São 50 fazendas compradas em apenas 9 anos, veja!

São 50 fazendas compradas em apenas 9 anos, veja!

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Fazenda da Afipe tem mais de 11 mil hectares e custou R$ 90 milhões em Goiás — Foto: Reprodução

Conforme promotor, somente uma das propriedades rurais custou R$ 90 milhões. Ela tem quase 12 mil hectares, fábrica para produzir 40 toneladas de ração por dia e 150 nascentes.

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) atualizou os valores relacionados à movimentação na Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe) nos últimos nove anos. Entre entradas e saídas, o montante chega a R$ 2,2 bilhões. Conforme a promotoria, grande parte é fruto de 1,2 mil transações imobiliárias, como a compra de mais de 50 fazendas. Uma delas custou R$ 90 milhões.

A entidade é alvo da Operação Vendilhões, deflagrada pelo MP-GO, que apura desvio de R$ 120 milhões de doações feitas por fiéis. A Afipe é responsável pelo Santuário Basílica de Trindade. Fundador da associação, padre Robson também é investigado e se afastou das funções temporariamente. Ele nega qualquer irregularidade.

De acordo com o promotor de Justiça Sebastião Marcos Martins, o material apreendido durante o cumprimento dos 16 mandados de busca ainda não foi periciado. Entre os itens estão documentos e equipamentos eletrônicos, inclusive, um celular e um computador do padre Robson.

O promotor afirma que, por isso, ainda não é possível estipular o patrimônio total da Afipe, mas a operação já conseguiu descobrir quando a entidade movimentou.

“Até novembro de 2018, era R$ 1,7 bilhão. Pela repercussão que o caso deu, os bancos liberaram mais um período de movimentação. Nós conseguimos fechar até agosto de 2019, desde 2010, em R$ 2,2 bilhões”, explica.

Martins salienta que o marco inicial da análise – 2010 – foi escolhido por ser encontrado, a partir deste ano, um grande volume de negociações feitas pela Afipe.

Em nota, a defesa do padre disse que teve acesso ao inquérito próprio nesta semana e que “tão logo os advogados acessem todas as suposições do Ministério Público do Estado de Goiás, as informações necessárias serão prestadas e esclarecidas ponto a ponto”.

Ainda conforme o comunicado, “o padre Robson é o maior interessado na verdade e na transparência. A defesa aguarda e insiste com o Ministério Público para que ele seja ouvido, o que não aconteceu nem foi agendado” até esta quinta-feira (27).

Fazenda de R$ 90 milhões

Entre as propriedades adquiridas pela Afipe, está uma fazenda situada em Caiapônia, no sudoeste de Goiás, avaliada em mais de R$ 90 milhões. Segundo o MP, a propriedade está à venda.

Com uma área de quase 12 mil hectares, sendo 7 mil de pastagens, a fazenda tem aptidão para agricultura e pecuária e mais de 150 nascentes, além de ser cortada por alguns rios.

A propriedade tem ainda dois currais completos, abatedouro, alojamentos, quase 70 km de estradas internas e fábrica capaz de produzir até 40 toneladas de ração por dia.

A propriedade é um dos itens sequestrados pela Justiça durante a operação, além de outros imóveis e dinheiro depositado em contas bancárias.

Boa parte das transações imobiliárias – ao menos 1,2 mil – foram feitas pelo que o MP chama de “núcleo” de pessoas vinculadas ao padre e que também são investigadas.

Promotores durante cumprimento de mandado na casa do padre Robson — Foto: MP-GO/Divulgação

Entenda o caso

  • No dia 21 de agosto, o MP deflagrou a Operação Vendilhões, que apura desvios de verba e lavagem de dinheiro na Afipe
  • A ação apura o uso de dinheiro da Afipe – em sua grande maioria doado por fiéis – na compra de fazendas, casas de praia e outros imóveis de luxo. O MP afirma que eram usados “laranjas” e empresas de fachada para a prática dos crimes
  • Um processo de extorsão sofrido pelo padre Robson originou a ação do MP. A Justiça afirma que um hacker extorquiu o pároco tinha um romance com ele e ameaçava expor casos
  • A investigação aponta que a Afipe movimentou cerca de R$ 2 bilhões na última década. Ao menos R$ 120 milhões teriam sido desviados
  • Fundador e presidente da Afipe, padre Robson se afastou do cargo por conta da operação. Ele era o responsável por gerir um orçamento de R$ 20 milhões mensais

Com informações do G1

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