.
A presença de búfalos em reservas biológicas brasileiras, mais especificamente em Rondônia, tem mobilizado discussões no setor agropecuário e ambiental. Contudo, em nota divulgada neste domingo (31), a Associação Brasileira de Criadores de Búfalo (ABCB) veio a público esclarecer que o cenário na Reserva Biológica do Guaporé não reflete a realidade do setor no país.
De acordo com a entidade, trata-se de um desafio ambiental isolado e que não possui ligação com a bubalinocultura moderna, que é pautada pelo manejo técnico, controle sanitário rigoroso e acompanhamento da produção.
A origem histórica da presença de búfalos em reservas de Rondônia
Para compreender o cenário atual, é preciso voltar no tempo. A ABCB esclarece que os animais encontrados hoje na região da Reserva Biológica do Guaporé são descendentes de rebanhos introduzidos no estado na década de 1950. Naquela época, o objetivo era fomentar o desenvolvimento local por meio da produção de carne e leite.
No entanto, com a interrupção desses projetos ao longo das décadas, uma parcela significativa desses animais foi deixada à própria sorte. Sem intervenção humana, esses rebanhos começaram a se reproduzir na natureza de forma indiscriminada. A ausência de controle populacional, avaliações zootécnicas e manejo sanitário resultou na formação de grupos selvagens que, com o passar dos anos, acabaram ocupando territórios que hoje são classificados como unidades de conservação.
Bubalinocultura regular versus animais sem manejo
A associação não nega os desafios ecológicos. Pelo contrário, reconhece abertamente que animais que vivem sem controle reprodutivo ou protocolos de saúde — seja qual for a espécie — podem gerar riscos à sanidade e causar impactos ao meio ambiente. No entanto, a ABCB é categórica ao separar os cenários.
A entidade destaca que a “situação registrada em Rondônia não representa a bubalinocultura brasileira conduzida de forma técnica, produtiva e responsável”. A bubalinocultura regular no Brasil é uma atividade econômica de extrema importância, distribuída por várias regiões do país, gerando renda no campo através da produção de leite, carne e seus derivados. Essa produção segue altos padrões de bem-estar animal, eficiência econômica e segurança sanitária, distanciando-se completamente do abandono visto na reserva rondoniense.
Como solucionar a presença de búfalos em reservas?
Para a ABCB, a gestão desse caso específico demanda mais do que opiniões; exige ciência. O enfrentamento da presença de búfalos em reservas ecológicas deve ser embasado em estudos técnicos profundos, monitoramento ambiental constante e respeito integral à legislação vigente, incluindo os protocolos de bem-estar animal.
A associação recomenda que as autoridades competentes trabalhem de forma coordenada para implementar medidas de controle populacional e mitigação de danos. Demonstrando compromisso com a sustentabilidade e o agronegócio responsável, a ABCB colocou seu corpo técnico à disposição dos órgãos públicos. O objetivo é compartilhar a vasta expertise da entidade no manejo de bubalinos para ajudar na construção de soluções que sejam viáveis, responsáveis e que atendam ao interesse da sociedade e do meio ambiente.
VEJA MAIS:
- Criar gado em morro deixa a carne dura? Entenda o que diz a ciência
- Fêmeas na pecuária de corte: desempenho de engorda, valor de mercado e impactos no ciclo pecuário
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.