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São erros cruciais na hora de formar a pastagem que se você estiver os fazendo com certeza o seu pasto não encherá seus olhos de orgulho nem a barriga do seu gado.

Fabrício Tillmann*

Quem cria gado sabe o quanto custa e dá trabalho formar uma pastagem do zero, e sabe ainda mais quanto é ruim quando algo não deu certo e a pastagem não formou direito ou não durou muito.

Por esse motivo, aqui vão 5 erros que você não pode cometer na hora de formar sua nova pastagem:

1 – Começar o plantio quando as chuvas já estão na metade

Em grande parte do Brasil, as chuvas duram entre 5 e 7 meses, começando em meados de setembro/outubro e indo até março/abril, se você só lembrar que precisa ir atrás de sementes e insumos quando a água já caiu algumas vezes na sua terra, até conseguir encontrar tudo, comprar, levar pra fazenda, organizar as máquinas e o pessoal, e começar a plantar, já se foram metade das águas.

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Fonte: Autor

Neste caso, quando as sementes estiverem germinando, o mato já vai ter rebrotado, e muito provavelmente vai atrapalhar o crescimento da sua forrageira. Além disso, se a planta ainda estiver no seu estado jovem quando a seca chegar, ela terá poucas reservas em suas raízes para resistir à estação inteira e rebrotar na próxima estação das águas.

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Foto: Fabrício Tillmann

O ideal é que do plantio até o final das águas a planta tenha chegado à sua maturidade deste primeiro ciclo e produzido sementes que caem assim que a seca chegar e, dependendo da espécie, irão germinar assim que as chuvas voltarem a cair, reforçando a formação da área.

2 – Semear um pasto sem conhecer e corrigir o solo

Quando se trata de formar pastagens com objetivo de se produzir e obter bons resultados, a primeira coisa que deve ser feita é saber exatamente onde você está colocando as sementes. Uma terra com pH menos que 6-6,5 e com baixa saturação de bases, faz com que as plantas tenham dificuldade de se fixarem, principalmente pelo bloqueio na absorção de nutrientes causada pelo Alumínio presente no solo sobre as raízes.

A análise de solo permite também saber quais nutrientes se encontram em baixa concentração podendo fazer falta para a pastagem que você irá cultivar.

Além disso, é importante saber qual tipo de solo você está trabalhando, se ele é argiloso, siltoso, arenoso ou um de seus intermediários, isso se obtém com a análise física do solo.

Por isso, quando for realizar uma análise de solo para implantar uma pastagem, é importante que se peça a análise física (Areia, Silte e Argila), e na análise química pelo menos os seguintes itens: pH, Matéria Orgânica (MO), Fósforo (P), Potássio (K), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg), Alumínio (Al) Enxofre (S), Soma de Bases (SB), Capacidade de Troca de Cátions (CTC), Saturação de Bases (V%) e se possível micronutrientes.

Com estes itens, é possível saber muito sobre o solo e determinar exatamente o que fazer para não desperdiçar nenhum centavo na hora de formar sua pastagem. E o mais importante é: A análise de solo custa uma insignificante porcentagem do que pode custar uma plantação perdida por não desconhecer o motivo.

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Foto: Rodrigo Almeida

Após a análise de solo, é muito importante que um profissional capacitado analise os resultados e faça a recomendação da correção do solo, e mais importante ainda que se faça a correção conforme o recomendado (dentro do possível) para obtenção de bons resultados.

3 – Escolher uma espécie inadequada para a situação

Quantas vezes você já ouviu a frase: “-Lançaram uma cultivar de planta forrageira que se dizia ser muito boa, porém algumas pessoas plantaram e não tiveram bom resultado, então ela é ruim” ?

Pois é, algumas vezes este erro acontece. Além de plantar da forma correta, é imprescindível que se escolha a espécie e a cultivar adequada para cada ocasião, esta escolha dependerá de vários fatores, como: Clima, topografia do terreno, tipo de solo, sistema de manejo a ser utilizado, intensidade de uso e reposição de nutrientes, incidência de ataque de pragas na região, e assim por diante.

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Foto: IEPEC

Desta forma, a correção daquela comum frase é: “Toda cultivar de pastagem é boa, cada uma para a situação que melhor se adapta”, ou seja, depende de como e onde você trabalha com a forrageira, ela responderá de forma diferente.

Vale ressaltar que quanto maior a produtividade de matéria seca e a qualidade nutricional de uma forrageira, mais exigente em nutrientes e correto manejo ela é.

4 – Não enterrar ou enterrar a semente a uma profundidade excessiva

No momento do plantio, cada tipo de semente necessita ser enterrada no solo em uma profundidade adequada.
Quando enterrada muito profundamente, seja com a grade ou com plantadeira, esta necessita de toda sua energia para que a muda consiga apenas sair do chão, porém, quando consegue, já possuirá pouca energia para continuar seu desenvolvimento até ter folhas para absorver mais energia.

Torrões, pedras e outros objetos como pedaços de madeira e até mesmo uma camada muito grande de palha atrapalham o desenvolvimento das mudas.

Já quando enterradas muito rasas, ou quando a semente não é enterrada, estas ficam expostas ao sol, o que ocasiona morte do embrião por excessiva desidratação ou até mesmo “cozimento”, ficam também expostas ao ataque de pássaros, formigas e outros animais que consomem as sementes, além de não terem o contato solo-semente necessário para um bom desenvolvimento de raízes.

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Foto: Fabrício Tillmann

Desta forma, se cada item deste citado tingir uma porção das sementes plantadas, quando contabilizamos tudo, mais da metade das sementes perdeu sua viabilidade no caminho entre germinar e se desenvolver.

5 – Não controlar as plantas invasoras e pragas

As plantas invasoras, dificultam a formação de uma pastagens por dois principais motivos: Competem por espaço, luz, água e nutrientes, e em alguns casos agem sobre as forrageiras com efeitos alelopáticos, ou seja, produzem toxinas que afetam as raízes da planta forrageira provocando diminuição no crescimento e até sua morte.

Da mesma forma, as pragas, quando não controladas, podem destruir completamente uma pastagem recém formada em pouco tempo, principalmente quando se trata de formigas cortadeiras e lagartas, ou a médio e longo prazo quando se trata de Cigarrinhas e percevejos.

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Foto: Fabrício Tillmann

Desta forma, é necessário que já no momento do plantio seja dada atenção redobrada na cultura para perceber a presença de plantas invasoras e pragas e que seja feita o controle eficaz no momento correto quando necessário.

Depois de formada a pastagem, se bem manejada, poucas plantas invasoras irão nascer, principalmente se o solo estiver bem coberto pela forrageira, pois a luz solar sobre o solo é fator determinante para o nascimento destas. Além disso, o próprio manejo da pastagem (corte e rebrota) faz com que, ao longo dos anos as plantas invasoras desapareçam em grande parte, retornando apenas quando há falhas no manejo como por exemplo utilização excessiva do pasto.

Agora você já sabe 5 coisas que não pode errar daqui pra frente!
Se você está pensando em formar uma pastagem, fale com um profissional que irá te conduzir para obter bons resultados.

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Zootecnista pela Universidade Federal de Santa Catarina, Consultor Agropecuário, possui experiência em conservação de forragens, formação manutenção e manejo de pastagens, e planejamento estratégico de propriedades rurais. (38) 99128-2392