Por um lado, o baixo desempenho do escoamento da carne e estoques confortáveis desestimularam as compras. Mas, do outro, os pecuaristas aguardam melhores preços do boi gordo para fechar negócios
Nesta quarta-feira, 22, o mercado físico do boi gordo encerrou com alta na maioria das praças monitoradas pelas principais consultorias que acompanham o mercado pecuário diariamente. Entretanto, é importante ressaltar que as altas não possuem tanta intensidade como aquela observada na primeira quinzena do mês. Dessa forma, os preços do mercado interno e escoamento lento para o período são fatores que enfraquecem o movimento otimista de novas altas, deixando o mercado sem direção.
Segundo o consultor de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o grande ponto que travou os índices da arroba é o enfraquecimento dos valores da carne no mercado interno. Com isso, continua a consultoria, os patamares ficaram estáveis no comparativo com a terça-feira.
“O baixo desempenho do escoamento da carne e estoques confortáveis desestimularam as compras”, afirma a Scot. No lado de dentro das porteiras, os pecuaristas aguardam melhores preços para fechar negócios, acrescenta a consultoria.
Para a Agrifatto, o destaque positivo foi para Rondônia que registrou um incremento de 0,57% e o boi gordo ficou cotado a R$ 280,98/@. Em contrapartida, Minas Gerais foi, pelo segundo dia consecutivo, a praça que mais desvalorizou (-0,41%) e o boi gordo fechou o dia a R$ 317,81/@.
Para a consultoria, diante da negociação “da mão para a boca” e da pressão reduzida sobre os pecuaristas, os preços do animal terminado permaneceram inalterados nesta semana. “A escassez de oferta (de boiadas gordas) se tornou ainda mais evidente, com o volume negociado sendo apenas suficiente para garantir o atendimento das escalas de seis dias, na média nacional”, afirma a Agrifatto.
Com isso, o preço médio do boi gordo em São Paulo permaneceu em R$ 335/@ (mesmo valor para o boi “comum” e o “boi-China”, de acordo com apuração da Agrifatto).
Nas demais 16 regiões monitoradas pela consultoria, a média de preço do animal terminado subiu para R$ 305,30/@. “Três das 17 praças monitoradas valorizaram a arroba (MA, RJ e TO); as outras 14 mantiveram suas cotações laterais”, ressalta a Agrifatto.
Já para o mercado futuro, a Agrifatto apontou que na B3 o pessimismo se instalou em todos os vencimentos, com o fev/25 registrando queda de 2,02% e encerrando o dia a R$ 322,25/@.
Exportações em bom ritmo, mas com preocupações no radar
No mercado internacional da carne bovina, com a proximidade do Ano Novo Chinês, o mercado na China está em um ritmo mais lento, com as negociações desacelerando. O dianteiro bovino brasileiro está cotado a US$ 4.800/t, embora esse valor não seja atrativo para muitos exportadores brasileiros. Os importadores chineses, por outro lado, estão se apoiando em estoques bem abastecidos, consumo fraco e a desvalorização do yuan para “segurar” novos pedidos em larga escala.
Esse cenário indica que os chineses devem aguardar o término das comemorações para definir novas estratégias de compra, o que nos desafia a manter a flexibilidade e monitorar os movimentos do mercado pós feriado.
Atacado impactando o mercado do boi gordo
O mercado atacadista apresenta preços acomodados no decorrer da semana. Para Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere pela queda das cotações no curto prazo, que devem ocorrer de maneira mais intensa nos cortes do traseiro bovino, pelo padrão de consumo delimitado para o primeiro bimestre.
“A preferência da população ainda recai sobre proteínas de menor valor agregado, a exemplo da carne de frango, embutidos e ovo”, salienta.
O quarto traseiro foi precificado a R$ 26 por quilo. O quarto dianteiro ainda é cotado a R$ 18,50, por quilo. Já a ponta de agulha ainda é precificada a R$ 18,70 por quilo.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 1,40%, sendo negociado a R$ 5,9465 para venda e a R$ 5,9445 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,9157 e a máxima de R$ 6,0202.
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