Aprenda como construir as curvas de nível da sua propriedade

Aprenda como construir as curvas de nível da sua propriedade

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Foto: Grupo de Extensão de São Pedro

O terraceamento consiste em criar barreiras de terra em terreno com declive tendo como objetivo reter a água de chuva como também os nutrientes da camada fértil que pode correr morro abaixo causando erosão do solo. Terracear terrenos com declive é uma das formas de manter a terra fértil e produtiva, pois recuperar um solo degradado pode ser muito oneroso para o produtor.

A necessidade desse vídeo com explanação passo a passo decorreu da observação, sobretudo em áreas de recente instalação da monocultura de milho, no estado de Sergipe, de que muitos produtores realizam o plantio “morro abaixo”. O trator ara as linhas iniciando na parte alta do morro e termina na porção baixa. Esse tipo de plantio traz consequências desastrosas porque cria caminhos por onde a água percorre, ganha velocidade e acumula o solo morro abaixo, “lavando” a parte fértil e causando erosão chegando até os córregos e rios, causando assim assoreamento.

O terraceamento consiste em criar barreiras de terra para reter a água de chuva e nutrientes – Foto: imagem animação gráfica

Produzida de forma didática e atraente pelo Núcleo de Comunicação Organizacional da Embrapa Tabuleiros Costeiros, a animação gráfica mostra os cinco passos necessários para o próprio produtor rural, com trator e arado de três discos, terracear o seu terreno com declive acima de 1%, mostrando como fazer de forma simples inclusive os cálculos de declividade, definição da textura do solo, distância entre os terraços e como preparar o terraço com trator e arado.

O passo a passo é resultado do projeto ConservaSolo, liderado pelo pesquisador Lauro Rodrigues Nogueira Junior, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, que visa estimular extensionistas rurais, multiplicadores e produtores rurais para as boas práticas agrícolas visando à conservação do solo. O projeto contempla também a reintrodução de áreas degradadas ao sistema produtivo, a conservação de áreas com espécies florestais, como mata ciliar e reserva legal além de pesquisas participativas e aplicadas.

Plantio morro abaixo faz chuva “lavar” o solo, levar nutrientes da camada fértil, causa erosão de onerosa recuperação além de assorear os rios e córregos
Plantio inadequado.Trator arando o solo morro abaixo. Recomendável o terraceamento com curva de nível antes do plantio

Pesquisadores constataram áreas degradadas ou em processo de degradação no Território da Cidadania “Sertão Ocidental”, em Sergipe, que abrange áreas totalizando 668 mil hectares em 19 municípios, principalmente em Carira, Frei Paulo, Itabaiana, Lagarto, Nossa Senhora Aparecida, Pedra Mole, Pinhão, Poço Verde, Ribeirópolis e Simão Dias onde se instalou rapidamente a monocultura de milho sem os cuidados adequados de conservação de solo.

Na avaliação mundial da degradação do solo, o desmatamento ou remoção da vegetação natural, o superpastejo e as atividades agrícolas, somados, representam 92% dos fatores de degradação dos solos. Entre os processos de degradação induzidos pelo homem cita-se a compactação, a erosão acelerada, a desertificação, a salinização, a lixiviação e a acidificação.
Uso de outros implementos que facilitam a construção das suas curvas de nível / Foto: votunews.com
De acordo com o pesquisador Lauro Nogueira, a intensificação do uso de máquinas pesadas, como a grade aradora (gradão ou grade holme) e uso indiscriminado de insumos agrícolas (herbicidas e inseticidas) têm levado a graves problemas, como perda da camada superficial do solo pela erosão, redução da capacidade produtiva e da capacidade de retenção de água do solo, assoreamento e contaminação de mananciais e degradação ambiental (solo, flora e fauna).
Ivan Marinovic Brscan via Embrapa