A proximidade do Ano Novo influencia a lentidão nas negociações, com parte dos agentes fora do mercado do boi gordo. Apesar disso, as expectativas para 2025 indicam uma possível retomada no ciclo de alta, trazendo otimismo moderado ao setor.
O mercado do boi gordo manteve-se estável nesta semana, com preços na casa dos R$ 320 por arroba em São Paulo, refletindo um momento de pouca movimentação e ajustes pontuais após o retorno do feriado. Analistas destacam que a proximidade do Ano Novo influencia a lentidão nas negociações, com parte dos agentes fora do mercado. Apesar disso, as expectativas para 2025 indicam uma possível retomada no ciclo de alta, trazendo otimismo moderado ao setor.
Tendências no mercado físico
De acordo com Allan Maia, analista da Safras & Mercado, os frigoríficos em São Paulo estão com escalas de abate ajustadas, o que os permite operar com mais tranquilidade. Entretanto, aqueles que ainda buscam compor escalas podem enfrentar dificuldades devido à baixa oferta de animais. Essa situação pode levar a um leve aumento nos preços nas próximas semanas.
“A expectativa é de que o mercado físico ganhe ritmo na primeira quinzena de janeiro, com maior liquidez e possível encurtamento das escalas de abate”, explicou Maia.
Outro fator de atenção é o comportamento do mercado atacadista e da exportação. Os cortes nobres, bastante demandados no final do ano, podem enfrentar dificuldades para sustentar preços elevados após as festas. Além disso, o movimento do dólar e o fluxo de exportações seguem como variáveis determinantes para o mercado no início de 2025.
Preços médios da arroba do boi gordo (a prazo) pelas principais praças pecuárias
- São Paulo: entre R$ 310 e R$ 320
- Minas Gerais: entre R$ 300 e R$ 310
- Goiás: R$ 295 e R$ 305
- Mato Grosso do Sul: até R$ 315
- Mato Grosso: entre R$ 300 e R$ 315
Cenário no mercado atacadista
O mercado atacadista registrou leves recuos nos preços dos cortes bovinos. Essa retração reflete a desaceleração no consumo interno, comum no período pós-festividades, além de uma possível migração dos consumidores para proteínas mais acessíveis.
• Quarto dianteiro: R$ 20,30/kg (-R$ 0,10)
• Quarto traseiro: R$ 26,70/kg (-R$ 0,10)
• Ponta de agulha: R$ 19,40/kg (-R$ 0,10)
Segundo o analista Iglesias, os cortes nobres devem enfrentar um cenário mais desafiador em 2025, com mudanças no perfil de consumo e uma possível pressão por preços mais competitivos.
Câmbio e exportação: o impacto no setor
O dólar comercial encerrou a última quinta-feira com leve desvalorização de 0,11%, cotado a R$ 6,1773 para venda. Essa flutuação pode influenciar a competitividade das exportações brasileiras no mercado internacional, que foi um dos pilares para a recuperação dos preços do boi gordo em 2024.
Até novembro, o Brasil exportou 2,65 milhões de toneladas de carne bovina, um aumento expressivo de 28,7% em relação a 2023, marcando um recorde histórico. Apesar desse desempenho robusto, a desaceleração nas compras pelos frigoríficos nas últimas semanas de 2024 trouxe incertezas ao mercado interno.

2024: um ano de extremos para a pecuária
O ano foi marcado por oscilações intensas no mercado do boi gordo. No primeiro semestre, as pastagens ruins e o aumento dos abates pressionaram os preços para baixo, com a arroba atingindo sua mínima do ano em junho (R$ 215,30, segundo o CEPEA/B3). No segundo semestre, no entanto, o cenário mudou. A demanda crescente dos frigoríficos e o aquecimento do mercado interno e externo impulsionaram os preços, culminando na alta histórica da arroba.
Apesar da recuperação, o final do ano trouxe desafios, com desvalorização de 11% no boi gordo em dezembro, reflexo da redução na demanda dos frigoríficos. Esse comportamento reforça a necessidade de cautela e planejamento pelos pecuaristas, especialmente diante das projeções para 2025.
Expectativas para 2025
Analistas apostam na virada do ciclo pecuário em 2025, com uma retomada gradual dos preços e ajustes na relação oferta-demanda. O encurtamento das escalas de abate, combinado com o possível reaquecimento do mercado interno, cria um cenário de otimismo moderado para o setor.
Com o dólar ainda em patamares elevados, as exportações continuam sendo o principal motor para a valorização do boi gordo. No entanto, os pecuaristas devem estar atentos às mudanças no consumo interno e à volatilidade do mercado internacional.
Com isso, observamos que o mercado do boi gordo encerra 2024 em um momento de transição, com preços estáveis e sinais de retomada para o próximo ano. O desafio agora é navegar as incertezas e aproveitar as oportunidades que surgirem, especialmente no mercado externo.
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