Arroba despenca 7,30% com frigoríficos “metendo a faca”

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Mais um dia de queda nos preços da arroba, as indústrias aguardam a retomada das exportações e, enquanto isso, vão “metendo a faca” nos preços!

O mercado físico de boi gordo registrou preços de mais baixos a estáveis nesta terça-feira, 14, a depender da praça pecuária analisada. Segundo os dados obtidos, houve tentativas de compra abaixo da referência média em diversas localidades, momento em que as indústrias frigoríficas vão “metendo a faca” nos preços do boi gordo.

A debandada da China em relação ao caso atípico de EEB vem cobrando o seu preço. As plantas frigoríficas exportadoras seguem remanejando seus abates, no aguardo de uma definição do atual cenário. Diante disso, a tendência é que os frigoríficos sigam exercendo pressão sobre os preços do mercado enquanto não acontecer a retomada das exportações.

Os frigoríficos paulistas abriram as compras pressionando o mercado. A cotação de referência para o boi gordo recuou R$1,00/@. Para a vaca e novilha gordas as quedas foram de R$2,00/@, na comparação diária. Contudo, com poucos negócios concretizados.

Ainda segundo a Scot Consultoria, o boi, vaca e novilha gordos estão sendo negociados em R$307,00/@, R$290,00/@ e R$305,00/@, respectivamente, preços brutos e a prazo. 

O Indicador do Cepea voltou apresentou grande desvalorização e os valores saltaram de R$ 310,60/@ para o patamar de R$ 303,10/@, uma queda de 7,30% no comparativo diário. O Indicador observou uma grande oscilação na média móvel do Indicador, que nos últimos 30 dias chegou a saltar de R$ 319,90 para o patamar de R$ 303,10 e impôs uma redução de quase R$ 16,00/@!

Em São Paulo, o valor médio para o animal terminado apresentou uma média geral a R$ 294,92/@, na terça-feira (14/09), conforme dados informados no aplicativo da Agrobrazil. Já a praça de Goiás teve média de R$ 273,67/@, seguido por Mato Grosso Sul com valor de R$ 310,36/@.

Além disso, a Agência Safras diz que a decisão da Arábia Saudita de suspender a compra de cinco unidades frigoríficos de Minas Gerais gera apreensão, não pela importância dos sauditas na compra de carne bovina brasileira, e sim pela possibilidade de outros mercados adotarem medidas semelhantes.

Cada vez mais os frigoríficos brasileiros se encontram fora das compras de gado, conforme a adoção de férias coletivas aumentam, em função da mínima demanda internacional, entretanto e as expectativas de dificuldade de escoamento no mercado interno, devido ao menor poder aquisitivo da população neste período do mês.

“Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil, as indústrias frigoríficas não apresentam grande urgência para adquirir animais, em função dos avanços nas escalas de abate, que se encontram entre 10 e 11 dias, encerrando este mês de setembro”, relata a IHS.

Na B3, o contrato com vencimento para outubro/21 passou por desvalorização de -0,56% no comparativo diário e fechou a cotado a R$ 301,95/@.

Exportações avançam mesmo com China fora das compras

Durante a última semana, as exportações brasileiras de carne bovina in natura ganharam força, alcançando uma média diária de 12,41 mil toneladas/dia, o que significou um avanço de 83,1% em relação à média de setembro/20 e 50,4% superior à média diária de agosto/21, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Em números totais, já são 86,88 mil toneladas embarcadas no acumulado das duas semanas de setembro. Como o valor da proteína vermelha recuou 0,52% na última semana, sendo vendida a um preço médio de US$ 5,78 mil/toneladas, a receita gerada no período com as exportações cresceu de maneira mais tímida.

Ainda assim, o valor médio obtido com a venda de carne bovina bateu os US$ 71,85 milhões, 17,46% a mais do que na semana anterior.

No total dos sete dias úteis de setembro/21, o faturamento com os embarques de carne bovina já ultrapassa meio bilhão de dólares, informa Travagini.

Giro do Boi Gordo pelo Brasil

  • Com isso, em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 304 na modalidade à prazo, estável.
  • Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 290, contra R$ 292.
  • Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 304 – R$ 305, contra R$ 306 – R$ 307.
  • Em Cuiabá, o valor fechou em R$ 298 – R$ 299, contra R$ 300 – R$ 301.
  • Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 305 a arroba, contra R$ 306.

Atacado

A carne bovina segue com preços acomodados no mercado atacadista. O ambiente de negócios ainda sugere por pouco espaço para reajustes no curto prazo. A carne de frango ainda conta com a preferência do consumidor médio no Brasil, algo bastante compreensível em meio as notórias dificuldades macroeconômicas.

O quarto dianteiro ainda foi precificado a R$ 16,30. A ponta de agulha também permanece precificada a R$ 16,30, por quilo. Quarto traseiro ainda é precificado a R$ 21,50, por quilo.

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