Boi brasileiro sobe 32%, mas ainda tem a menor arroba entre 9 países

Levantamento da Agrifatto aponta cotação de US$ 75,30 em São Paulo, 15% abaixo da média ponderada internacional; comparação também inclui a União Europeia

O boi gordo brasileiro segue com a menor cotação em dólar entre nove países monitorados pela Agrifatto, além da União Europeia, mesmo após uma valorização de 32% em 12 meses. Na segunda semana de outubro, a arroba em São Paulo foi cotada a US$ 75,30, segundo levantamento divulgado pela consultoria na quarta-feira (14).

O valor ficou 15% abaixo da média ponderada internacional, de US$ 88,61 por arroba. O resultado mostra que a valorização do animal brasileiro ainda não eliminou a diferença em relação aos demais mercados acompanhados, incluindo concorrentes sul-americanos que também atuam no comércio internacional de carne bovina.

Brasil mantém vantagem de preço sobre os vizinhos

Entre os países do Mercosul, o levantamento aponta a arroba da Argentina a US$ 81,90, a do Paraguai a US$ 81,75 e a do Uruguai a US$ 90,00.

Na comparação com essas referências, o preço brasileiro ficou aproximadamente 8% abaixo do argentino e do paraguaio, enquanto a diferença em relação ao uruguaio chegou a 16,3%.

Essa distância é relevante para a competitividade da cadeia brasileira. O custo de aquisição dos animais participa da formação do preço da carne e influencia as condições de negociação dos frigoríficos no mercado externo.

A cotação mais baixa do boi, porém, não determina sozinha o preço final da carne exportada. Frete, câmbio, tarifas, exigências sanitárias e características dos cortes também interferem na disputa pelos compradores.

Estados Unidos têm a arroba mais cara do levantamento

Na outra ponta da comparação, os Estados Unidos registraram US$ 114,30 por arroba, o maior valor entre os mercados acompanhados. Segundo a Agrifatto, a referência americana acumulou queda de 4,6% em 12 meses.

Mesmo com esse recuo, a arroba dos Estados Unidos ficou 51,8% acima da brasileira, uma diferença de US$ 39,00.

A União Europeia apareceu na sequência, com US$ 111,20 por arroba, seguida pela Colômbia, a US$ 101,60.

Confira as cotações da segunda semana de outubro:

MercadoPreço em US$/arroba
Brasil — São Paulo75,30
Nova Zelândia81,30
Chile81,60
Paraguai81,80
Argentina81,90
Austrália89,00
Uruguai90,00
Colômbia101,60
União Europeia111,20
Estados Unidos114,30
Fonte: Agrifatto. Valores da tabela arredondados para uma casa decimal no levantamento.

O que a diferença representa para o pecuarista

O avanço de 32% em dólar em 12 meses mostra uma recuperação expressiva da referência brasileira. Ainda assim, a permanência na última posição do levantamento indica que o país mantém uma diferença de preço favorável à competitividade internacional de sua cadeia de carne bovina.

Para o produtor, esse cenário ajuda a contextualizar o mercado, mas não garante novas altas da arroba. A formação do preço no Brasil também depende da oferta de animais terminados, das escalas de abate, do consumo interno e do ritmo das compras para exportação.

Outro ponto é que valorização em dólar não equivale necessariamente à mesma alta em reais: o comportamento da taxa de câmbio interfere nessa comparação.

Na negociação dos lotes, a referência internacional funciona como informação complementar. O resultado da fazenda continua ligado ao preço efetivamente recebido, aos custos de produção e à reposição — fatores que determinam quanto da valorização da arroba se transforma em margem para o pecuarista.

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