Com a retração da oferta desde o início da semana, o cenário mudou e quatro das dezessete praças acompanhadas registraram valorização da arroba; Esse contexto, mostra que o boi atingiu o “fundo do poço” e os preços buscam valorizações
O mercado físico do boi gordo encerrou a semana trazendo um certo otimismo para o pecuarista brasileiro. Os preços, que vinham em uma onda de desvalorização, acabaram apresentando mudanças no padrão dos negócios em importantes praças pecuárias pelo país. “Comparado à semana anterior, a pressão de baixa sobre os valores da arroba foi menos marcante nesta semana“, apontou a Agrifatto, consultoria especializada que acompanha o mercado.
Ainda de acordo com a consultoria, mesmo no começo da entressafra, período em que normalmente se observa um aumento da oferta e uma redução na demanda, as operações de compra e venda apresentaram um ritmo reduzido em comparação com dias anteriores. Colaborando com as informações, “o ritmo de negociações se tornou menos fluído no decorrer desta semana”, de acordo com análise da consultoria Safras & Mercado, com o pecuarista carregando algum otimismo em meio ao processo de desvalorização cambial.
O total de gado comercializado foi apenas o necessário para sustentar as agendas estabelecidas de doze abates, considerando a média do país. “Com a retração da oferta desde o início da semana, o cenário mudou e quatro das dezessete praças acompanhadas registraram valorização da arroba: MG, GO, PA e TO. Enquanto isso, as outras treze mantiveram seus preços estáveis, porém, firmes e com boa
sustentação”, apontou a Agrifatto em seu relatório diário.
Como sinal, a oferta de gado terminado registrou uma leve diminuição, particularmente no caso de vacas e novilhas, o que pode indicar que os preços alcançaram um ponto baixo e, possivelmente, sinaliza o começo de uma recuperação dos preços no mercado boi gordo, mesmo que lenta, nas semanas seguintes.
Por outro lado, os frigoríficos ainda se deparam com escalas de abate confortáveis, posicionadas em média entre nove e dez dias úteis. Isso permite boa capacidade para suportar mais tempo mantendo os preços atuais, disse o analista da consultoria Fernando Henrique Iglesias.
Para a Scot Consultoria, o boi comum está cotado em R$217,00/@, a vaca em R$195,00/@ e a novilha em R$210,00/@. A arroba do “boi China” está cotada em R$220,00. Ágio de R$3,00/@. Todos os preços são brutos e com prazo. Já o Indicador do Boi Gordo/Cepea B3 continua a apresentar valorizações, mesmo que leves, com preços acima de R$ 221/@ na média.

Já no mercado futuro do boi gordo na B3, segundo a Agrifatto, o contrato com vencimento para junho de 2024 encerrou o dia cotado a R$224,55/@, concretizando uma queda de 0,31% em relação ao dia anterior. “Da mesma forma, o contrato com vencimento para outubro de 2024 fechou valendo R$242,05 por arroba, registrando desvalorização de 1,49% considerando o mesmo comparativo”, apontou.
Mercado Internacional
No contexto global, a China apresentou os números oficiais de abril de 2024, mostrando que o país importou um total de 228 mil toneladas de carne bovina, o que representa uma queda de 7,6% em relação ao mês de março do mesmo ano.
O Brasil, como principal exportador de carne bovina para o mercado chinês, enviou 90,8 mil toneladas, seguido pela Argentina com 44,9 mil toneladas e pela Austrália com 21,5 mil toneladas. Adicionalmente, os registros oficiais chineses indicaram que o país totalizou 1 milhão de toneladas de carne bovina importada de janeiro a abril de 2024, apontou ainda a Agrifatto.
Carne no atacado
O mercado atacadista seguiu com preços acomodados durante esta sexta-feira (14), em uma primeira quinzena bastante fraca em termos de vendas. Mesmo com a entrada dos salários na economia os estoques estão elevados, oferecendo baixa perspectiva de recuperação, analisa a consultoria.
Para a segunda quinzena do mês o cenário geral é ainda mais complicado, considerando o arrefecimento do consumo. O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 17 o quilo. A ponta de agulha segue precificada a R$ 12,50 o quilo. Quarto dianteiro permanece no patamar de R$ 12,50 o quilo.
Preços do boi gordo pelas importantes praças pecuárias do Brasil, segundo a Agrifatto:
- São Paulo — O “boi comum” vale R$210,00 a arroba. O “boi China”, R$225,00.
Média de R$217,50. Vaca a R$195,00. Novilha a R$210,00. Escalas de abates de treze dias; - Minas Gerais — O “boi comum” vale R$200,00 a arroba. O “boi China”, R$208,00.
Média de R$204,00. Vaca a R$180,00. Novilha a R$190,00. Escalas de abate de catorze dias; - Mato Grosso do Sul — O “boi comum” vale R$210,00 a arroba. O “boi China”, R$210,00.
Média de R$210,00. Vaca a R$190,00. Novilha a R$200,00. Escalas de abate de nove dias; - Mato Grosso — O “boi comum” vale R$200,00 a arroba. O “boi China”, R$200,00.
Média de R$200,00. Vaca a R$185,00. Novilha a R$190,00. Escalas de abate de nove dias; - Tocantins — O “boi comum” vale R$200,00 a arroba. O “boi China”, R$200,00.
Média de R$200,00. Vaca a R$175,00. Novilha a R$180,00. Escalas de abate de dez dias; - Pará — O “boi comum” vale R$200,00 a arroba. O “boi China”, R$200,00.
Média de R$200,00. Vaca a R$175,00. Novilha a R$180,00. Escalas de abate de doze dias; - Goiás — O “boi comum” vale R$200,00 a arroba. O “boi China/Europa”, R$208,00.
Média de R$204,00. Vaca a R$185,00. Novilha a R$195,00. Escalas de abate de doze dias; - Rondônia — O boi vale R$185,00 a arroba. Vaca a R$170,00. Novilha a R$175,00.
Escalas de abate de doze dias; - Maranhão — O boi vale R$195,00 por arroba. Vaca a R$175,00. Novilha a R$175,00.
Escalas de abate de doze dias; - Paraná — O boi vale R$210,00 por arroba. Vaca a R$190,00. Novilha a R$200,00.
Escalas de abate de oito dias.
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