Arroba despenca quase R$ 20 em sete dias, o que esperar?

Arroba despenca quase R$ 20 em sete dias, o que esperar?

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Os preços da arroba estão com grande pressão baixista e nesse momento, não há elementos que justifiquem uma retomada do movimento de alta do boi gordo.

O mercado físico de boi gordo registrou preços mais baixos nas principais praças de produção e comercialização do país nesta sexta-feira, 4. Os preços seguem com grande pressão baixista, sustentado pela menor demanda na ponta consumidora e redução das escalas de abate nas indústrias. Os preços saltaram de R$ 270 para o patamar de R$ 250 no sul mato-grossense. E agora, o que esperar do mercado?

Nesta primeira semana de dezembro, foi verificado uma menor liquidez de negócios com boiadas ao longo desta semana, refletindo a oferta restrita de animais terminados e, sobretudo, a posição de cautela adotada pelas industrias frigorificas.

Em São Paulo, o valor médio para o animal terminado chegou a R$ 268,72/@, na sexta-feira (04/12), conforme dados informados no aplicativo da Agrobrazil. Já a praça de Goiás teve média de R$ 260,43/@, seguido por Mato Grosso Sul com valor de R$ 253,63/@.

Ainda segundo o app, os preços na praça paulista estão variando de R$ 265,00 a R$ 276,00/@. O recuo nos preços nos últimos sete dias chega a R$ 20,00/@, uma verdadeira “ladeira abaixo” no mercado do boi gordo!

Já o Indicador do Cepea, acompanhando a pressão do mercado, fechou a semana com uma desvalorização de 4,28% cotado ao patamar de R$ 271,00/@ para praça paulista.

Segundo a Scot Consultoria, em relação à vaca gorda, os preços estão estáveis, cotada em R$255,00/@, preço bruto e à vista. A cotação da novilha gorda para abate caiu 0,7% ou R$2,00/@, e está sendo negociada em R$266,00/@, nas mesmas condições.

Giro do Boi Gordo pelo Brasil

  • Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 269 a arroba, ante R$ 273 a quinta-feira.
  • Em Uberaba, Minas Gerais, os valores ficaram em R$ 267 arroba, contra R$ 270 – R$ 271 a arroba.
  • Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, os preços ficaram em R$ 257 a arroba, ante R$ 259.
  • Em Goiânia, Goiás, o valor indicado foi de R$ 260 a arroba, estável.
  • Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço ficou em R$ 256 a arroba, contra R$ 258.

Escalas de abate

Segundo a Agrifatto, as programações de abate encerraram a primeira semana de dezembro alongadas, atendendo na média nacional 8 dias úteis. Enquanto isso, os preços passam por baixas na maioria das praças analisadas.

  • Em São Paulo, as escalas encerram a sexta-feira com 9,0 dias úteis, acima da média anual, registrada em 7,0 dias úteis.
  • Dentre as praças analisadas, em Mato Grosso do Sul as programações são as mais alongadas, com algumas plantas frigoríficas com as datas fechadas até o final deste mês. Na região, as programações fecharam o dia com 10,0 dias úteis, também acima da média parcial dos últimos doze meses (4,4 dias úteis).
  • Cenário parecido é visto em Mato Grosso, com as indústrias encerrando os trabalhos com 8,3 dias úteis, acima da média parcial anual (5,0 dias úteis).
  • Em Minas Gerais e Goiás, a semana encerrou com 7,0 dias úteis em ambas as regiões, sendo maiores que a média parcial anual, balizada em 6,0 dias úteis.

Exportações

Em relação ao comportamento futuro da exportação da proteína vermelha, o clima também é de certa incerteza. As indústrias exportadoras brasileiras alegam que a China já vem regulando o fluxo de novos negócios e isso acendeu um sinal de alerta dos vendedores, observa a IHS Markit, acrescentando que, tradicionalmente, o país asiático costuma tirar o pé das compras internacionais de proteína no período que antecede o ano novo chinês. As quedas no dólar frente ao real também devem gerar espaço para renegociação de contratos com os importadores, observa a IHS.

No acumulado de janeiro a novembro de 2020, foi embarcado o volume recorde de 1,58 milhão de toneladas, 11,3% superior ao mesmo período de 2019. Em termos de receita, os números também foram recordes no acumulado do ano, totalizando US$ 6,8 bilhões, 17,3% superior ao montante obtido no mesmo período de 2019.

O que esperar do mercado

A indústria continua a limitar o fluxo de suas aquisições e operar com a capacidade de abate reduzida, já que o mercado atacadista da carne bovina ainda parece um pouco indefinido.

Muitos frigoríficos se ausentaram da compra de gado, avaliando as melhores estratégias para aquisição de boiadas no curto prazo. A expectativa é que a retomada das negociações aconteça em patamares ainda mais baixos na próxima semana.

Um ponto positivo é que a oferta permanece restrita e é o fator de limitação mais importante neste momento, impedindo uma maior agressividade de queda.

Atacado

No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguiram acomodados. Conforme Iglesias, novos relatos vindos da China geram apreensão no mercado, com autoridades locais indicando para a presença do coronavírus em um lote de carne suína brasileira. “Porém, não foi mencionado em que etapa do trajeto houve contaminação. Além disso, não há comprovação que o coronavírus possa ser transmitido via proteína animal congelada ou mesmo através de embalagens”, disse ele.

Com isso, o corte traseiro seguiu em R$ 19,85 o quilo. O corte dianteiro teve preço de R$ 15,80 o quilo, estável e a ponta de agulha permaneceu em R$ 15,40 o quilo.

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