Artigo: O que ganhamos com o Bem Estar Animal?

Artigo: O que ganhamos com o Bem Estar Animal?

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Bem estar animal
Foto: Divulgação

Diversos estudos visam verificar como e onde se localizam os maiores problemas no manejo dos animais no pré-abate e com isso mostrar melhores resultados

Os Programas de qualidade de carne devem enfatizar mais do que a oferta de produtos seguros, nutritivos e saborosos, há a necessidade de compromissos com a produção sustentável e a promoção do bem estar animal e humano, assegurando satisfação do consumidor e renda ao produtor, sem causar danos ao ambiente (COSTA, 2002).

O Professor Mateus Paranhos, doutor em Bem Estar animal diz o seguinte:

“Não basta eliminar práticas de manejo agressivas que colocam o bem estar animal e da equipe da fazenda em risco, não basta dispor de ótima infraestrutura e pessoas treinadas para realizar o manejo. Boas práticas de bem estar animal é mais que adoção de tecnologias, é mudança de atitude”! Professor Doutor Mateus Paranhos

Com esse foco, diversos estudos visam verificar como e onde se localizam os maiores problemas no manejo dos animais no pré-abate e com isso, mostrar os resultados e alternativas para as melhorias necessárias ao processo como um todo, da fazenda à mesa do consumidor final.

Quanto é perdido em decorrência da falta ou deficiência em bem estar animal?

Os problemas causados por um mau manejo antes do abate resultam em carcaças com hematomas (contusões), presença de cortes escuros nas carnes, reações de vacina e perdas de peso. (PEREIRA E LOPES, 2006)

Em um estudo realizado pela Unesp Jaboticabal, em 2005, em 5 diferentes frigoríficos, do total de animais avaliados, 70% deles apresentavam lesões e em decorrência dessas lesões, em média de 148 gramas de carne em cada animal foram retirados no abate. (ALMEIDA, 2005)

É importante reduzir o estresse dos animais durante a rotina de manejo, pois se sabe, por exemplo, que animais agitados durante o manejo correm mais riscos de acidentes, levando ao aumento de contusões nas carcaças. (PEREIRA E LOPES, 2006)

O transporte é considerado o evento mais estressante para bovinos e no Brasil, sendo esta a principal forma de transporte dos bovinos para o abate.

Devido à alta densidade de carga associada com maior reação de estresse, aumenta o risco de contusão e números de quedas. (BRAGGION E SILVA, 2004)

Em um estudo realizado, falhas no manejo pré-abate resultaram em lesões decorrentes de: falhas na vacinação, com 84 ocorrências (44,68%); falhas no transporte, com 59 ocorrências (31,38%) e outras causas (chifradas, coices, pisoteios, tombos. etc) com 45 ocorrências (23,94%). (BRAGGION E SILVA, 2004)

As regiões mais atingidas em ordem decrescente são: quarto, vazio, costela, dianteiro e lombo. A zona atingida pela contusão tem uma aparência feia e desagradável e, na maioria das vezes, é necessário fazer toaletes causando perda de peso e de seu valor comercial, como também a propensão a contaminações em razão do sangue ser um grande meio para o desenvolvimento microbiano. (PEREIRA E LOPES, 2006)

Quais são os maiores problemas relacionados às práticas de manejo?

Há cinco causas básicas de problemas de bem estar animal nas instalações destinadas ao abate (GRANDIN, 1997, citado por PEREIRA E LOPES, 2006):

  1. Deficiências no desenho (projeto) ou nas características dos equipamentos de atordoamento.
  2. Elementos de distração que atrapalham o movimento animal, tais como reflexos brilhantes no piso molhado, descarga de equipamentos de ar comprimido, ruídos ou sons agudos, saídas de ventilação que lançam correntes de ar contra os animais que avançam. Esses fatores de distração podem atrapalhar o funcionamento de sistemas bem projetados e fazer com que os animais fiquem nervosos. Quando isto acontece, será necessário interferir (bastão, eletrochoque, etc.) para que se movam.
  3. Falhas na capacitação dos empregados e em sua supervisão por parte do pessoal superior.
  4. Falta de manutenção dos equipamentos e instalações, tais como pistolas de atordoamento que falham, pisos desgastados ou lisos (que fazem com que os animais escorreguem ou caiam).
  5. Mal estado dos animais que chegam aos estabelecimentos de abate, tais como os animais doentes ou incapazes de se moverem

Quais são os comportamentos os quais devemos observar nos animais para evitarmos problemas decorrentes de estresse?

É importante que saibamos que os animais possuem 5 domínios:

  1. Nutrição
  2. Ambiente
  3. Saúde
  4. Comportamento
  5. Estados Mentais

A falta ou falha em algum destes domínios geram: privação de alimentos, privação de água, desnutrição, calor, frio, falta de espaço, enfermidades, lesões, restrições comportamentais, fome, sede, dor, ansiedade, medo…

Algumas orientações são necessárias àqueles que desejam maior produtividade, manejo facilitado e maior segurança da equipe que trabalha na Fazenda:

  • Manter as instalações adequadas ao manejo dos animais, evitando extremidades pontiagudas que possam provocar lesões;
  • Movimentar de forma silenciosa os animais;
  • Minimizar o uso de choques elétricos ou bastões na condução dos animais;
  • Carregar o número apropriado de bovinos nos caminhões de transporte;
  • Evitar lotes de bovinos de tamanhos e idades diferentes antes do embarque ou no curral de espera do frigorífico;

E por fim, a orientação mais importante de todas: Quem lidera a equipe na Fazenda, precisa internalizar tanto a teoria, quanto os benefícios das práticas de bem estar animal, porque os resultados virão tanto no bolso quanto na melhoria do dia a dia na lida com os animais.

Fonte: Carne Com Consciência 

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