Estação da Primavera começa com chuva irregular, que gradativamente vai se consolidando durante o mês de outubro
O inverno de 2024 no Brasil chega ao fim marcado por altas temperaturas, queimadas e uma seca severa, com impactos significativos sobre cadeias produtivas como milho, soja, café, frutas e hortaliças. E o clima seco deve prevalecer até meados de novembro, conforme Prognóstico da Primavera elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
Durante a primavera 2024, que começou oficialmente no Brasil neste domingo, 22 de setembro, as chuvas podem ficar acima da média, principalmente em pontos isolados, como Acre, Roraima, sudoeste do Amazonas, sudeste da Bahia e Rio Grande do Sul. Já nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o retorno das chuvas deverá ser gradual.
“A chuva chega de forma irregular no final de setembro, e de forma lenta e gradativa vai se consolidando durante o mês de outubro em áreas importantes, onde o vazio sanitário já está liberado, como no Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Ainda em outubro, a chuva vai ‘subindo’ e pegando os municípios de São Paulo, Goiás, do centro-sul de Minas Gerais e de Rondônia”, explica em comunicado o sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento.
No entanto, segundo o Inmet, a qualidade e o volume de chuvas, durante a estação, nas regiões Centro-Oeste e Sudeste e parte da Sul, dependerão da umidade vinda da Amazônia.
“Neste período da primavera, o sul do Amazonas, que é uma das áreas onde se concentram os focos de incêndios naquele estado, ainda vai sofrer com a seca e a incidência de queimadas e incêndios florestais até outubro”, prevê o Instituto.
Para os próximos meses, com a ausência do fenômeno El Niño e a possibilidade de formação de uma La Niña fraca, as estimativas apontam para precipitações mais significativas, que devem beneficiar o setor agropecuário.
“Com essa expectativa de chuva se concretizando, há grande possibilidade de produtividades bem melhores do que no ciclo anterior. As primeiras estimativas para a safra de soja 2024/25 indicam aumento de 11% a 15% em comparação com a safra anterior, que teve a quebra em relação ao período 2022/23”, diz Nascimento.
O meteorologista lembra que a safra 2023/24 teve grande impacto por causa das altas temperaturas que fortaleceram eventos extremos, potencializando as secas, as ondas de calor e as enchentes.
“A safra de grãos na temporada 2023/24 teve uma quebra de cerca de 7%, quando comparado com o período anterior, o que representou um pouco mais de 22 milhões de toneladas a menos. A quebra foi resultado exatamente das condições climáticas adversas, com excesso de calor e falta de chuva no centro-norte do país e excesso de chuva no Rio Grande do Sul durante o período de outubro a dezembro de 2023”, analisa o meteorologista.
Atenção
Nos próximos dias, o Inmet mantém dois alertas de perigo potencial por conta da baixa umidade e onda de calor. O alerta amarelo é válido para quase totalidade dos estados de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, além de parcialmente atingir outros 14 estados. Confira aqui.
Outro ponto de atenção é destacado pelo meteorologista da Nuttus e se refere ao escoamento da safra pelos rios. “Atualmente, o nível dos rios da região Norte é o menor do histórico e as condições de vazão também estão desfavoráveis na hidrovia Tietê Paraná. Caso a safra de verão não possa ser escoada por eles, os custos com a logística aumentariam ainda mais”, diz.
No entanto, Nascimento diz que ainda há um período para usar as hidrovias e caso a chuva esperada se confirme neste próximo trimestre, haverá recuperação de ambas as bacias e “vai dar tempo para a logística usá-las”.
Fonte: Estadão Agro
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