AGI Brasil nacionaliza tecnologia de silos com investimento de R$ 15 milhões

Aporte inclui novo centro de desenvolvimento, nacionalização de sistema e produção de componentes estratégicos no Brasil, reduzindo a dependência de importações e ampliando a eficiência no armazenamento de grãos

O agronegócio brasileiro atravessa uma rápida transformação tecnológica, impulsionada pela necessidade de aumentar a eficiência, reduzir perdas e agregar inteligência à gestão da produção. Nesse contexto, a AGI Brasil, uma das principais fornecedoras de soluções para armazenamento e movimentação de grãos no país, anunciou um investimento de R$ 15 milhões para ampliar sua operação nacional e consolidar a produção brasileira do BinManager®, seu sistema de monitoramento digital e automação preditiva para silos.

A iniciativa representa um passo estratégico para reduzir a dependência de componentes importados, fortalecer a indústria nacional e adaptar a tecnologia às condições específicas das regiões produtoras brasileiras.

O aporte contempla a inauguração de um novo centro de desenvolvimento, prevista para o início do segundo semestre deste ano, que será responsável tanto pela fabricação de componentes críticos quanto pelo desenvolvimento de soluções de engenharia voltadas ao mercado brasileiro.

Tecnologia desenvolvida para as condições do Brasil

O projeto prevê a nacionalização da produção e da inteligência do BinManager®, incluindo a fabricação local de componentes como os cabos de termometria e a adaptação dos algoritmos de software às diferentes condições de temperatura e umidade encontradas nas principais regiões agrícolas do país.

Ao contrário dos sistemas convencionais de monitoramento, que normalmente acompanham apenas a temperatura interna dos silos, o BinManager® utiliza inteligência preditiva para gerenciar o ambiente de armazenamento de forma automatizada.

O sistema monitora simultaneamente as variáveis de temperatura e umidade, tanto internas quanto externas, realizando decisões autônomas para o acionamento dos ventiladores, com o objetivo de preservar a qualidade dos grãos armazenados.

Segundo a empresa, essa abordagem permite transformar o silo em um ativo estratégico e auditável, deixando de ser apenas uma estrutura de armazenamento para atuar como ferramenta de gestão e proteção do patrimônio agrícola.

Investimento amplia engenharia nacional

Para Guilherme Kariya, Diretor de Operações da AGI Brasil, o mercado brasileiro atingiu um novo estágio de maturidade tecnológica. “O mercado brasileiro atingiu um nível de maturidade em que a tecnologia de ponta não é mais opcional, mas uma ferramenta de soberania e gestão de risco. Ao nacionalizarmos o ‘know-how’ e o suporte, garantimos que a engenharia de precisão atue como o núcleo da inteligência financeira da planta” – destaca o diretor.

Segundo o executivo, o investimento fortalece a autonomia tecnológica do país e aproxima a engenharia das necessidades reais dos produtores brasileiros.

Automação preditiva reduz perdas no pós-colheita

A automação desenvolvida pela AGI Brasil também busca enfrentar um dos principais desafios do agronegócio nacional: as perdas no armazenamento.

De acordo com a Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapós), as perdas pós-colheita podem chegar a 15% do volume total colhido, comprometendo produtividade, rentabilidade e segurança alimentar.

Ao automatizar o controle climático dos silos, o BinManager® busca reduzir significativamente esses prejuízos, mantendo as condições ideais de conservação dos grãos durante todo o período de armazenamento.

Produção nacional aumenta competitividade

Além dos ganhos operacionais, a nacionalização da tecnologia tem impacto direto sobre a cadeia industrial brasileira.

Segundo Guilherme Kariya, o objetivo também é substituir componentes importados por matéria-prima nacional e mão de obra especializada. “Além da segurança técnica, nosso objetivo é aumentar a competitividade da indústria nacional ao substituir componentes importados por matéria-prima local e mão de obra especializada. O sistema é projetado para ser adaptável e compatível com silos de qualquer fabricante ou porte, permitindo que desde o pequeno produtor até grandes operadores logísticos tenham controle total da operação via smartphone.”

Outro diferencial destacado pela empresa é a estrutura de atendimento.

Em caso de intercorrências, a equipe de engenharia instalada no Brasil passará a oferecer suporte técnico durante 24 horas, reduzindo o tempo de resposta e eliminando gargalos provocados pela necessidade de comunicação com equipes internacionais ou pela espera de peças importadas.

Brasil ganha papel estratégico para multinacional

Com o novo investimento, a operação brasileira passa a ocupar uma posição ainda mais relevante dentro da estrutura global da multinacional canadense.

Segundo a AGI Brasil, o país já figura entre os três principais mercados mundiais da companhia. Com a criação do novo laboratório, a unidade brasileira deixa de apenas reproduzir tecnologias desenvolvidas no exterior para assumir um papel de centro de excelência em engenharia aplicada às condições tropicais.

Para a empresa, essa mudança reforça o protagonismo do Brasil no desenvolvimento de soluções voltadas ao armazenamento de grãos e amplia a capacidade de inovação voltada às demandas específicas do agronegócio nacional.

Encerrando o anúncio, Guilherme Kariya reforçou a confiança da companhia no potencial do setor agropecuário brasileiro. “Nossa mensagem ao mercado é clara: apostamos no agronegócio brasileiro como o motor da nossa inovação. Estamos transformando a infraestrutura física em uma plataforma inteligente, segura e essencial para a soberania alimentar e econômica do país” – finalizou.

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