A oferta restrita, aliada à demanda aquecida pelas exportações, tem sustentado a valorização da arroba e colocado o pecuarista em uma posição estratégica, influenciando o ritmo das negociações no mercado do boi gordo.
O mercado físico do boi gordo manteve sua trajetória de preços firmes nesta segunda-feira (20), com cotações estáveis a mais altas em relação à última sexta-feira (17). A oferta restrita, aliada à demanda aquecida pelas exportações, tem sustentado a valorização da arroba e colocado o pecuarista em uma posição estratégica, influenciando o ritmo das negociações.
Segundo Fernando Henrique Iglesias, consultor da Safras & Mercado, muitas indústrias ainda avaliam as melhores estratégias de compra, o que tem resultado em certa lentidão nas negociações. “A semana começa com um cenário ainda pautado pela oferta limitada, enquanto as exportações seguem em ritmo forte, em um mês com imenso potencial de embarques”, analisa Iglesias.
O cenário atual favorece o pecuarista, que conta com boas condições das pastagens, permitindo a retenção dos animais por mais tempo. Esse fator possibilita uma postura mais firme nas vendas, esperando por melhores ofertas dos frigoríficos, que enfrentam escalas de abate curtas, entre quatro e seis dias, conforme levantamento da Scot Consultoria.
Oferta restrita e demanda aquecida impulsionam preços
Cotações do boi gordo nas principais praças
A valorização da arroba tem sido observada nas principais praças pecuárias do país. Segundo dados das consultorias, os preços médios são:
• São Paulo: R$ 333,92/@ (ante R$ 333,50)
• Minas Gerais: R$ 322,94/@ (estável)
• Goiás: R$ 323,21/@ (sem mudanças)
• Mato Grosso do Sul: R$ 326,59/@ (ante R$ 326,36)
• Mato Grosso: R$ 319,72/@ (ante R$ 319,04)
No mercado paulista, a Scot Consultoria destaca que a vaca gorda foi a única categoria com alta, passando para R$ 305/@, um acréscimo de R$ 5/@ em relação à última cotação. O boi gordo comum segue em R$ 327/@, enquanto a novilha é cotada a R$ 317/@. Já o boi-China, categoria voltada para exportação ao mercado asiático, mantém-se em R$ 332/@.
Exportações seguem como fator de sustentação no boi gordo
A demanda internacional continua sendo um dos principais pilares de sustentação dos preços. Os embarques de carne bovina brasileira mantêm um ritmo acelerado neste início de ano, o que tem garantido uma procura consistente pela matéria-prima, mesmo diante de um cenário econômico desafiador no mercado interno.
A Agrifatto apurou que, pela segunda sessão consecutiva, os preços da arroba nas 17 regiões monitoradas permaneceram inalterados, com uma média de R$ 304,40/@ no país.
Mercado de carne enfrenta desafios no varejo e atacado
Apesar da firmeza nos preços da arroba, o varejo tem enfrentado dificuldades. O alto preço da carne bovina, combinado com o início de ano financeiramente apertado para os consumidores, resultou em vendas fracas no final de semana, segundo relatos da Agrifatto.
No atacado, a comercialização também seguiu abaixo do esperado, com relatos de mercadorias acumuladas nos pontos de distribuição e adiamento no descarregamento das cargas.
• Quarto traseiro: R$ 26,50/kg
• Ponta de agulha: R$ 18,50/kg
• Quarto dianteiro: R$ 18,50/kg
Para os próximos dias, analistas apontam menor espaço para reajustes, considerando a fraca demanda típica da segunda quinzena do mês.
Câmbio em queda beneficia exportações
Outro fator relevante para o mercado da carne bovina é o câmbio. O dólar comercial fechou em queda de 0,36%, sendo cotado a R$ 6,0421 para venda e R$ 6,0401 para compra, após oscilar entre R$ 6,0295 e R$ 6,0865 ao longo do dia. A desvalorização da moeda norte-americana pode impulsionar as exportações, tornando a carne brasileira mais competitiva no mercado externo.
Expectativas para os próximos dias
Com a oferta restrita e a demanda externa aquecida, o viés de alta para o boi gordo deve continuar, especialmente nas regiões de maior concentração de abates. No entanto, a retração do consumidor interno e a estratégia de compras das indústrias serão fatores determinantes para o comportamento dos preços no curto prazo.
A recomendação para o pecuarista é monitorar atentamente as oportunidades de mercado, aproveitando momentos de valorização, enquanto os frigoríficos seguem avaliando suas estratégias para recomposição de estoques.
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