Treinada como apicultora pela UNESCO, a atriz Angelina Jolie integra um programa internacional que capacita mulheres, protege milhões de abelhas e reforça o papel da apicultura na conservação da biodiversidade e na segurança alimentar.
Pouca gente associa Angelina Jolie ao universo da apicultura. Conhecida mundialmente por sua carreira no cinema e por décadas de atuação humanitária, a atriz assumiu, nos últimos anos, um papel estratégico em uma iniciativa internacional voltada à conservação das abelhas e ao fortalecimento da participação feminina na produção rural.
Em 2021, Jolie integrou a primeira turma do programa Women for Bees (Mulheres pelas Abelhas), recebendo treinamento prático em manejo de colmeias no Observatório Francês de Apidologia, na região da Provença, na França. A experiência foi apenas o começo de um projeto muito mais amplo: ela também foi nomeada madrinha da iniciativa criada pela UNESCO em parceria com a marca francesa Guerlain, tornando-se uma das principais vozes na divulgação da importância dos polinizadores para a segurança alimentar mundial.
O Women for Bees nasceu com uma proposta que vai além da preservação ambiental. O programa foi estruturado para formar mulheres apicultoras profissionais, criando oportunidades de empreendedorismo em comunidades inseridas em Reservas da Biosfera reconhecidas pela UNESCO.
Na primeira fase da iniciativa, o plano previa:
- capacitar 50 mulheres de diferentes países;
- instalar 2.500 colmeias;
- contribuir para o repovoamento de aproximadamente 125 milhões de abelhas;
- criar uma rede internacional de mulheres especializadas em apicultura sustentável.
Cada participante recebe treinamento intensivo em:
- biologia das abelhas;
- manejo sustentável de colmeias;
- produção de mel;
- gestão de apiários;
- comercialização;
- empreendedorismo rural.
O objetivo é que essas mulheres retornem às suas comunidades preparadas para transformar a atividade em uma fonte permanente de renda.
A participação da atriz não ficou restrita à divulgação institucional.
Desde sua formação, Angelina Jolie acompanha turmas do programa, visita projetos em diferentes países e participa de ações voltadas à conscientização sobre o papel das abelhas na produção de alimentos.
Ao anunciar sua participação, Jolie resumiu o propósito da iniciativa:
“Quando as mulheres adquirem conhecimento e habilidades, seu instinto é ajudar outras pessoas.”

Segundo a UNESCO, sua atuação ajuda a ampliar a visibilidade global de um tema que normalmente recebe pouca atenção da opinião pública: a conservação dos polinizadores como parte da segurança alimentar do planeta.
Embora muitas pessoas associem as abelhas apenas à produção de mel, seu papel econômico é muito maior.
Os polinizadores são fundamentais para diversas cadeias agrícolas, influenciando diretamente a produtividade de frutas, hortaliças, oleaginosas, café e inúmeras outras culturas.
A própria UNESCO destaca que cerca de 90% das plantas com flores dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais, principalmente insetos. A redução dessas populações compromete ecossistemas inteiros e pode afetar a produção de alimentos em escala global.
No Brasil, onde o agronegócio responde por parcela expressiva da economia, o tema vem ganhando relevância com o avanço de pesquisas sobre:
- conservação de polinizadores nativos;
- integração entre agricultura e biodiversidade;
- produção sustentável;
- recuperação ambiental;
- valorização da apicultura como atividade complementar para pequenos produtores.
Outro aspecto que chama atenção é o modelo de financiamento.
O programa é patrocinado pela Guerlain, tradicional marca francesa de cosméticos pertencente ao grupo LVMH, cuja identidade histórica está ligada às abelhas — símbolo presente na empresa desde o século XIX.
Na prática, a empresa conecta sua estratégia de sustentabilidade à preservação dos polinizadores, investindo em formação profissional, pesquisa e instalação de colmeias em diferentes regiões do mundo.
Essa aproximação entre setor privado, organismos internacionais e comunidades locais é vista como um exemplo de como cadeias produtivas podem incorporar iniciativas de conservação sem se limitar a ações de marketing ambiental.
Desde seu lançamento, o Women for Bees expandiu sua atuação para diversos continentes.
Segundo informações atualizadas da Guerlain, mais de 250 mulheres já receberam capacitação, foram instaladas mais de 3.500 colmeias e a parceria com a UNESCO foi renovada para ampliar o projeto em novos países.

A iniciativa demonstra como a apicultura pode atuar simultaneamente em diferentes frentes:
- conservação ambiental;
- geração de renda;
- empreendedorismo feminino;
- fortalecimento das economias rurais;
- proteção dos serviços ecossistêmicos essenciais para a agricultura.
A presença de Angelina Jolie certamente ajudou o Women for Bees a ganhar repercussão internacional, mas o legado do programa vai muito além da imagem da atriz.
O projeto evidencia que a proteção das abelhas deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar também uma estratégia econômica e agrícola. Em um cenário de mudanças climáticas, pressão sobre os sistemas produtivos e crescente demanda por alimentos, investir em polinizadores significa investir na própria resiliência do agronegócio.
Para o Brasil — um dos maiores produtores de alimentos do mundo e referência em biodiversidade — experiências como essa reforçam que conservação ambiental, inovação rural e geração de renda podem caminhar juntas, criando oportunidades para produtores, comunidades e futuras gerações.
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