O cenário no mercado do boi gordo aponta que há expectativa de reajustes nos preços, ainda que de forma moderada. O ponto de alerta fica como mercado doméstico que enfrenta um período de menor consumo na segunda quinzena do mês.
O mercado físico do boi gordo manteve preços firmes nesta terça-feira (21), refletindo a consistência da demanda e as condições do mercado exportador. Além disso, segundo as consultorias que acompanham as praças pecuárias diariamente, as indústrias seguem enfrentando dificuldades para alongar suas escalas de abate, que seguem entre 4 e 7 dias úteis. O mercado interno, apesar de comprador, enfrenta um período de maior gastos com impostos típicos da temporada, fazendo com que a população migre para outras fontes de proteína.
Segundo Fernando Henrique Iglesias, consultor da Safras & Mercado, há expectativa de reajustes nos preços, ainda que de forma moderada. “No entanto, a dinâmica delimitada aponta para um movimento comedido. As escalas de abate permanecem encurtadas e seguem como uma das principais variáveis para justificar essa expectativa de elevação dos preços”, diz.
A principal justificativa para uma possível valorização da arroba está nas escalas de abate encurtadas, que continuam limitadas, mantendo a oferta ajustada à demanda. Outro fator de peso é a agressividade das exportações, que seguem em ritmo acelerado e com desempenho favorável neste início de temporada.
De acordo com a Scot Consultoria, o mercado abriu o dia oferecendo R$ 3/@ a mais pelos lotes de “boi-China” em São Paulo, elevando a cotação para R$ 335/@ no prazo. Por outro lado, os preços do boi gordo comum (R$ 327/@), vaca gorda (R$ 305/@) e novilha gorda (R$ 317/@) permaneceram estáveis.
Giro do boi gordo pelas principais praças pecuárias do país:
- São Paulo: R$ 335,00/@ (R$ 333,92 ontem)
- Minas Gerais: R$ 324,00/@ (R$ 322,94 anteriormente)
- Goiás: R$ 324,00/@ , sem mudanças
- Mato Grosso do Sul: R$ 328,00/@ (R$ 326,59 na segunda)
- Mato Grosso: R$ 320,00/@ (R$ 319,72 ontem)
Negociações e oferta ajustada
Segundo a Agrifatto, as negociações entre frigoríficos e pecuaristas ocorrem de forma contida, conhecida como “mão para a boca”. Isso indica que os produtores estão dosando suas vendas para evitar pressões negativas nos preços.
“A limitação da oferta ficou ainda mais evidente, com os volumes negociados suprindo apenas as necessidades das escalas para seis dias, na média nacional”, destacaram os analistas da Agrifatto.
Nas 17 praças pecuárias monitoradas diariamente, os preços dos animais terminados permaneceram estáveis pelo terceiro dia consecutivo, o que reforça a resistência do mercado diante de oscilações.
Desempenho do mercado futuro do boi gordo
No mercado futuro, os contratos apresentaram valorização positiva. O contrato com vencimento em fevereiro/25 encerrou o pregão cotado a R$ 330,35/@, um aumento de 0,95% em relação ao dia anterior, sendo a maior alta entre os contratos do dia.
Mercado atacadista registra queda nos cortes traseiros
Apesar da firmeza no mercado físico, o mercado atacadista registrou queda nas cotações dos cortes traseiros, influenciado pelo padrão de consumo típico do primeiro bimestre. De acordo com Iglesias, as despesas tradicionais de início de ano, como IPTU, IPVA e material escolar, reduzem a demanda por carne bovina, favorecendo alternativas mais acessíveis como frango e ovos.
Os valores para o quarto traseiro caíram para R$ 26 por quilo, uma queda de R$ 0,50, enquanto o quarto dianteiro manteve o preço de R$ 18,50 por quilo. A ponta de agulha, por outro lado, apresentou uma leve alta, sendo precificada a R$ 18,70, um incremento de R$ 0,20.
Cenário cambial
O dólar comercial fechou o dia em queda de 0,18%, sendo negociado a R$ 6,0312 para venda e R$ 6,0292 para compra. Durante a sessão, a moeda oscilou entre a mínima de R$ 6,0170 e a máxima de R$ 6,0675, refletindo o movimento do mercado global e expectativas sobre a economia brasileira.
O mercado do boi gordo continua apresentando resiliência nos preços, sustentado pelo ritmo forte das exportações e uma oferta ajustada à demanda. No entanto, o segmento atacadista enfrenta desaquecimento sazonal, e o comportamento do mercado futuro segue indicando confiança em valorizações futuras.
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