O ciclo de alta no mercado do boi gordo se antecipa, e preços sobem a R$ 320/@; A pergunta agora, com a virada do mês chegando, é justamente: o que esperar?
O mercado físico do boi gordo encerrou a última semana semana com elevação nos preços, impulsionando a expectativa de continuidade no ciclo de alta que parecia estar previsto apenas para o próximo ano. Esse movimento surpreendeu o setor pecuário, especialmente com o avanço das cotações em regiões como Norte e Centro-Oeste, onde a valorização se aproximou dos patamares de São Paulo.
Contexto atual do mercado e as razões da alta
Escalas curtas e oferta limitada de animais têm sido fatores determinantes no aumento dos preços. Segundo a consultoria Agrifatto, as indústrias encontram dificuldades para compor suas escalas de abate, o que resulta em programações reduzidas entre 4 e 5 dias úteis em diversas regiões. Essa limitação, aliada ao menor número de bovinos disponíveis para o abate, cria um cenário de baixa oferta e, consequentemente, de alta nos preços da arroba.
O analista Fernando Henrique Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, menciona que as exportações brasileiras seguem fortes, levando o país a um potencial recorde histórico no volume exportado de carne bovina in natura. A média diária exportada até meados de outubro foi de 12,6 mil toneladas, superando em 42,1% o desempenho do ano anterior. Essa demanda aquecida, tanto interna quanto externamente, sustenta a pressão de alta sobre os preços.
A antecipação do ciclo de alta
Especialistas do setor esperavam que o ciclo de alta no mercado do boi gordo fosse se consolidar apenas a partir de 2025. No entanto, a variação de 22,2% nos preços da arroba desde janeiro e a elevação de 14,7% apenas nos últimos dois meses indicam que o movimento foi antecipado. Rodrigo de Mundo, da Scot Consultoria, destaca que a oferta limitada de fêmeas para abate e as condições de pasto ainda inadequadas contribuem para essa redução na oferta de bovinos.
Esse cenário é complementado pela absorção rápida dos animais da segunda rodada de confinamento pelos frigoríficos, o que mantém as indústrias em situação de restrição de oferta.
Escalas de abate por estado
A seguir, apresentamos a situação das escalas de abate nas principais regiões monitoradas até o final desta semana (25/10):
- São Paulo: 7 dias úteis de programação, apresentando o patamar mais elevado entre os estados.
- Rondônia: Escalas de 6 dias úteis.
- Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais, Tocantins e Goiás: 5 dias úteis de programação.
- Mato Grosso: Teve um avanço de 1 dia na escala em relação à semana anterior, chegando a 5 dias úteis.
- Pará: 4 dias úteis, representando uma das programações mais curtas.
A pressão do dólar e o aumento de preços no atacado
Outro ponto de destaque foi a alta do dólar, que fechou a semana cotado a R$ 5,70 para venda. Esse movimento cambial também influencia o mercado, aumentando o valor da carne exportada e potencializando a lucratividade das indústrias voltadas ao mercado externo.
No mercado atacadista, houve alta nas cotações das principais peças de carne bovina. O quarto traseiro registrou alta de R$ 0,10, atingindo R$ 23,30 por quilo, enquanto o quarto dianteiro e a ponta de agulha tiveram aumento de R$ 0,05, com preços a R$ 18,25 e R$ 17,35 por quilo, respectivamente.
Expectativas para o mercado de carne bovina
A projeção é de que os preços continuem a subir na primeira quinzena de novembro, com a expectativa de um aumento na demanda. Porém, a concorrência com outras proteínas, como a carne de frango, pode afetar o consumo da carne bovina, tornando o cenário incerto.
A segunda quinzena do mês geralmente traz desafios para o escoamento da carne, especialmente com o aumento do custo da proteína bovina. No entanto, o volume exportado e a demanda interna podem sustentar o atual patamar de preços, caso a oferta de animais continue limitada.
Em resumo, o ciclo de alta do boi gordo se antecipou, e, com a demanda aquecida e oferta restrita, espera-se que os preços se mantenham elevados. A continuidade desse movimento dependerá da capacidade das indústrias de ajustar suas escalas e da reação do mercado interno ao aumento dos preços.
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