Queda na participação de fêmeas nos abates em 2026

Com recuo de 14,9% no abate de fêmeas em abril, mercado pecuário consolida virada de ciclo e impulsiona a valorização da arroba e da reposição em 2026

O ciclo pecuário é definido pelo movimento da oferta de gado para abate, principalmente pela maior ou menor disponibilidade e participação de vacas e novilhas nos abates, sendo frequentemente utilizado para traçar expectativas para o mercado.

Como resultado, tivemos um aumento no envio de fêmeas para o abate, movimento que perdurou até 2025. Com a maior participação das fêmeas, começamos a observar, a partir de 2024, uma menor oferta de bezerros disponíveis no mercado e, consequentemente, uma retomada da alta nos preços.

Com a rentabilidade voltando a ser mais atrativa, passamos novamente a observar fatores que apontam para o retorno da fase de alta do ciclo pecuário, como a menor participação de fêmeas nos abates.

A expectativa era de que esse cenário de menor participação de fêmeas nos abates ocorresse ainda em 2025, mas não foi isso que aconteceu. Pelo contrário: tivemos a maior participação de fêmeas da série histórica, com 48,5%. Entretanto, o cenário parece ter mudado em 2026, com queda no abate de fêmeas e preços firmes tanto para a arroba do boi gordo quanto para a reposição.

Abates

De acordo com dados preliminares do Serviço de Inspeção Federal (SIF), em abril o número de animais enviados para o gancho apresentou queda de 5,2% na comparação anual. O abate de fêmeas registrou retração de 14,9%, enquanto o número de machos apresentou aumento de 3,6% na mesma comparação.

Os números ainda são preliminares e podem sofrer ajustes ao longo do mês, mas seguimos observando menos fêmeas sendo enviadas para o gancho.

Quando consideramos os quatro primeiros meses do ano, o número de animais enviados para o abate foi 2,4% menor em relação ao mesmo período do ano passado. Houve aumento de 1,8% no abate de machos e queda de 7,7% no abate de fêmeas na comparação anual.

Como resultado, observamos uma menor participação de fêmeas nos abates, passando de 44,8% em 2025 para 42,4% em 2026 na média dos quatro primeiros meses do ano, queda de 2,4 pontos percentuais.

Vale destacar que essas fêmeas que deixaram de ser enviadas para o gancho vêm colaborando para a diminuição da oferta e, consequentemente, para a firmeza dos preços em 2026, principalmente neste primeiro semestre. Considerando o preço médio de abril para a praça de São Paulo, a arroba do boi gordo apresentou valorização de 3,6% em relação a março e de 14,3% frente ao mesmo período do ano passado.

Figura 1. % de fêmeas nos abates de janeiro a abril de cada ano (SIF)

Fonte: MAPA / HN AGRO

Temos, então, uma diminuição na participação de fêmeas nos abates e uma redução no volume total de animais abatidos. Esses fatores são esperados em uma fase de alta do ciclo pecuário. Na nossa leitura, essa menor oferta deve se somar ao bom ritmo das exportações, resultando em menos carne disponível para o mercado interno e abrindo espaço para que os preços sigam trabalhando de forma positiva, mesmo diante de um cenário econômico mais adverso.

Fonte:https://br.investing.com/

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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