Arroba subindo a R$ 310 e boi sumindo, e agora?

Arroba subindo a R$ 310 e boi sumindo, e agora?

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Preços seguem disparando pelo país, Indicador do Cepea atinge novo recorde e indústria fica em alerta quanto ao mercado interno. Confira!

O mercado físico de boi gordo segue com preços firmes. Segundo o levantamento realizado, os preços seguem a R$ 300/@ para o boi comum e o ágio pelo Boi China de até R$ 15/@. Apesar dos altos valores ofertados pela indústria, não há grandes lotes disponíveis no mercado para a negociação, o que limita qualquer movimento de baixa nesse momento por parte dos frigoríficos.

Embora as escalas de abate das indústrias continuem bastante curtas, a ordem agora é não sair comprando boiada, pois o escoamento da carne bovina no mercado interno segue bastante fraco, enquanto as exportações perderam um pouco de força neste início de fevereiro.

Segundo a Scot Consultoria, as cotações das fêmeas destinadas ao abate também se mantiveram estáveis. Os negócios ocorrem em R$ 284,00/@, preço bruto e a prazo, para a vaca gorda e R$ 292,00/@, preço bruto e a prazo, para a novilha gorda.

Em São Paulo, o valor médio para o animal terminado chegou a R$ 304,40/@, na terça-feira (09/02), conforme dados informados no aplicativo da Agrobrazil. Já a praça de Goiás teve média de R$ 289,85/@, seguido por Mato Grosso Sul com valor de R$ 285,32/@.

Destaque do dia ficou para as Novilhas comercializadas em Orlândia/SP, onde o preço chegou a R$ 295,00/@, com o pagamento à vista e abate programado para o dia 16 de fevereiro. Já o Indicador do Cepea voltou a quebrar o recorde nominal e fechou o dia cotado a R$ 302,20/@ após uma valorização diária de 0,7%.

Outro destaque importante é que a indústria que atende o mercado de exportação já está pagando um ágio de até R$ 15/@ para garantir a matéria prima (animal mais jovens, com até 30 meses de idade) e conseguir cumprir os seus contratos.

A demanda interna de carne bovina ainda atua como um importante limitador neste momento, avaliando o fraco desempenho das exportações durante a primeira semana de fevereiro somado ao quadro de descapitalização do consumidor médio que impossibilita um movimento mais robusto da carne no atacado.

Neste contexto, as indicações de compra de boiadas gordas já não mostram um comportamento majoritariamente altista entre as praças pecuárias brasileiras, acrescenta a consultoria. Assim, sem muito espaço para novas altas, os preços da arroba estacionaram em grande parte das regiões do Brasil.

Exportações

Já em relação as vendas externas de carne bovina, na primeira semana de fevereiro (5 dias uteis), o Brasil registrou embarques de 23,55 mil toneladas do produto in natura, resultando numa média diária de 4,71 mil toneladas/dia, volume 12,12% inferior ao computado em janeiro/21, e recuo de 23,32% quando comparado ao resultado registrado no mesmo período no ano passado (6,14 mil toneladas/dia), segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A receita se manteve praticamente estável, alcançando um valor total no período de US$ 106,56 milhões. O preço pago pela tonelada na primeira semana de fevereiro foi de US$ 4,52 mil/t, um pequeno reajuste positivo de 0,31% quando comparado ao mês anterior e um avanço de 2,17% sobre o valor de fevereiro/20.

Giro do Boi Gordo pelo Brasil

  • Em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou a R$ 305, ante R$ 304 na segunda-feira, 8.
  • Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 290, inalterado.
  • Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 294, estável.
  • Em Cuiabá, a arroba ficou indicada em R$ 293, ante R$ 291.
  • Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 301, ante R$ 300.

Atacado

No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem acomodados. Conforme Iglesias, o cenário da demanda ainda impõe barreiras em relação à continuidade do movimento de alta da carne bovina.

A descapitalização do consumidor médio amplia a demanda por proteínas mais acessíveis, enfaticamente a carne de frango. A carne suína também ganha relevância após a queda dos preços evidenciada no decorrer da segunda quinzena do mês, ganhando competitividade frente aos cortes nobres bovinos.

Com isso, o corte traseiro permaneceu em R$ 20,80 o quilo. O corte dianteiro teve preço de R$ 15,60 o quilo, enquanto a ponta de agulha seguiu em R$ 15,60 o quilo.

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