Arroba do boi gordo mantém alta e mercado aposta em novos avanços com oferta restrita

Escassez de animais para abate continua sustentando os preços da arroba, enquanto exportações seguem fortes e mercado chinês dá sinais de recuperação gradual.

A arroba do boi gordo encerrou mais um dia de valorização nesta quarta-feira (30), reforçando o cenário de firmeza que domina o mercado pecuário nas últimas semanas. A oferta limitada de animais terminados continua pressionando a indústria frigorífica, que enfrenta dificuldades para completar suas escalas de abate, enquanto as exportações seguem sustentando o otimismo do setor.

Segundo levantamento da Agrifatto, o destaque do dia foi o Pará, onde a arroba avançou 0,62%, alcançando média de R$ 331,30.

No mercado futuro, a tendência também foi positiva. O contrato do boi gordo com vencimento em setembro de 2026, negociado na B3, fechou em alta de 0,67%, cotado a R$ 353,30 por arroba, refletindo a expectativa de continuidade do mercado firme.

O fundamento mais importante para a valorização da arroba permanece inalterado: a baixa disponibilidade de bovinos prontos para o abate.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, embora o número de negociações tenha diminuído ao longo do dia, diversos negócios continuam sendo fechados acima das referências médias.

A indústria frigorífica segue operando com escalas entre cinco e sete dias úteis, patamar considerado apertado diante da necessidade de abastecimento das plantas.

A menor oferta de animais foi uma característica marcante durante todo o mês de julho e permanece sustentando a recuperação dos preços em praticamente todas as regiões produtoras.

As referências médias desta quarta-feira ficaram em:

  • São Paulo: R$ 349,58/@
  • Goiás: R$ 329,46/@
  • Minas Gerais: R$ 326,76/@
  • Mato Grosso do Sul: R$ 334,55/@
  • Mato Grosso: R$ 326,35/@

China melhora preços, mas compras seguem limitadas

O mercado chinês também apresentou sinais positivos para os exportadores brasileiros.

De acordo com a Agrifatto, os importadores chineses voltaram a fechar negócios com preços mais elevados e demonstraram maior interesse por alguns cortes bovinos.

Entretanto, a recuperação ainda ocorre de forma gradual.

Os cortes do dianteiro brasileiro permanecem praticamente sem novos negócios em razão do esgotamento da cota de importação e da incidência da salvaguarda tarifária de 55%. A expectativa do mercado é que esse segmento volte a ganhar ritmo apenas no último trimestre do ano, quando compradores começarão a negociar volumes referentes à cota de 2027.

Mesmo assim, a melhora dos preços negociados na China é vista como um sinal importante para a cadeia exportadora.

Mercado deve seguir firme nas próximas semanas

Para Hyberville Neto, diretor da HN Agro, o cenário continua favorável para o pecuarista.

Segundo o analista, a combinação entre oferta restrita de animais, escalas curtas dos frigoríficos e recuperação gradual das exportações cria condições para que a arroba permaneça sustentada, com possibilidade de novas valorizações no curto prazo.

Embora os embarques para a China tenham perdido parte do ritmo em função da limitação das cotas, o desempenho geral das exportações continua robusto.

Nos primeiros 18 dias úteis de julho, o Brasil embarcou, em média, 10,8 mil toneladas de carne bovina por dia, volume 9,9% inferior ao observado no mesmo período do ano anterior — que havia estabelecido uma base recorde.

Por outro lado, o preço médio da carne exportada aumentou 14,8%, permitindo um crescimento de 3,4% na receita diária das exportações.

Segundo a HN Agro, mesmo que as compras chinesas permaneçam mais moderadas nos próximos meses, parte dessa demanda tende a ser compensada pelo crescimento das vendas para outros mercados e pela elevada competitividade da carne bovina brasileira no cenário internacional.

Agosto pode trazer mais força para a arroba

No mercado doméstico, a expectativa também é positiva.

Hyberville Neto destaca que a disponibilidade de bovinos continua limitada porque muitos pecuaristas reduziram o volume de animais confinados ao longo do ano diante das incertezas envolvendo as exportações.

Ao mesmo tempo, os custos mais competitivos da alimentação deverão estimular um aumento gradual da oferta de animais no segundo semestre, sem provocar excesso de oferta no curto prazo.

Outro fator que pode favorecer a arroba é a recuperação do consumo interno.

Com o início de agosto, o pagamento de salários e a maior circulação de recursos na economia — intensificada pelo período eleitoral em diversos municípios — a expectativa é de aumento da demanda por carne bovina, levando frigoríficos a intensificar novamente as compras.

Perspectiva segue positiva para o pecuarista

Após um mês de recuperação consistente, o mercado do boi gordo entra em agosto sustentado por fundamentos considerados sólidos.

A oferta reduzida de animais continua limitando a atuação dos frigoríficos, enquanto o mercado internacional começa a apresentar sinais de melhora, mesmo diante das restrições temporárias nas compras chinesas.

Se a demanda doméstica confirmar a recuperação esperada nas próximas semanas e as exportações mantiverem o bom nível de receita, a tendência é que a arroba permaneça firme, com espaço para novas altas no curto prazo.

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