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Confira uma análise completa sobre melhoramento genético de bovinos e de como as DEPs, PTAs ou DECAs precisam ser olhadas com atenção e critério quando usadas no seu rebanho.

Por José Otávio Lemos*

Os programas de melhoramento devem melhorar-se a cada dia. Claro que não são verdades absolutas. Muitas vezes, um indivíduo bem avaliado, no futuro, com a progênie em uma ou mais gerações tem a sua avaliação em decréscimo em relação à primeira publicada. Ou até mesmo um animal jovem e tendo a sua DEP ou PTA ou DECA publicada como um Top, e nem o seu proprietário sequer tem segurança para usá-lo no seu próprio rebanho. E não existe ainda nenhum programa que contemple todos os fatores que realmente dê “grau de certeza” alto para os acasalamentos tanto para carne como para leite. Especialmente porque um fator de suma distinção, a influência e interação com o meio ambiente, não está sendo computado nos mais conhecidos programas de melhoramento.

Vamos a algumas considerações:

Para os criadores/selecionadores que atuam com uma pressão de seleção mais abrangente nos acasalamentos, e mais ainda objetivando acasalamentos dirigidos para harmonizar, uma régua com divisões inferiores a 10% (tipo DEP ou PTA) de diferenças dos animais possibilita uma amplitude maior para acertos em acasalamentos, e terá como objetivo a melhora do índice total dos mesmos. Quanto aos índices de seleção, independentemente das DEPs utilizadas, cabe ressaltar, que os fatores multiplicativos (ponderadores econômicos) não multiplicam as características (fenótipos produtivos), mas as DEPs para as características.

Portanto, não se sustenta a multifatorial no índice, e sendo as análises das DEPs ainda univariadas. Sem base também a pressão de seleção da expressão dos genes em diferentes ambientes de produção animal, ou mesmo no intra-rebanho (Referência: trabalho do Garrick e Golden 2018 com marcadores em Angus contendo o mesmo gene, e expressando diferentes produções em confinamento e na mesma categoria animal). Portanto, serem apresentadas como a fração somente da genética aditiva em DECAs ou Percentil, tanto faz para a seleção com foco multifatorial, pois não contempla o fenótipo expresso. Observar que no caso específico das DECAs temos problemas sérios de sobreposição de limiares preditivos, mesmo quando o foco é só genético aditivo no ranqueamento dos touros.

A divisão da avaliação em 10 graus oferece vantagens do ponto de vista comercial. Sim, pode facilitar a comercialização. Uma ferramenta para a área de Marketing, com pouca fundamentação estatística e genética. Mas trata-se de uma vantagem indevida, visto que prejudica a clareza sobre os ranqueamentos dos touros; e, principalmente a sua utilização prática. Lembrando o Documento 356 da Embrapa que alerta para a mudança do ranqueamento de touros em diferentes ambientes de produção animal. E novamente as diferentes expressões mesmo dentro do intra-rebanho (Garrick e Golden).

Cada índice com graduação maior que 10, superior a 100, tem um intervalo de índices diferentes e com percentil que permite uma comparação bem mais exata.

A conversão dos índices de cada índice de maior divisão (tipo DEP) em outros de divisão menor (tipo DECA) dificulta a análise de harmonia da régua pormenorizada de qualquer acasalamento e nos obriga a consultar, em cada característica, a tabela de intervalo de índices da menos subdividida para saber como o produto do acasalamento se coloca dentro da própria “análise de 10”. Trabalho possível com um número de animais extremamente pequeno, mas com um lote, por exemplo, de 200 matrizes com 10 ou mais touros diferentes fica inviável ou pelo menos de difícil execução. Por este motivo, as vantagens de ter nos acasalamentos cada índice convertida em percentil facilita muito.

O criador/selecionador que deseja um trabalho de seleção embasado em harmonia de avaliações bem segmentadas, não tendo no programa que participa com o rebanho do mesmo, se vê obrigado a construir um algoritmo de conversão do sistema decimal completo para percentil específico em uma régua mais subdivida. Este algoritmo precisa conter oito equações de regressão linear para as avaliações em 10 índices, que vão da 2 até 9 (uma para cada intervalo de índice), e duas equações de regressões não lineares para o intervalo dos índices que representam a 1 e a 10. Esta operação precisa ser feita em todas as 14 variantes de avaliação e também no índice total. Sem isso, a ferramenta de acasalamentos por sistema eletrônico piora sensivelmente. A complexidade é maior do que a regressão possa resolver

Acredito que os programas de melhoramento precisariam, se usarem um índice em 10 níveis, terem disponível para o criador a régua mais dividida (tipo DEP). Essa opção poderia até ser dada somente nos acasalamentos, e não nas consultas de avaliações dos animais. Pois, a equação de regressão não resolve por completo, visto a complexidade das variáveis dependentes das equações e suas respectivas séries temporais dos efeitos expressos, na forma de diferentes produções animais. Isto sem contar, as combinatórias de acasalamentos, características e os diferentes ambientes de produção animal.

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Zootecnista José Otávio Lemos, produtor rural, jurado e conselheiro técnico da ABCZ e diretor da JOL Empresa Múltipla Assessoria e Consultoria.