Os pecuaristas devem considerar estratégias para manter seus estoques de animais, aproveitando os preços mais baixos dos bezerros, principalmente diante das melhores margens de venda da arroba do gado gordo na última semana.
O pecuarista ainda consegue ver pelo retrovisor o cenário das quedas consecutivas em agosto e o período de estabilidade na primeira semana de setembro, onde os preços do boi gordo “comum” (destinado ao mercado interno), do “boi-China” (com prêmio-exportação) e da novilha gorda apresentaram uma das maiores quedas dos últimos anos. Entretanto, na última semana, os preços do de todas as categorias para abate subiram nas principais praças pecuárias pelo país, ultrapassando o valor de R$ 220,00/@ em algumas regiões, representando uma alta de quase 11%.
Segundo analistas, os pecuaristas devem considerar estratégias para manter seus estoques de animais, aproveitando os preços mais baixos dos bezerros, principalmente diante das melhores margens de venda da arroba do gado gordo na última semana.
Fechamento do boi gordo da sexta-feira
O mercado do boi gordo, nesta sexta-feira, foi marcado por um volume pequeno de negócios, quando comparado ao restante da semana. A cotação da arroba do boi gordo ficou estável na comparação diária, a depender da praça pecuária considerada. De toda forma, o movimento dos pecuaristas em cadenciar as vendas de seus animais surtiu efeito e, forçou, diversas indústrias a ofertar mais pelo animal terminado.
O boi destinado ao mercado comum, segue apregoado acima dos R$ 210,00/@, segundo as principais consultorias. No App da Agrobrazil, parceira do Compre Rural, o pecuarista de Alcinópolis, interior de Mato Grosso do Sul, informou preços de R$ 220/@ para abate no dia 19 de setembro.
A arroba do “boi China” – animal jovem abatido com até 30 meses de idade – está sendo negociada em R$220,00, preço bruto e a prazo. Ágio de R$10,00/@. Entretanto, conforme apontaram alguns agentes do mercado, existem negociações acima dessa referência para animais dessa categoria. Lembrando que a China ainda não sinalizou uma retomada mais consistente das negociações.
A novilha gorda está sendo negociada em média a R$200,00/@, também estável na comparação dia a dia. Mas as novilhas que atendem o mercado de exportação são negociadas por até R$ 230,00/@, conforme imagem abaixo, mostrando que essa é a categoria que deverá manter maior nível de valorização neste segundo semestre. Já a cotação da vaca gorda, subiu R$2,00/@, negociada em R$187,00/@, preços brutos e a prazo.

Mercado em alta, hora de pensar no lucro do futuro
O mercado físico do boi gordo está novamente em alta, com preços firmes que superam a média de referência em diversas regiões de produção e comercialização. As escalas de abate estão se tornando mais restritas em estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rondônia, o que aponta para a continuidade do movimento de alta a curto prazo.
O volume de animais ofertados caiu substancialmente nos últimos dias, mantendo um lento avanço das escalas de abate, mesmo após a elevação dos preços da arroba. Conforme o analista e consultor Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a fluidez dos negócios na segunda quinzena de setembro será fundamental para determinar se haverá espaço para a continuidade do movimento de recuperação dos preços da arroba.
De acordo com o analista Lucas Schilling Möller, da Datagro, aconselha os produtores de gado a considerar estratégias para manter seus estoques de animais, aproveitando os preços mais baixos dos bezerros. O mercado futuro indica que a arroba atingirá cerca de R$ 230 em outubro.
Embora seja difícil prever com certeza o comportamento futuro dos preços, a tendência atual sugere que o boi gordo já alcançou seu ponto mais baixo, com perspectivas de estabilidade ou mesmo de aumento nos próximos meses.

Exportações em alta
Até a segunda semana de setembro, a média diária de carne bovina in natura embarcada foi de 14,97 mil toneladas, aumento de 54,9% em relação à média diária registrada em setembro/22, enquanto o preço pago por tonelada está em US$ 4,48 mil, queda de 25,2% na mesma comparação. O faturamento médio diário, em dólares, subiu 15,8% comparado ao mesmo período do ano passado, ficando em US$ 67,18 milhões.
Cenário do boi no atacado
Os preços da carne bovina voltaram a subir no mercado atacadista nesta sexta-feira.
Entretanto, conforme aponta Iglesias, a expectativa é que a demanda diminua ao longo da segunda metade deste mês, o que pode limitar novos aumentos. Além disso, a competitividade da carne de frango e de outras proteínas concorrentes é um fator que pode limitar aumentos mais significativos, de acordo com o analista.
No mercado atacadista, o quarto traseiro foi cotado a R$ 16,10 por quilo, registrando um aumento de R$ 0,20. O quarto dianteiro teve um preço de R$ 12,35 por quilo, com alta de R$ 0,15. Já a ponta de agulha alcançou R$ 12,60 por quilo, com um acréscimo de R$ 0,10.
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