Alimento artificial garante nutrição de abelhas durante adversidades climáticas

Alimento artificial garante nutrição de abelhas durante adversidades climáticas

PARTILHAR
Mel utilizado na alimentação artificial de abelhas deve vir do próprio apiário e oriundo de uma colheita anterior, como forma de evitar surgimento de doenças de outros locais. Foto: Divulgação Shutterstock

As adversidades climáticas, assim como atingem as lavouras de soja, milho ou até mesmo a pecuária, também causam sérios prejuízos para a apicultura, principalmente durante o clima seco, chuvoso ou frio. Nesses períodos, as abelhas com dificuldades para encontrar alimentos naturais ficam desnutridas.

Para se precaver, os apicultores podem adotar a alimentação artificial, conforme orienta a analista de Inteligência Fernanda Bichels, do Sistema de Inteligência Setorial do Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (SIS/Sebrae).

Antes disso, ela destaca que a escassez de “comida” para as abelhas atrapalha o desenvolvimento de suas asas e glândulas, em seu tempo de vida e ainda favorece o surgimento de doenças. A produção de geleia real e a capacidade de postura da rainha também são afetadas pela desnutrição.

“As abelhas se alimentam basicamente do que encontram nas flores. Elas utilizam o néctar para a fabricação do mel, e o pólen é coletado e misturado com algumas de suas enzimas para formar uma massa proteica”, relata Fernanda, em entrevista à equipe SNA/RJ.

A analista de Inteligência explica que as abelhas operárias se alimentam do néctar, do mel produzido e do pólen: “O néctar é a substância aquosa que os vegetais secretam por meio de suas glândulas especializadas, e é fonte de água e carboidratos. O mel é composto principalmente por açúcar, que é transformado em energia, e o pólen é formado por suplementos minerais, vitaminas e proteínas”.

As abelhas rainhas e suas larvas, continua Fernanda, “se alimentam de geleia real, que é composta pela secreção das glândulas hipofaríngeas das abelhas operárias jovens”.

“Em geral, é comum faltar alimento em períodos secos, chuvosos ou frios. Por isso, a nutrição desses insetos é afetada pelas mudanças climáticas em diversos casos, como depois de uma mudança drástica de temperatura, que resulta na diminuição da produtividade da rainha; após uma elevação da temperatura, que pode provocar o aumento da temperatura interna da colmeia, acarretando na diminuição da população e em problemas com o armazenamento de alimento”, pontua a analista de Inteligência do SIS/Sebrae.

Ela ainda destaca outros problemas, como a diminuição no regime de chuvas, que deixa o solo seco, causando a queda na produção do néctar para a alimentação desses insetos. “Os desequilíbrios no clima acarretam na diminuição das floradas, o que impacta diretamente na nutrição das abelhas”, resume.

A ‘COMIDA’ DOS INSETOS

Conforme o relatório “Alimentação artificial de abelhas: opção para combater a desnutrição”, do SIS/Sebrae, para realizar o manejo da alimentação artificial, é necessário conhecer a “comida” das abelhas, que é composta por água, carboidratos (açúcares), proteínas, vitaminas, sais minerais e lipídios (gorduras). Todos esses nutrientes são obtidos pelo consumo de água, mel e pólen das flores.

Sem a natural, a alimentação alternativa pode ser produzida pela combinação dos seguintes elementos, de duas formas diferentes:

* Líquida: usando xaropes, ou caldas, que estimulam o crescimento dos enxames. São originados a partir de alimentos secos, em calda de água, açúcar, glicose e mel;

* Pastosa: obtida a partir da mistura de mel ou xarope ou açúcar invertido e alimentos secos, até obtenção de consistência pastosa. Auxiliam no crescimento e na manutenção do enxame e no estímulo à postura da rainha.

“A nutrição artificial pode ser oferecida em alimentadores coletivos ou individuais. Os coletivos são práticos e não requerem muita manutenção: são cochos grandes colocados a 50 metros de distância do apiário. Os alimentadores individuais podem alimentar uma colmeia, sendo colocado dentro dela, entre quadros ou no fundo. A principal vantagem é a de alimentar e medicar as colmeias mais necessitadas”, destaca o relatório do SIS/Sebrae.

O documento ainda indica algumas receitas líquidas e pastosas, que apresentam os nutrientes necessários às abelhas, como o xarope proteico (uma mistura com 55% de açúcar, 40% de água e 5% de proteína vegetal texturizada – farinha de soja ou levedura de cerveja, por exemplo), e a pasta energética, com mel ou xarope e açúcar mascavo.

De acordo com o SIS/Sebrae, o mel utilizado na alimentação artificial deve ser do próprio apiário e oriunda de uma colheita anterior, para evitar doenças de outros locais.

CONSUMO DE MEL

Quando questionada se poderia haver algum tipo de receio na hora de consumir o mel produzido por abelhas que “comeram” alimentos artificiais, a analista Fernanda Bichels defende a importância de se atentar para o fato de que as abelhas não produzirão um mel à base dos suplementos.

“A alimentação artificial objetiva garantir um enxame forte e, quando chegar à época da florada, para que existam abelhas campeiras suficientes para efetuarem a coleta do néctar. Não há razão para que o consumidor conclua que o mel será artificial”, afirma.

Fernanda pondera, no entanto, que “a qualidade da nutrição decorrente da alimentação artificial vai depender do extremo cuidado com a composição do alimento artificial”. “Se for mal preparado, ele impactará no volume de produção do mel, pois as abelhas estarão enfraquecidas.”

Por equipe SNA/RJ

PARTILHAR