Escalas curtas, oferta restrita de animais terminados e negociações acima da referência voltam a sustentar o mercado do boi gordo. Enquanto frigoríficos ainda enfrentam dificuldades para comprar boiadas, consultorias avaliam que o movimento de recuperação da arroba pode ganhar força nas próximas semanas.
Depois de semanas marcadas por pressão baixista, o mercado físico do boi gordo iniciou esta semana com um cenário mais favorável ao pecuarista. Em diversas regiões do País, frigoríficos seguem encontrando dificuldades para completar as escalas de abate, o que mantém negócios sendo fechados acima das referências médias e fortalece o poder de negociação do produtor.
O movimento é percebido pelas principais consultorias do setor. Enquanto a Scot Consultoria já registra negócios pontuais em R$ 340/@ em São Paulo, a Agrifatto avalia que a terceira semana de julho marcou o início de uma fase de sustentação das cotações. Já a Safras & Mercado alerta que o mercado interno ainda enfrenta consumo enfraquecido, embora a oferta limitada continue dando suporte aos preços.
Mercado encontra sustentação com oferta limitada
A principal explicação para a recuperação da arroba continua sendo a menor disponibilidade de animais prontos para o abate.
Mesmo com parte da indústria tentando conter novos reajustes, frigoríficos encontram dificuldades para alongar as escalas, obrigando algumas plantas a aceitar preços superiores às referências oficiais.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi gordo comum em São Paulo avançou para R$ 335/@, enquanto há relatos de negociações chegando a R$ 340/@, embora esse valor ainda não represente a referência predominante do mercado. A vaca permanece em R$ 310/@ e a novilha em R$ 325/@. Um detalhe importante é que, neste momento, praticamente desapareceu o prêmio pago pelo chamado “boi China”, já que o animal habilitado também está cotado em R$ 335/@.
Agrifatto vê início de nova fase para a arroba do boi gordo
A leitura da Agrifatto também mudou nos últimos dias.
Na avaliação da consultoria, a queda de braço entre pecuaristas e frigoríficos passou a favorecer o produtor, permitindo pequenos reajustes positivos nas negociações.
A empresa destaca que:
“A terceira semana de julho de 2026 aparenta ter marcado o início de uma fase de sustentação para as cotações do boi gordo.”
O Indicador Datagro encerrou a última sexta-feira em R$ 337,74/@ para São Paulo, acumulando valorização de aproximadamente 2% em relação à semana anterior.
Mesmo assim, as escalas nacionais permanecem relativamente confortáveis, girando em torno de seis dias úteis, fator que ainda limita movimentos mais fortes de alta.
Safras alerta para exportações mais lentas
Apesar da melhora no mercado físico, a Safras & Mercado chama atenção para um fator que pode reduzir parte do fôlego da alta.
Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, os embarques brasileiros apresentam desaceleração ao longo de julho, reflexo do esgotamento antecipado da cota destinada ao mercado chinês.
Ao mesmo tempo, o especialista observa que o consumo doméstico segue pressionado, especialmente durante a segunda quinzena do mês, período tradicionalmente mais fraco para o varejo.
Cotações médias da arroba em nove estados
Levantamento do Indicador Datagro mostra que São Paulo segue liderando entre as principais praças acompanhadas:
- São Paulo: R$ 337,17/@
- Mato Grosso do Sul: R$ 334,59/@
- Minas Gerais: R$ 323,73/@
- Goiás: R$ 322,40/@
- Pará: R$ 320,44/@
- Mato Grosso: R$ 319,72/@
- Tocantins: R$ 314,97/@
- Rondônia: R$ 313,74/@
- Bahia: R$ 308,69/@
O que esperar da arroba agora?
O mercado entra na reta final de julho com sinais de equilíbrio mais favoráveis ao pecuarista.
De um lado, a menor oferta de animais terminados continua dificultando a compra por parte dos frigoríficos. De outro, o enfraquecimento das exportações para a China e o consumo interno mais lento impedem uma aceleração mais intensa das altas.
Na avaliação das consultorias, o cenário mais provável para as próximas semanas é de valorização gradual da arroba, sustentada pela restrição de oferta, sem espaço, ao menos por enquanto, para movimentos explosivos de alta.
Para o produtor, a recomendação continua sendo acompanhar diariamente as negociações regionais, já que negócios pontuais acima da referência oficial vêm se tornando cada vez mais frequentes em algumas praças.
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